Nova profissão: comentarista de velório

Está um saco essa onda de “mimimi” sobre o velório de Marisa Letícia. Galera reclamando que Lula “fez discurso político”. Gente que desejou a morte dela agora fica dizendo que foi “desrespeito”.

Ora, mas vão se catar!

E aviso: no meu velório também vou querer discurso político. De esquerda, é óbvio. Pois se alguém se atrever a falar direitices eu juro que volto do além para lhe fazer umas visitinhas… De preferência no meio da madrugada.

Temerário verão

Porto Alegre, fevereiro de 2014 (mas poderia ser dezembro de 2016 se esses relógios de rua ainda funcionassem)

Para mim é mais do que óbvio: todo esse calor infernal é uma jogada do (des)governo Temer para nos convencer que é bom trabalhar até os 80 anos de idade por 12 horas (ou mais) diárias, até mesmo no fim de semana.

Pois estou de folga hoje e lamentando por isso, já se trabalhasse estaria no ar condicionado do serviço (que está ligado para permitir a sobrevivência de quem bateu ponto hoje) e o meu aparelho estaria desligado, me fazendo economizar. O tempo que fico em casa nesse suplício que é o verão de Porto Alegre (que não ao acaso recebe o apelido de “Forno Alegre” nessa época) é diretamente proporcional ao tempo que o ar condicionado fica ligado aqui em casa. E consequentemente, a conta da luz vai às alturas. (Mas ainda assim sai mais barato do que ir para a praia, e clube com piscina além de caro não resolve o problema da temperatura elevada.)

Por isso, chega de baderna e “mimimi”: FICA Temer! Reforma trabalhista e da previdência JÁ!


E, por favor, que esfrie logo para passar de uma vez por todas essa alucinação… Até porque para quem trabalha na rua não tem economia: é mais sofrimento ainda com esse calor.

Finalmente, o fim

Chegou ao fim na manhã de sábado o (des)governo Yeda Crusius. Quadriênio que já tinha começado muito bem: após receber o cargo de Germano Rigotto, Yeda foi à sacada do Palácio Piratini e pendurou a bandeira do Rio Grande do Sul de cabeça para baixo. Profética imagem…

Posse de Yeda Crusius, 1° de janeiro de 2007

Mas antes mesmo de assumir, Yeda já sofrera sua primeira derrota. Em 29 de dezembro de 2006, um pacote que previa aumento de impostos e era apoiado por ela, foi derrotado na Assembleia Legislativa. Foi quando vi algumas cenas bizarras, como deputados do PT e do PFL (ainda não era DEM) comemorando juntos – o vice Paulo Afonso Feijó, que já estava afastado de Yeda desde a campanha eleitoral (pois ela não queria que ele defendesse abertamente as privatizações), se distanciou ainda mais do (des)governo que nem começara.

Àquela altura, Yeda já motivava muitas charges*. E elas já começavam a ir muito além de sua inabilidade política, chegando até mesmo a seu legítimo “pé-gelado”: em 6 de abril de 2008, o Grêmio precisava empatar com o Juventude no Olímpico para ir à semifinal do Gauchão. Yeda foi ao estádio, e o Ju venceu por 3 a 2, após uma inexplicável escalação de Celso Roth… Opa, inexplicável uma ova!

Yeda não foi “pé-frio” apenas no futebol. Em fevereiro de 2009, visitou a Paraíba, governada por seu colega de partido Cássio Cunha Lima; dias depois, o tucano teve seu mandato cassado. Em maio do mesmo ano, ao inaugurar uma estrada, o palco cedeu.

Três semanas atrás, previ que Yeda faria por merecer mais sátiras em seus últimos dias no Piratini. Dito e feito. Vimos o “videoclipe”, o momento Forrest Gump, a inauguração de um tronco petrificado… E no fim, uma aulinha de história do Palácio Piratini: em seu discurso de despedida, Yeda falou que o primeiro morador do prédio foi Bento Gonçalves, em 1921. A ex-(des)governadora está certa quanto ao ano de inauguração do Palácio, mas é preciso avisá-la de que Bento Gonçalves faleceu em 1847.

Após o discurso, a “Joana D’Arc dos Pampas” (usando as palavras do genial Professor Hariovaldo) deixou o Piratini pela porta dos fundos.

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* Um aviso aos leitores: não desisti da ideia de fazer uma “retrospectiva chargística” destes quatro bizarros anos – é que originalmente eu pensava em publicá-la hoje, mas são tantas charges, que é impossível publicar tudo de uma vez, e sem passar pelo menos alguns meses selecionando as melhores. Como não sei se eu sobreviveria a tanta risada – assim como os infelizes que foram vitimados pela piada mais engraçada do mundo – acho que talvez seja uma boa dividir os trabalhos…