1º de maio: Dia do Trabalhador, não do trabalho

Passei boa parte do dia pensando num texto para o dia de hoje, Dia do Trabalhador, mas a Cris Rodrigues e o Emir Sader (no Vi o Mundo) foram mais rápidos. Na lógica capitalista, fui um “vagabundo”: perdi tempo assistindo – e falando de – futebol… (E o Grêmio perdeu o Gre-Nal nos pênaltis, mas um dirigente colorado foi quem mais reclamou: eu morro e não vejo tudo!)

Então, vou apenas deixar registrado o meu feliz Dia do Trabalhador a todos os leitores – inclusive aos que estão sem trabalhar e têm de aguentar babacas chamando-os de “vagabundos” por conta disso. Tal rótulo já é aplicado a quem trabalha e aparentemente “não se esforça”, assim como muitas vezes aos pobres – afinal, se eles estão na pobreza desde a infância, é culpa deles, e não do sistema.

Valorizar o trabalho, e não o trabalhador, significa valorizar a opressão.

1º de maio

Tá, o dia foi ontem… Mas não custa nada lembrar, já que o camarada aqui “vagabundeou” ontem e não postou.

A propósito, o “sonho” dos que cultuam o “trabalho acima de tudo” não é exatamente o que mostra o filme “Tempos Modernos”? Homens comportando-se como máquinas, porque “a produção não pode parar”. Afinal, descansar é “coisa de vagabundo”.

O dia 1º de maio é “do trabalho” ou “do trabalhador”? Sem dúvida alguma, é do trabalhador.

Tem de ser do trabalhador. Pois foi de uma greve por redução da jornada de trabalho (ou seja, por uma vida melhor, com mais tempo livre para o descanso), iniciada em 1º de maio de 1886 na cidade de Chicago, que surgiu a comemoração.

1º de maio

“Descobri que só me sinto feliz ao trabalhar intensamente em algo que gosto”.

A frase acima é de John Reed (1887-1920), jornalista, ativista e revolucionário socialista estadunidense. Em 1914 foi enviado como correspondente ao México, e ajudou a espalhar as notícias referentes à Revolução Mexicana. Reed também acompanhou in loco a Revolução de Outubro na Rússia, e baseado em suas anotações escreveu um dos maiores clássicos sobre a Revolução Russa: “Os dez dias que abalaram o mundo”.

Reed morreu em Moscou, e foi enterrado com honras de herói junto ao Kremlin, na Praça Vermelha, ao lado de outros nomes da Revolução.