O Brasil agoniza

museu nacional

Como se não bastasse o roubo do futuro, a austeridade do (des)governo – que inexiste na hora de dar aumentos para a galera do “andar de cima” – também destrói o nosso passado, com este incêndio no Museu Nacional que penava por falta de recursos.

E ainda restam 19 anos de congelamento dos investimentos públicos graças à “PEC do fim do mundo”, aprovada em 2016 com apoio de uma galera raivosa de direita só porque o PT era contra.

Triste fim do que poderia ser um grande país.

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Um trajeto de táxi e um pouco de História

– Pega a Cauduro, depois a João Telles à esquerda e a Irmão José Otão, também à esquerda.

E assim comecei a explicar ao taxista o trajeto que deveríamos fazer. Meu pai, que ia no banco da frente do carro, estranhou a orientação. Obviamente na parte em que falei em “Irmão José Otão”. Prontamente lembrei que era a “continuação” da Rua Vasco da Gama, que a partir da João Telles muda de nome e passa a denominar-se Irmão José Otão, mas que ainda assim muitas pessoas costumam chamar de “Vasco” – inclusive eu em não tão poucas ocasiões.

Certamente a maioria das pessoas se pergunta por que raios de motivos a rua simplesmente muda de nome naquele cruzamento. De fato, parece algo totalmente sem lógica: se você segue reto, obviamente continua andando pela mesma rua. Mas, olhando para a História, percebemos que faz sentido.

A Rua Vasco da Gama data do final do Século XIX e, ao contrário do que o sentido de circulação dos carros indica, começa na João Telles ao invés de terminar (aliás, vale lembrar que até meados de 1991 o sentido da rua era o contrário, centro-bairro ao invés de bairro-centro). Pois, regra geral, define-se o ponto mais próximo do Guaíba como o início de uma rua em Porto Alegre. Tanto que a própria João Telles, que demarca a “fronteira” entre a Vasco da Gama e a Irmão José Otão, começa na Avenida Independência, mesmo que os veículos “subam” a rua em direção à referida avenida (trata-se de uma lomba que renderá um belo banho de suor a quem ousar subi-la a pé num dia como foi ontem).

Já a Irmão José Otão foi aberta em meados da década de 1970, com o propósito de ser uma “continuação” da Vasco da Gama a partir da João Telles. Se pensarmos na lógica da numeração de ruas em Porto Alegre, verificamos que, na verdade, acontece o contrário: a Vasco da Gama que é continuação da Irmão José Otão – que tem seu ponto inicial na Praça Dom Sebastião (ao lado do Colégio Rosário) e não na João Telles. Mas, como vimos, a Vasco é mais antiga e, além disso, tem sua numeração iniciada pelo “zero” (enquanto em outros casos ela se inicia com valores mais altos, devido à previsão de extensão futura, lembrando que é preciso levar em conta a lógica do ponto inicial ser aquele mais próximo do Guaíba). Se a “continuação” da Vasco recebesse o mesmo nome, ou as edificações do novo trecho teriam de receber números negativos (imagine um endereço do tipo “Rua Vasco da Gama, -215”), ou seria estabelecido um novo “zero” lá na Praça Dom Sebastião e as edificações do trecho mais antigo precisariam trocar sua numeração (o que geraria uma enorme confusão).

Mas essa não é a única situação curiosa da região. Há uma outra, que também é explicada pela História.

Quando caminhamos pela Vasco da Gama e/ou pela Irmão José Otão, estamos no Bom Fim. E na paralela Avenida Independência, andamos pelo bairro homônimo. Agora, quando se sobe ou desce a Fernandes Vieira, João Telles, Santo Antônio, Garibaldi, Tomaz Flores e Barros Cassal (todas elas, ruas que ligam a Independência à Vasco da Gama ou à Irmão José Otão), surge a dúvida: em que ponto passamos de um bairro ao outro?

De modo geral, os limites entre os bairros são estabelecidos conforme o traçado das ruas, para facilitar a vida de todos. Só que entre Bom Fim e Independência a coisa é diferente (e não é caso isolado), com a divisa sendo estabelecida por uma linha imaginária e paralela à Avenida Independência, que corresponde a um prolongamento da Rua Castro Alves, jamais aberto, que iria até a Praça Dom Sebastião (na verdade, começaria ali). A linha imaginária só corresponde a traçados de ruas nas quadras iniciais da Irmão José Otão (entre a praça e a Barros Cassal) e da Castro Alves (entre a Fernandes Vieira e a Felipe Camarão).

No fim, o prolongamento aberto foi da Vasco da Gama, mas os limites entre os bairros mantiveram-se inalterados, gerando uma situação curiosa: a linha imaginária passa por dentro de terrenos e edificações, e assim há pessoas que dormem em um bairro e fazem refeições em outro sem saírem de casa. E assim será enquanto um projeto de lei que redefine os limites de vários bairros da cidade não for sancionado – no caso de Bom Fim e Independência, a “fronteira” será justamente o traçado das ruas Irmão José Otão e Vasco da Gama.

Eliminatórias da Euro 2016: por que Gibraltar pode jogar, e Catalunha e País Basco não?

O fato esportivo da sexta-feira foi, sem dúvida alguma, a partida entre Alemanha e Gibraltar, em Nuremberg, válida pelas eliminatórias da Eurocopa de 2016. Quatro meses e um dia depois de conquistar seu quarto título mundial, a Seleção Alemã venceu por 4 a 0 e ouviu algumas vaias de uma torcida exigente e que espera ver o time repetir as mesmas atuações da Copa do Mundo. (Talvez os alemães estejam precisando de um joguinho com o Brasil – sabem como é, para “arrumar a casa”…)

Para os gibraltinos, perder por apenas 4 a 0 para os campeões mundiais foi uma façanha histórica. Não simplesmente por terem levado em 90 minutos (e na casa do adversário) o mesmo número de gols que a Seleção Brasileira tomou em menos de 30 na semifinal da Copa (jogando diante de sua torcida). É que a associação de futebol do pequeno território só foi aceita na UEFA (e ainda não na FIFA) em 2013, com sua seleção tendo disputado sua primeira partida oficial há menos de um ano (e, vamos combinar, começou bem: empate em 0 a 0 com a Eslováquia, que na Copa de 2010 eliminou a Itália).

Gibraltar é uma pequena península rochosa localizada ao sul da Espanha, e que a este país pertenceu até 1713, quando foi cedida ao Reino Unido pelo Tratado de Utrecht. Porém, posteriormente o Estado espanhol voltou a reivindicar o “rochedo” como parte integrante de seu território, e durante a ditadura de Francisco Franco a Espanha decidiu fechar a fronteira com Gibraltar, “isolando” a península (situação que perdurou até 1985) e tornando possível a chegada ou saída apenas por via marítima ou aérea: sim, o pequeno território possui um aeroporto que devido à falta de espaço tem a pista atravessada por uma avenida, cujo trânsito de veículos é interrompido quando algum avião pousa ou decola.

Mesmo possuindo aeroporto, Gibraltar não tem como abrigar as partidas de sua seleção de futebol pelas eliminatórias da Euro 2016 pois seu único estádio, com capacidade para 5 mil pessoas, não atende às exigências da UEFA. Devido à rejeição espanhola à filiação da Associação de Futebol de Gibraltar, o selecionado mandará seus jogos em Portugal.


A oposição espanhola a Gibraltar não impede sua seleção de disputar partidas oficiais pois o “rochedo” tem a “sorte” de pertencer ao Reino Unido, e não à Espanha. Segundo o artigo 10 dos estatutos da FIFA (à qual a UEFA é submissa), para uma seleção nacional poder disputar competições internacionais, sua associação precisa representar um país independente ou ter autorização expressa da associação do país ao qual pertence a região por ela representada; mas o mesmo artigo reconhece as quatro associações britânicas (inglesa, escocesa, galesa e norte-irlandesa) como membros independentes.

O resultado disso? Como Gibraltar é pertencente ao Reino Unido, sua associação não precisa de autorização para poder se filiar à UEFA (e muito provavelmente, logo integrará também a FIFA), já que não existe uma entidade única britânica.

Em compensação, a Espanha tem uma associação única (Real Federação Espanhola de Futebol), que não autoriza a filiação das associações da Catalunha e do País Basco, regiões cuja identidade não é meramente regional: tratam-se de nacionalidades históricas, com idiomas próprios – a língua basca, inclusive, não tem nenhum parentesco com a castelhana. O resultado disso é que as partidas disputadas pelas seleções da Catalunha e do País Basco sempre são amistosos sem caráter oficial, mesmo que os adversários sejam filiados à FIFA (caso do Brasil, que já enfrentou – e venceu – duas vezes a Seleção Catalã).


Em abril de 2001, a pequena cidade australiana de Coffs Harbour sediava uma das etapas das eliminatórias da Oceania para a Copa do Mundo de 2002. A Austrália (na época ainda filiada à Confederação Oceânica) era favorita não só por jogar em casa, mas também devido ao nível dos adversários, todos amadores: Fiji, Tonga, Samoa e Samoa Americana – esta última era uma dependência dos Estados Unidos, onde o futebol mais apreciado pela população é aquele cuja bola é oval.

A Austrália estreou no dia 9 de abril, aplicando 22 a 0 em Tonga. Achou muito? Pois dois dias depois os anfitriões foram ainda mais arrasadores: 31 a 0 sobre Samoa Americana, estabelecendo os recordes de maior goleada tanto de partidas entre seleções como de jogos organizados pela FIFA; com 13 gols marcados, o australiano Archibald Thompson tornou-se o maior artilheiro de uma só partida de futebol. Assistindo ao vídeo com os gols do jogo, é fácil perder as contas.

Três dias depois a Austrália venceu Fiji por (apenas) 2 a 0, e em 16 de abril encerrou a demolidora campanha na fase goleando Samoa por 11 a 0. Em apenas quatro partidas, os australianos marcaram 66 gols: para se ter uma ideia, o melhor ataque do Campeonato Brasileiro de 2014 até agora é do líder Cruzeiro, que balançou as redes adversárias 60 vezes em 34 jogos.


Por que tal lembrança? Para chamar a atenção quanto a esta bizarra situação: seleções de pequenos países (que não são independentes) como Samoa Americana e Gibraltar têm direito (e isso está corretíssimo) a disputar competições internacionais, enquanto outras de nações maiores e que contam inclusive com idioma próprio (casos da Catalunha e do País Basco) podem apenas jogar amistosos sem reconhecimento oficial.

Sobre a tal “intervenção militar”

Minhas amizades têm os mais variados gostos e opiniões. Sou gremista, e me dou muito bem com colorados. Gosto muito de vinho, mas não exijo de ninguém que aprecie a bebida. Adoro inverno e várias pessoas que preferem o verão têm grande apreço de minha parte.

Nas eleições, obviamente a situação não foi diferente. Da lista de minhas amizades – online ou offline – saíram votos para Dilma Rousseff, Aécio Neves, Marina Silva, Luciana Genro, Eduardo Jorge e Mauro Iasi. Isso levando em conta quem abriu o voto, pois muita gente não se manifestou sobre a eleição e pode ser que tenha votado em algum outro candidato. As discordâncias não me levaram a brigar com ninguém, havia respeito mútuo.

Ou seja, não tenho problema algum com relação a opiniões divergentes da minha. Até porque ninguém nasce com opinião pronta, formamos a nossa a partir do que as outras pessoas dizem – seja por concordar ou discordar. Sem contar que não há em qualquer parte do mundo uma pessoa exatamente igual a outra.

Agora, se você é daquelas pessoas que defende “intervenção militar” (que só é “constitucional” na cabeça de quem não conhece a Constituição) para “acabar com a corrupção”, e ainda acha que na época da ditadura as coisas eram melhores, aí sim temos um problema.

Sendo mais específico, você tem um problema com relação a opiniões diferentes.

Durante a ditadura, bastava alguém gerar desconfiança (mesmo sem nenhum motivo para tal) para ser considerado “subversivo” e sofrer perseguição por motivos políticos; em caso de prisão, com sorte o interrogatório seria “civilizado”, sem espancamento nem tortura; se houvesse tortura, com sorte e muita resistência se sobrevivia a ela. E depois disso, dois caminhos eram possíveis: o da sobrevivência, com sorte mantendo a sanidade mental (muitas pessoas enlouqueceram por conta da tortura); ou o da morte, no qual os entes queridos teriam de contar com a boa vontade dos assassinos para que ao menos pudessem se despedir (e várias famílias nem isso conseguiram fazer, pois os canalhas muitas vezes não se contentavam em matar opositores, ainda tratavam de sumir com os corpos).

Na ditadura que você defende (“afinal, esse pessoal que faz baderna tem mais é que levar porrada para ver se aprende”), seria bem possível que amigos seus fossem considerados “subversivos” por motivos os mais banais possíveis (naquela época, se você não gostasse de alguém e quisesse ferrar com essa pessoa bastava acusá-la de ser comunista, sem necessidade de provas do “crime”). E de nada adiantaria reclamar disso com o argumento de que “fulano de tal é ‘pessoa de bem’, eu conheço”: aliás, talvez você também fosse “convidado” a “prestar informações” (afinal, quem reclama provavelmente é “subversivo”, né?).

Ou seja, se você quer “intervenção militar”, pense bem a respeito disso. Pode ser que uma das vítimas dela seja você mesmo. Sem contar as muitas pessoas que você diz querer bem.

Você sabe que está ficando velho quando…

  • Repara que parcela considerável de suas amizades casou e/ou inclusive “já deu cria”;
  • Lê matérias sobre os 25 anos da queda do Muro de Berlim ou das eleições de 1989 e percebe que lembra daquela época;
  • Seu atlas do colégio tinha União Soviética, Iugoslávia, Tchecoslováquia, duas Alemanhas, Goiás com o dobro do tamanho atual e Roraima e Amapá como territórios;
  • Olha a capa da Veja na banca e pensa “putz, antigamente dava para levá-la a sério”.

Criança em tempos de eleição

Mais uma vez chega o dia das crianças e, claro, no Facebook boa parte dos meus contatos trocam a foto de perfil para remeter à infância. Fiz o mesmo com a minha, mas com o adendo de um selinho pedindo voto em Tarso e Dilma no segundo turno (ou seja, faça a vontade do bebê gordo da foto, do contrário ele não te deixa apertar as bochechas dele!).

A combinação entre “lembranças da infância” e “campanha eleitoral” obviamente me faz lembrar as eleições dos tempos em que eu era criança – e nas quais, obviamente, eu não votava. Embora isso não significasse exatamente que eu não tivesse alguma opinião.

A primeira eleição da qual tenho lembranças aconteceu em 15 de novembro de 1988: naquela terça-feira, foram eleitos vereadores e prefeitos municipais. Em Porto Alegre, Olívio Dutra venceu e deu início ao ciclo petista na prefeitura, que duraria 16 anos. Mas o que me marcou mais foi a “eleição” feita na minha turma do Jardim de Infância, no Esquilo Travesso: os coleguinhas pensavam diferente da maioria da população, e votaram majoritariamente em Guilherme Socias Vilella, do PDS; já eu era “brizolista” na época, por causa de minha avó (uma espécie de “retribuição” por ela fazer praticamente todas as minhas vontades, aliás, como as avós sempre costumam fazer), e assim dei meu voto a Carlos Araújo, do PDT – que acabou sendo o único que ele recebeu na turminha. Não recordo se Olívio recebeu algum voto, e se ninguém tiver optado pelo “bigode” eu nem estranharei: meu pai lembra que a escolinha era bastante cara para os padrões de nossa família e, pelo que a lógica indica, com predominância de alunos cujos país eram conservadores (tanto que o “eleito” pela turma foi um candidato da direita e da antiga ARENA, partido que apoiava a ditadura).

O ano de 1989 foi de mudanças. Ingressei na 1ª série do 1º grau, em novo colégio: fui para o Marechal Floriano Peixoto, estadual – como diz o meu pai, para aprender o conteúdo ministrado nas aulas e também para crescer sem ficar “apartado” da realidade brasileira (como, por exemplo, os problemas da educação), o que não aconteceria caso tivesse toda minha formação básica em escolas privadas. Na Europa Oriental o “socialismo real” baseado no modelo da União Soviética ruía, e tal dissolução era simbolizada pela abertura do Muro de Berlim, fato histórico que tive o privilégio de assistir pela televisão, embora sem entender qual era a importância de um (aparentemente) simples muro.

Já no Brasil, tinha eleição presidencial pela primeira vez desde 1960 (e foi também a última em um ano ímpar). Era o primeiro processo eleitoral totalmente regido pela Constituição promulgada no ano anterior, e o primeiro turno aconteceria justamente no dia em que o Brasil celebrava 100 anos da República (proclamada em 15 de novembro de 1889).

Na véspera do primeiro turno, novamente “votei” no colégio. Mas as “urnas” da minha turma no Floriano deram um resultado ideologicamente oposto aos de um ano antes, no Esquilo. Leonel Brizola, um dos dois principais nomes da esquerda naquela eleição (o outro era Lula), recebeu o meu voto e o da maioria dos colegas; se não me engano, só a professora votou em Lula e Fernando Collor não foi votado por ninguém. No dia seguinte, a eleição “para valer” consagrou Brizola no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro (ambos Estados dos quais ele foi governador), mas quem foi para o segundo turno (realizado em 17 de dezembro) foram Lula e Collor. O último foi eleito, mas sem nenhum voto dos colegas: as aulas terminaram cerca de uma semana antes do segundo turno e assim não houve nova “votação” na turma.


Em 29 de setembro de 1992, dia em que a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment de Fernando Collor, novamente a minha turma no Floriano foi consultada, e ninguém votou favoravelmente ao presidente. Definitivamente, Collor não era popular lá no colégio…

A batalha sem campo

Em 22 de junho de 1941, teve início a invasão da União Soviética por tropas alemãs, quebrando o pacto de não-agressão acordado entre a Alemanha nazista e a URSS menos de dois anos antes. Os alemães adentraram ao território soviético de maneira arrasadora, visto que o ataque de forma alguma era esperado (diz-se que Josef Stalin demorou dias a emitir algum comunicado por sentir-se traído por Adolf Hitler). Somente onze dias após o início da invasão é que o ditador soviético finalmente falou: determinou o uso da chamada “tática de terra arrasada”, que consistia em destruir tudo o que pudesse servir aos alemães; consequentemente, os próprios soviéticos passaram a queimar casas e plantações, de modo a deixar as forças inimigas desabrigadas e sem alimentos à disposição, o que as prejudicaria principalmente quando tivesse início o inverno, que naquela região é rigorosíssimo. Foi a mesma tática utilizada para repelir a invasão napoleônica à Rússia em 1812, e que novamente deu certo na Segunda Guerra Mundial (ou “Grande Guerra Patriótica”, como chamam os russos).

Porém, a expulsão dos alemães demorou mais tempo, pois embora eles não estivessem preparados para as dificílimas condições impostas pelo inverno russo, ainda assim eram forças muito bem equipadas. Após o inverno de 1941-1942 a União Soviética continuava na defensiva frente à Alemanha, apesar dos invasores não terem conseguido tomar duas cidades de grande valor simbólico na operação: Moscou (por ser a capital) e Stalingrado (por seu nome homeagear Stalin). E foi justamente na “Cidade de Stalin” que se deu o “ponto de inflexão” na guerra: a famosa Batalha de Stalingrado, travada por vários meses nas ruas da cidade, culminou com uma decisiva vitória soviética em fevereiro de 1943. Dali em diante, a URSS tomou a ofensiva e por dois anos avançou até a conquista de Berlim em maio de 1945 e o consequente fim da guerra.


O leitor pode ser curioso e querer saber onde exatamente se deu tão importante batalha. Logicamente, vai ao Google Maps e digita “Stalingrado, Rússia”, mas percebe que a pesquisa dá como resultado uma cidade chamada “Volgogrado”, sugestivamente às margens do Rio Volga, um dos mais importantes da Rússia.

Estranho: afinal, não dizem que o Google sabe de tudo? Ou será que a Batalha de Stalingrado é apenas um mito e na verdade nunca aconteceu? Afinal, nunca se viu batalha sem campo (embora esta tenha se dado em área urbana).

Pois o Google sabe, sim. Tanto de Geografia como de História.

A cidade que ele encontrou já mudou de nome duas vezes. Fundada em 1589 com o nome de Tsaritsyn, em 1925 passou a chamar-se Stalingrado para homenagear Stalin, recém ascendido à liderança da União Soviética após a morte de Lenin (sem contar que não fazia mais sentido uma cidade com nome que remetesse ao deposto regime tsarista). Mas no ano de 1961 sua denominação foi novamente alterada: passou a chamar-se Volgogrado (“Cidade do Volga”), e não foi exatamente para homenagear o rio.

O que aconteceu foi o processo conhecido como “Desestalinização”, que consistiu na eliminação do culto à personalidade de Stalin (falecido a 5 de março de 1953) após seu sucessor Nikita Khrushchev denunciar no famoso “Discurso Secreto”, durante o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (1956), os crimes cometidos pelo regime stalinista. Foi algo chocante aos que ouviram Khrushchev, dado que Stalin era visto como herói devido à sua liderança na Segunda Guerra, e não como um terrível ditador cuja política repressiva vitimou tanto opositores como muitos integrantes do próprio Partido Comunista.

As denúncias tornaram inaceitável manter qualquer homenagem a Stalin – e eram muitas. Incluindo o hino nacional (que continha referências ao ditador) e a cidade onde se dera tão importante batalha da “Grande Guerra Patriótica”.

A importância de tais homenagens não foi suficiente para mantê-las “intactas”. A letra do hino soviético foi suprimida e só readotada em 1977, mas sem as referências ao ditador. Já Stalingrado foi rebatizada como Volgogrado: a mudança provavelmente não agradou a todos os habitantes da cidade (desde simpatizantes do ditador até “pragmáticos” que preferiam o antigo nome por estarem acostumados a ele), mas não era mais possível homenagear Stalin e, por conta disso, ela não foi revertida.


Os parágrafos acima demonstram que mudar nomes de ruas por homenagearem ditadores não é “bobagem” ou “falta do que fazer”, como dizem muitos idiotas em caixas de comentários por aí acerca de uma grande vitória obtida hoje em Porto Alegre por quem defende a democracia: a aprovação pela Câmara de Vereadores de um projeto de lei da bancada do PSOL que altera o nome da principal entrada da cidade, de Avenida Castelo Branco para Avenida da Legalidade e da Democracia. Fernanda Melchionna e Pedro Ruas já tinham apresentado projeto semelhante em 2011, mas ele fora rejeitado por 16 votos contra 12. Hoje, a vitória foi acachapante: 25 a 5.

O projeto será enviado ao prefeito José Fortunati (PDT). Se sancionado, a principal entrada de Porto Alegre deixa de homenagear o “inaugurador” da ditadura militar e passa a fazer referência à democracia e a um movimento em sua defesa, a Legalidade – que, coincidentemente, aconteceu no mesmo ano em que Stalingrado foi rebatizada como Volgogrado (1961) e foi liderado pelo fundador do partido de Fortunati, Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul.

Quem é contra a mudança provavelmente se utiliza de argumentos semelhantes a quem não quis que Stalingrado passasse a se chamar Volgogrado. Desde simpatia pela ditadura militar (autoritário é autoritário, independente de ideologia) até “pragmatismo”, por estarem acostumados ao nome que, espero, logo deixe de ser “atual”. Porém, reparem que é uma alteração com muito menos “tamanho”: não é uma cidade (que ainda por cima era famosa por uma das mais importantes batalhas da Segunda Guerra Mundial), apenas uma via que, inclusive, não tem nenhuma residência ou estabelecimento comercial, e cujos prédios mais próximos têm entradas por outras ruas (ou seja, em nada atrapalhará, pois não será preciso alteração de endereços devido à nova denominação).

Sem contar que a avenida é uma via expressa, praticamente sem esquinas. Logo, o custo da troca da sinalização viária (que muitos certamente questionarão) será imensamente inferior à dor causada por ditadores como Castelo Branco a muitos brasileiros – que em muitos casos se traduziu em prejuízo financeiro, pois várias pessoas perderam seus empregos pelo simples fato de serem contrárias à ditadura.


João Carlos Nedel (PP), um dos vereadores que votaram contra a proposta, disse que a alteração é uma tentativa de reescrever a História. Demonstrou assim que não entende nada de História: ela é constantemente reescrita a cada novo trabalho historiográfico produzido.

Loucuras de agosto

Este domingo marca o 60º aniversário do suicídio de Getúlio Vargas. Mas houve outro acontecimento marcante justamente no dia em que a morte do mais importante político brasileiro do Século XX completou 30 anos: em 24 de agosto de 1984, uma sexta-feira, Porto Alegre registrou neve e temperatura de apenas 2°C no meio da tarde.

Capa da Zero Hora, 25/08/1984

Capa da Zero Hora, 25 de agosto de 1984

A matéria da MetSul sobre os 30 anos da neve de 1984 corrobora o relato do meu pai sobre aquele 24 de agosto: a temperatura que pela manhã era amena para a época começou a despencar, e a chuva que caía se transformou em neve no meio da tarde, dado o frio impressionante que era registrado. Ele trabalhava no Centro, e percebeu que nevava ao olhar pela janela: parecia que estavam “jogando algodão” e achou estranho que alguém fizesse aquilo, então notou que por toda parte caíam aqueles “algodões” e que eles eram, na verdade, flocos de neve. Ligou para casa, pediu que me enchessem de roupas e me levassem para a rua, para que eu pudesse ver algo que certamente não se repetiria tão cedo, já que é acontecimento raro e nem sequer é marca registrada do inverno no Rio Grande do Sul. Obviamente não me lembro de nada, já que tinha apenas 2 anos e 10 meses de idade.

30 anos depois, aquela nevada chega a parecer algo surreal. Pois este domingo em Porto Alegre em nada lembrava um dia de inverno e que até já registrou neve na mesma cidade. Mas não foi nada surpreendente neste ano de inverno “bipolar” (e que cheguei a achar que nem viria), como mostra a previsão para os próximos dias.

Isso já no começo da noite, no meio da tarde chegou a 35°C.

Isso já no começo da noite, no meio da tarde chegou a 35°C. Mas amanhã o frio já estará de volta…


Apesar de neve ser coisa rara em Porto Alegre, aquela nevada de 1984 não foi a última registrada na cidade. Em 8 de julho de 1994, uma sexta-feira e último dia de aulas antes das férias de inverno nas escolas estaduais (que naquela época duravam 50 dias, invenção do governo de Alceu Collares), fazia muito frio e chovia. Eu estava na sexta série e estudava à tarde no Marechal Floriano Peixoto, próximo à Brahma; lembro que quando descia as escadas do colégio para ir embora começou a “cair granizo” em grande quantidade, acumulando sobre calçadas e carros. Já na rua, cheguei a fazer “guerra de gelo” com meus colegas. Horas mais tarde, meu pai ligou para contar o que ouvira no rádio: que aquele “granizo” era na verdade neve, mas na forma granular (a de 1984 era a “clássica”, em flocos). Eu brinquei com neve e só depois soube disso…

A neve caiu novamente (na forma granular) em Porto Alegre no dia 4 de setembro de 2006. Meu pai estava doente naquela segunda-feira e acompanhei-o ao médico. No táxi, ele comentou ter ouvido no rádio que nevara em Santa Maria, algo bastante incomum já que a cidade tem altitude relativamente baixa (a área urbana fica em torno dos 100 metros). Imaginei que poderia acontecer o mesmo em Porto Alegre, já que caíam algumas pancadas de chuva e frio era o que não faltava. Dito e feito: quando o táxi estava defronte à Rodoviária começaram a cair os grãos de neve, que se “espatifavam” no para-brisa. Mas quando chegamos ao destino já tinha até sol, e sequer voltou a chover naquele dia.

A imbecilidade na arquibancada

O Gre-Nal de domingo foi vergonhoso para nós, gremistas. Não pela derrota por 2 a 0 (perder é do jogo, apesar de estar se tornando muito comum recentemente, e de fazer quase dois anos que o Grêmio não vence o rival), e sim pela atitude de uma parcela da torcida gremista no Beira-Rio. Poderia até postar o vídeo aqui, mas acho que quem cantou “o Fernandão morreu” não merece mais publicidade, apenas as mais severas críticas e demonstrações de repúdio.

A trágica morte de Fernandão não deixou apenas os colorados tristes. Ele conseguiu ser admirado também pelos gremistas mesmo sem jamais ter vestido a camisa do Grêmio e, como se não bastasse, tendo sido fundamental nas maiores conquistas do Inter na década de 2000. Como diz o ditado, “uma imagem vale por mil palavras”, e esta abaixo, de um gremista indo ao Beira-Rio homenagear um dos maiores ídolos colorados naquele triste 7 de junho sintetiza tudo (infelizmente não sei a autoria da foto).

fernandão

Domingo, postei no Facebook um link para um “diagrama” que ensina a “ganhar” qualquer discussão sobre futebol. O “diagrama” é genial, mas ao mesmo tempo explica o motivo pelo qual não tenho mais saco para debater futebol a não ser acerca do jogo em si ou de seus aspectos sociais, culturais ou políticos. Tentar provar ao adversário que o meu time é maior que o dele (e ele defenderá até a morte o contrário) é algo totalmente sem sentido, pois não é uma discussão em termos racionais – e aí a própria palavra “discussão” fica totalmente desvirtuada, visto que ela significa “troca de ideias” e não “bate-boca”. Sim, muito já fiz isso, até mesmo aqui no blog, e não sinto nenhuma saudade daquelas trocas de comentários que tenderiam ao infinito se alguém não tomasse a iniciativa de parar com tanta idiotice (aliás, repararam como tenho falado menos de futebol de 2013 para cá?).

Pois tudo o que não precisamos é transformar o debate sobre a demência de domingo em “Gre-Nal”. É preciso discutir, sim, o que leva alguns idiotas a mandarem qualquer senso de humanidade para o espaço, ao ponto de apelarem para a crueldade pura e simples.

Muito se discute sobre o ser humano ser bom ou mau por natureza. É um debate que, creio, jamais chegará ao fim, até porque o conceito de “bom” e “mau” é muito subjetivo. Mas é fato que temos enorme potencial para praticar o mal. Muitas vezes, conseguimos nos conter, até que haja algum espaço onde “extravasamos” sem que isso seja malvisto da mesma maneira que no dia-a-dia. E um desses lugares é, sem dúvida alguma, o estádio de futebol (valendo o mesmo para qualquer ambiente onde se assista ou fale do esporte).

Na arquibancada vemos muitas vezes um homem calmo e bem-comportado “perder a cabeça”. Aquela pessoa que jura não ser racista e/ou homofóbica, no estádio chama o rival de “macaco imundo” e/ou de “viado”. Na internet, o pessoal fala merda e depois acaba recebendo muitas críticas, aí diz que “foi no calor do momento”. Mas a verdade é que “no calor do momento” costumamos revelar o que temos de pior, características reprimidas no cotidiano mas que, uma hora ou outra, virão à tona.


Não, a torcida do Grêmio não é toda como aqueles desvairados de domingo. E não foi só aquele grupelho que agiu de maneira tão baixa, conforme li em alguns comentários e mesmo em alguns livros – exemplos que cito abaixo.

Em 1993, o Grêmio contratou por empréstimo o jovem atacante Dener, revelado pela Portuguesa e que era considerado um dos jogadores mais promissores da época. O Tricolor não tinha dinheiro para comprar o passe de Dener e assim ele foi embora após jogar apenas três meses no clube, mas já como ídolo da torcida graças ao seu grande talento, que rendeu ao Tricolor o título estadual daquele ano. No ano seguinte Dener foi para o Vasco, e em 19 de abril morreu em um acidente de carro no Rio de Janeiro, causando luto no Olímpico. Dias depois, segundo comentários, torcedores colorados teriam ido a um Gre-Nal no Beira-Rio usando cintos de segurança (equipamento de segurança mas que acabou sendo o causador da morte de Dener, visto que o banco onde ele viajava estava reclinado, anulando a eficácia do cinto, que ainda por cima estrangulou o jogador), com a intenção de ironizar e provocar os gremistas.

Na crônica “Os cânticos do desprezo”, de seu excelente livro “Futebol ao sol e à sombra” (1995), Eduardo Galeano lembra algumas músicas de torcida que revelam os velhos preconceitos que encontram no futebol terreno extremamente fértil. Citando o caso do Napoli, clube que a partir da contratação de Maradona passou a jogar um belo futebol e ganhou dois Campeonatos Italianos em curto espaço de tempo (1987 e 1990), Galeano lembra o velho racismo que os italianos do norte dedicam aos do sul, com cânticos que iam do insulto (acusando os napolitanos de serem “sujos”) à pura e simples crueldade (“Vesúvio, contamos contigo”). O mesmo texto também lembra o preconceito no futebol da Argentina em relação ao Boca Juniors, clube mais popular do país em todos os sentidos (tamanho de torcida e extrato social): os “bosteros” (insulto que os boquenses adotaram como simbolo de identidade) seriam “todos negros, todos putos” que teriam de ser “jogados no Riachuelo” (rio extremamente poluído que passa próximo à Bombonera).

Em “Como o futebol explica o mundo” (2004), de Franklin Foer, achei outro exemplo, vindo da Hungria. Um dos clássicos de maior rivalidade da capital húngara, Budapeste, reune MTK e Ferencváros, fundados ainda no Século XIX e cuja rixa intensificou-se na década de 1920. O motivo? O MTK, cuja sigla significa Magyar Testgyakorlók Köre (Círculo Húngaro de Educação Física), foi fundado por judeus e com eles se identifica, enquanto a torcida do Ferencváros era próxima à extrema-direita que muito se fortaleceu após a Primeira Guerra Mundial. No período anterior à guerra os judeus eram dos mais ardosoros defensores do nacionalismo húngaro e em consequência disso eram bem-recebidos na Hungria; a capital Budapeste chegou a reunir uma das maiores concentrações judaicas do mundo naquela época. Após a queda do Império Austro-Húngaro e uma fracassada revolução comunista em 1919, a situação mudou e os judeus passaram a ser os “bodes expiatórios” dos políticos nacionalistas, da mesma forma que em outras partes da Europa. Apesar de terem se passado muitas décadas, o ódio não arrefeceu por completo: nos clássicos, torcedores do Ferencváros costumam ofender aos rivais do MTK com cânticos os mais odiosos possíveis, com menções a Auschwitz e às câmaras de gás nas quais seis milhões de judeus foram assassinados pelo nazismo.

Decime qué se siente

Antes da seleção da Argentina embarcar para a Copa do Mundo no Brasil, os jogadores Lionel Messi, Javier Mascherano e Ezequiel Lavezzi, além do técnico Alejandro Sabella, participaram de um anúncio televisivo das Avós da Praça de Maio, que há 37 anos buscam por filhos de desaparecidos na última ditadura argentina.

A referência de Messi não foi apenas para “arredondar”. Sob sua mais brutal ditadura, que matou e sumiu com cerca de 30 mil pessoas, em 1978 a Argentina sediou a 11ª Copa do Mundo. Em 2014, o Brasil organizou a 20ª Copa. De fato, são dez Mundiais de ausência. Há quase 40 anos as Avós buscam por seus netos, cujas mães deram à luz na prisão e depois foram assassinadas, com as crianças sendo entregues a orfanatos ou a famílias de agentes da repressão (que, não raro, eram os algozes dos pais biológicos dos filhos adotivos).

Quando da gravação do anúncio com os jogadores, as Avós já tinham recuperado a identidade de 113 netos. Pois na terça-feira, 5 de agosto, surgiu o 114º: Ignacio Hurban, um músico que inclusive já tocou em um evento das Avós, sem imaginar que fosse neto justamente da presidente da associação, Estela de Carlotto. Ignacio decidiu fazer o exame de DNA após assistir ao anúncio no qual Messi disse que sua avó o procurava há dez Copas. A mãe de Ignacio, Laura, foi sequestrada e assassinada em 1978, ano da Copa na Argentina; ao filho que esperava, pretendia dar o nome de Guido.

Na coletiva de imprensa das Avós, ao ser questionada sobre o que faria após encontrar o neto que procurava havia 36 anos, Estela de Carlotto disse: “seguirei buscando os mais de 400 que restam”. Depois, os presentes cantaram uma música num ritmo que conhecemos muito bem durante a Copa:

Milico decime qué se siente
Que hayamos encontrado un nieto más
Te juro que aunque pasen los años
Siempre los vamos a buscar
Porque ahora somos más
Las viejas van a brindar
Y los pibes con nosotros van a estar

Uma provocação aos genocidas, mas bem que poderia mexer conosco aqui no Brasil da mesma forma que o “hit” da torcida argentina na Copa mexeu. Afinal, em termos de reparação histórica e políticas de memória, a Argentina nos mete uma goleada muito maior que 7 a 1. Ano passado, andando pelas ruas de Buenos Aires e lendo jornais argentinos, pude ter uma ideia disso.

Uma de várias placas em memória de desaparecidos políticos em torno do mesmo prédio - todos trabalhavam nele.

Uma de várias placas em memória de desaparecidos políticos em torno do mesmo prédio – todos trabalhavam nele.

No jornal Página 12 de 03/06/2013, pequenos anúncios lembravam desaparecimentos que faziam aniversário naquele dia.

No jornal Página 12 de 03/06/2013, pequenos anúncios lembravam desaparecimentos que faziam aniversário naquele dia.

Para além das políticas oficiais de reparação e memória, a Argentina também já produziu belíssimos filmes sobre o período ditatorial e, em especial, acerca da questão dos bebês de identidades roubadas pela ditadura. Um deles é A História Oficial (1985), ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Outro excelente filme sobre o assunto é Cautiva (2004). Até o momento em que foi finalizado, 74 netos tinham sido localizados.