Do Twitter ao blog

O Twitter tem muitas vantagens em relação ao Facebook. Não é tão repleto de “cagadores de regra”, dá maior liberdade de ignorar idiotas que só aparecem para provocar, e o principal: não é uma rede “de amigos”, mas sim de “seguidores”. Tenho muitos “amigos” que não sigo no Twitter e vice-versa, mas no Facebook lá estão…

Só que o Twitter tem um problema: limite de 140 caracteres. Com isso, o que se quer dizer acaba ficando “quebrado” em vários “tweets”. Embora ainda seja a rede ideal para “xingar muito”, em especial a galera chata do Facebook.

Nesse aspecto, o blog tem uma vantagem: poder escrever mais. E como não estou divulgando os links no Facebook, me dá uma liberdade bem maior.

De repente faço isso no próximo texto. Agora não, pois estou com sono (sim, madrugada de sábado e vou dormir cedo, mas foda-se).

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Eu curto (e escrevo) “textão”

Uma impressão que tenho no Facebook é que muita gente por lá não gosta de “textão”. Toda hora vejo queixas: “que saco essa gente publicando textão”, e blá blá blá.

Na boa: se você não gosta, é só não ler. Quando o texto é longo, nem aparece na íntegra: para ler tudo é preciso clicar em “ler mais” – logo, é só não clicar. E isso quando ele é publicado diretamente no Facebook: se é link, nem mesmo é possível ler o começo sem dar um clique. Aliás, eu tenho dado preferência a publicar meus “textões” no blog e postar o link no FB: azar dos preguiçosos que não clicam, ficarão sem ler.

Só digo uma coisa: se você é do tipo de pessoa que reclama de “textão”, jamais tenha a cara-de-pau de vir com papinho do tipo “o povo brasileiro não tem cultura, não lê”. Primeiro porque cultura não é só o que gostamos (e acho muito mais correto falar em “culturas”, assim, no plural). Segundo, pois se você não lê “textão”, que moral tem para falar mal de quem não gosta de ler?


“Ah, mas eu falo de texto na internet, gosto de ler livros”. Bom, então fique menos tempo no Facebook e mais tempo lendo o seu livro.

E em tempo: quem reclama de “textão” nada mais faz do que desmotivar (mesmo que não decisivamente) quem gosta de escrever. Muita gente escreve mal, é verdade, mas quantos possíveis escritores do futuro estão ficando sem a menor vontade de produzir textos por conta dos reclamões (ou seriam preguiçosos?) do Facebook?

Afinal, quem escreve quer ser lido: eu costumava atualizar meu antigo blog com frequência (dificilmente deixava muito tempo “parado”) pois tinha bastante gente que lia, comentava etc. Mas com o passar do tempo os acessos foram diminuindo, as pessoas pararam de comentar no blog… Resultado: por um bom tempo perdi a vontade de escrever. Depois retomei o Cão Uivador, até mesmo comprando domínio próprio, mas percebendo que a tendência de diminuição de acessos era irreversível, nem renovei o domínio e preferi fechar o blog após atualizá-lo apenas cinco vezes em cinco meses; resolvi criar e manter um outro com meu próprio nome apenas por teimosia, pois nunca simpatizei com a ideia de ter apenas o Facebook como espaço para expressar minhas ideias.

Facebook: não saí e quase me arrependo

Semana retrasada, anunciei minha saída do Facebook. Escrevi meu último post lá, pedi para que me passassem números de telefones para mantermos contato via WhatsApp e Telegram… E no fim, acabei ficando.

E agora, estou um pouco arrependido. Pois embora permanecendo no Facebook eu tenha a impressão de que serei mais “ouvido” (risos), ao mesmo tempo não me sinto plenamente livre para dizer tudo o que quero lá.

Acreditem: aqui no blog, onde escrevo meus textos abertos a qualquer pessoa, sinto ter maior liberdade de expressão do que no Facebook. Simples: aqui tenho mais poder. Posso moderar os comentários, e assim me livrar de muita chateação.

Aqui não tem reaça enchendo o saco com suas reacices. Não tem “cagador de regra” se sentindo a vontade. Aqui quem dita as regras sou eu.

“E a democracia, cadê?”, alguém me perguntará. Respondo: está no direito de você escrever o que bem entender no seu espaço. Tanto faz se é no perfil do Facebook ou no blog.

Mas aqui é o meu espaço. Aqui vigora a rodrigocracia. Aliás, em tese vale o mesmo no meu perfil do Facebook, o problema é que se excluo ou bloqueio alguém de lá começa o “mimimi”. Pois o pessoal confunde amizade com “estar na lista de contatos do Facebook” – quando começo a pensar seriamente que em muitos casos a melhor maneira de preservar a amizade seja não adicionar certas pessoas na rede do Zuckerberg.

No fim, não saí do Facebook e acho que não sairei tão cedo. Mas deixo aqui registrado que quase me arrependo de ter ficado.

A decisão de sair do Facebook

Já tinha pensado nisso faz tempo. Lá em 2013 cheguei a escrever um texto sobre o assunto. Mas agora tomei uma decisão: em breve, finalmente, irei “cometer facebookcídio”.

Sei que muita coisa mudará. Não terei mais 200 cumprimentos pelo meu aniversário (já que as pessoas hoje em dia têm nas redes sociais sua “agenda”). Perderei contato com quem não tiver meu e-mail ou telefone (para falar comigo via WhatsApp ou Telegram). Por isso, anunciei a decisão antes de encerrar a conta no Facebook – e assim dará tempo para quem quiser pegar meus novos endereços na internet.

Mas também me livrarei de muita “tralha”. Não me refiro a pessoas, e sim à overdose de informações que circula no Facebook. Tem muita coisa útil, importante. Mas a maioria é bobagem. Não é tão necessário saber, por exemplo, que fulano de tal está no bar x com y pessoas (e o negócio é tão maluco que é difícil não “entrar no jogo” e acabar fazendo as mesmas coisas). Assim como não deve ser nada agradável acontecer algo do tipo você gostar de uma pessoa e aparecer na sua linha do tempo que ela começou um relacionamento sério (e com alguém que obviamente não é você).

Também estarei livre de me deparar com coisas relacionadas a Onyx Lorenzoni, Jair Bolsonaro, Revoltados Online, Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino, TV Revolta etc. (na real já bloqueei tudo isso no Facebook, mas sempre surgem coisas novas – e piores). Sem contar que aqui comentário-mala não tem vez: eu exerço meu papel de moderador.

Resumindo: de modo geral, vai ser melhor.

Por que elas não têm destaque?

Neste domingo, às 12h30min, tem Brasil x Estados Unidos, pela Copa do Mundo. Marta repetirá a fantástica atuação que teve diante das mesmas adversárias em 2007 (com direito a um gol mais que antológico)? A torcida brasileira e, principalmente, os amantes do bom futebol, torcem para que sim.

Mas a pergunta fundamental é: o Brasil vai parar por causa deste jogaço?

Não, pois isso só acontece quando são os homens em campo. Mesmo que a seleção feminina do Brasil jogue um futebol mais bonito que a masculina, o destaque é sempre deles. Nunca delas.

Os brasileiros em geral foram ensinados a torcer apenas por homens no futebol. Mesmo as mulheres, hoje mais presentes nos estádios, assistem majoritariamente ao futebol masculino. Este segue sendo a principal referência esportiva de torcedores e torcedoras. Repare que textos sobre o esporte aqui mesmo no Cão são quase em sua totalidade sobre o masculino. Superar o machismo é tarefa das mais difíceis, ainda mais em um jogo que por tanto tempo foi considerado “coisa de homem”.

E se depender da mídia corporativa, isso não mudará. Pois o destaque é dado ao futebol masculino: como mais gente se interessa, quer dizer que dá mais audiência, logo, mais lucro por atrair mais anunciantes. Só que, ao mesmo tempo, como a “grande mídia” fala mais sobre futebol masculino, influencia mais gente a acompanhá-lo, mas sem ter maior conhecimento (ou até interesse) em relação ao feminino.

Agora, pense bem: se determinados assuntos não recebem atenção da “grande mídia” por não serem financeiramente interessantes, podemos falar que ela é democrática, livre?

Portanto, democratizar a comunicação é fundamental para que o Brasil possa ser um país realmente democrático.

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Esta postagem é uma contribuição à blogagem coletiva pela democratização da comunicação, convocada pelo Eblog (Blogueiros de Esquerda).

Uma catástrofe, mas que pode dar lucro

bad2009

Li hoje no Correio do Povo uma pequena notinha acerca de uma pesquisa realizada sobre a situação do degelo no Ártico durante os verões do hemisfério norte. De acordo com a minúscula notícia (por que será?), poderá acontecer, num prazo de 10 anos, do Pólo Norte ser mar aberto durante o verão.

Ruim? Para o planeta, sim. Mas para quem só pensa em lucrar cada vez mais, não. Há quem veja com bons olhos o pouco gelo no Ártico durante o verão, devido à chamada “passagem noroeste”, rota marítima entre o Atlântico e o Pacífico ao norte da América: com o maior – ou total – derretimento da calota polar, seria possível navegar por lá, e assim gastar menos tempo para se chegar da Europa Ocidental e leste da América do Norte ao Extremo Oriente.

O derretimento do gelo ártico também atiça a cobiça pelo petróleo que dizem existir aos montes na região: países banhados pelo Oceano Ártico – no caso, Estados Unidos, Canadá, Dinamarca, Islândia, Noruega e Rússia – já tratam de “estabelecer suas fronteiras” no mar polar, para reivindicarem jazidas de petróleo como sendo “suas”.

Ou seja: ao invés de tomarem medidas para tentarem reverter – ou pelo menos amenizar – as consequências catastróficas que o degelo trará, o genial ser humano prefere descobrir possibilidades de lucrar mais. Como se pudesse levar o dinheiro para o caixão. Isso se o mar não subir demais, matando-o afogado – e o dinheiro serviria para alguma coisa?

Pois reparem que as metas para redução da emissão de gases nunca são para já. Sempre se estabelecem lomgos prazos, e para reduzir pouco. “Não podemos ter prejuízo por causa da ecologia” – tá, cara pálida, e do que vai adiantar não perder dinheiro, mas morrer de calor, afogado ou asfixiado por um ar irrespirável?

E ainda há a balela dos tais “créditos de carbono”, que significam nada mais do que “pagar para poluir”. Adianta o quê? Paga um pouquinho e mantém os lucros, sem precisar pensar em agredir menos o planeta.

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Sinceramente, com tanta gente tapada que não enxerga essas coisas e não aceita mudar alguns hábitos – como, por exemplo, de ir trabalhar usando o carro, mesmo que seja um deslocamento curto e feito solitariamente – às vezes chego a pensar que é melhor deixar a humanidade ser extinta mesmo, então que estraguem o planeta até não poder mais. Porém, os outros animais não têm culpa disso.

Então, se a humanidade não for motivação suficiente para agir contra tudo isso, que façamos pelos outros animais. Eles não merecem uma extinção tão estúpida.

Dia de Ação dos Blogs: A pobreza em Porto Alegre

Meu post não se diferencia muito dos que hoje foram publicados nos blogs Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho e Dialógico, visto que ambos tratam de assuntos semelhantes, embora com abordagens diferentes: a pobreza em Porto Alegre.

Os Amigos da Gonçalo optaram por falar sobre a Vila Chocolatão, uma das mais pobres da capital, que fica bem próxima ao Centro. Há anos se discute sua remoção, porém não o fundamental: como os moradores sobreviverão longe dali? Pois atualmente eles recolhem papel no Centro: levá-los para uma região distante não os privará de seu sustento?

Já no Dialógico foram publicados trechos de uma entrevista coletiva feita por blogueiros com moradores de rua, na tarde do último dia 4 de setembro (para ler a entrevista completa, clique aqui). Falou-se de diversos assuntos, como a criminalização e o preconceito dos quais são vítimas: são vistos como “ladrões”, mesmo que prefiram mil vezes pedir do que roubar para sobreviver.

Provavelmente uma das causas do preconceito do qual são vítimas os pobres em geral de Porto Alegre seja o mito de “cidade sem favelas”, detonado pelo economista Ricardo Martini em uma série de posts em seu blog. Com o uso do Google Earth, ele traçou um “mapa da pobreza em Porto Alegre” que mostrou que a capital gaúcha tem vários núcleos de pobreza espalhados por seu território, porém com uma característica singular: boa parte de nossas favelas são “escondidas”.

Dois ótimos exemplos são as vilas Cruzeiro do Sul e Bom Jesus, das quais todos os porto-alegrenses pelo menos já ouviram falar, mas provavelmente muito poucos já as viram – exceto, é claro, os moradores delas. Afinal, ambas não são “visíveis” pelas pessoas que passam de carro ou ônibus por avenidas movimentadas como Carlos Barbosa, Teresópolis, Nonoai (próximas à Cruzeiro), Protásio Alves e Ipiranga (próximos à Bom Jesus).

Em fevereiro, o meu amigo Diego Rodrigues (que me indicou o blog do Ricardo Martini) esteve no Rio de Janeiro e escreveu a respeito da cidade. O Hélio Paz esteve no Rio em março, mas também já morou lá. Em comum entre ambos, a impressão de que o Rio de Janeiro é uma cidade mais democrática do que Porto Alegre, em que há maior convivência entre classes sociais. Fruto da geografia carioca: com a cidade espremida entre o mar e as montanhas, as favelas encontram-se ao lado de condomínios de luxo.

Porém, como o próprio Hélio escreveu recentemente, a classe média mais consciente e solidária no Rio vive em bairros onde há essa convivência diária com a pobreza, como Copacabana. Na Barra da Tijuca, as pessoas vivem em condomínios fechados: assim como em Porto Alegre, não enxergam a pobreza. E por isso, tanto na Barra quanto em Porto Alegre, em geral são extremamente intolerantes e preconceituosas.

Entrevista coletiva

Na quinta-feira, dia 4, às 14:30, acontecerá no Gapa (Rua Luís Afonso, 234) uma entrevista coletiva feita por blogueiros com integrantes do Projeto Boca de Rua – jornal que dá voz aos moradores de rua de Porto Alegre, de uma maneira diferente da “grande mídia”, na qual eles geralmente aparecem nas páginas policiais.

Não sei se eu poderei ir, já que a quinta será uma correria para mim. Os blogueiros que puderem ir, compareçam!

Nosso encontro com o MST (24 de julho de 2008)

A reforma agrária só vai acontecer se o latifúndio quiser

Quinta-feira, 24 de julho, 13h. Depois de dois dias e meio de marcha, mais de 600 integrantes do MST chegavam à sede do INCRA, em Porto Alegre, para reivindicar o atendimento de um acordo que prevê assentar duas mil famílias no Rio Grande do Sul ainda este ano. O primeiro prazo, de assentar mil famílias até abril, não foi cumprido.

A marcha começou cedo, antes das 7h. A alvorada no ginásio da Federação dos Metalúrgicos de Canoas foi às 4h. No meio da manhã, quando entravam em Porto Alegre, os trabalhadores foram recebidos por um enorme contingente, fortemente armado, da Brigada Militar. Todos foram revistados, muitos colocados contra a parede, seus pertences vasculhados, mesmo que se soubesse que nada “perigoso” seria encontrado, como não foi.

Quando a marcha foi interrompida pela polícia, os jornalistas das grandes empresas de comunicação estavam lá para captar que os sem terra seriam abordados como potenciais criminosos. Nas notícias que escreveram depois não estranharam isso. Pareceu-lhes justo ou normal. O que suas imagens e textos nunca registram é que esses trabalhadores organizados, homens e mulheres humildes, são humilhados pelas forças de segurança. São oprimidos. O noticiário os confunde (e é impossível acreditar que faça isso inocentemente) com pessoas oportunistas e violentas, mesmo quando são vítimas do oportunismo do sistema e da violência de estado.

As iniciativas do jornalismo independente, sejam elas tocadas por jornalistas formados ou não, acabam sendo, quase sempre, os únicos espaços em que movimentos sociais que contestam a estrutura e a lógica do sistema possam expor suas verdades.

Naquele dia, enquanto a mídia corporativa selecionava uma ou outra declaração oficial recolhida às pressas, preparando as informações que iriam novamente envenenar a opinião da população contra um movimento popular legítimo; no momento em que o superintendente Mozart Dietrich explicava a dezenas de integrantes do MST, no auditório do oitavo andar do INCRA, que está tentando adquirir áreas para assentamentos, mas que não pode divulgá-las nem para o próprio Movimento, com receio de que a informação chegue aos latifundiários e que eles estraguem as negociações, pressionando os fazendeiros a não vender as terras, como já fizeram antes, duas jovens lideranças do MST estadual participavam, por uma hora e meia, de uma espécie de entrevista coletiva informal concedida a seis blogs gaúchos. Uma conversa franca, aberta, reveladora. Dessas que nunca chega à população pelas páginas dos grandes jornais e revistas.

Contraditoriamente ou não, foi numa sala cedida pelo Sindicato dos Jornalistas, no centro da cidade, que encontramos Gilson, filho de assentados, 23 anos de idade e desde os quatro vivendo em acampamentos e assentamentos e Cristiane, também filha de assentados e há dois anos acampada em Tupanciretã, formada em curso técnico agropecuário com habilitação em agroecologia numa escola do Movimento, ambos integrantes do setor de frente de massa do MST. Continuar lendo