Brasil, o túmulo do bom senso

Apesar de não ser fã da folia carnavalesca, sempre gostei do feriadão. Como reclamar de não precisar acordar cedo por cinco dias seguidos sem estar de férias?

Eis que veio a pandemia maldita e me bateu uma “deprê” pela ausência (oficial) do Carnaval. Talvez porque mesmo preferindo ficar em casa (suprema ironia) tomando cerveja comprada no supermercado (portanto, mais barata) e no ar condicionado, me agradava a ideia de haver VIDA nas ruas – se me desse vontade de fazer festa, era só escolher o “bloquinho”. Ou, o que me marcou mais, duas semanas após o Carnaval de 2020 minha vida parou sem previsão de retorno. (E o primeiro caso de covid-19 no Brasil foi confirmado justamente na “terça-feira gorda”.)

Mas, como falei, a ausência do Carnaval foi apenas oficial em 2021. Pois Brasil afora foram registradas muitas aglomerações, em praias e em locais fechados. Sendo que o contágio está na ascendente, e ainda temos a variante mais transmissível circulando em todo o país.

Como falei tempos atrás, voltei a ter “ranço” de baladas, por elas estarem acontecendo em um momento como este. E pensar que já vi gente criticando quem diz que se ganhasse na Mega Sena iria embora do Brasil pois isso seria uma atitude “egoísta”. Interessante conceito de egoísmo esse: é querer deixar um país no qual não se tem mais um minuto de paz, e não fazer festa de galera em meio à maior pandemia dos últimos 100 anos.

Na eterna rixa entre paulistas e cariocas, os segundos costumam dizer que São Paulo é o “túmulo do samba”. Não sou exatamente um especialista para poder avaliar se isso é verdade ou não (meu pai sempre preferiu o Carnaval do Rio por achar o samba paulistano mais “acelerado”), mas não me parece nem um pouco difícil dizer que o Brasil inteiro está provando, nesta pandemia, que é o túmulo do bom senso. Óbvios sinais disso já vinham de antes (como a eleição de 2018), mas agora ficou escancarado.

O presidente é muito culpado por dar péssimo exemplo atrás de péssimo exemplo e se enrolar demais para adquirir vacinas. Só que as pessoas, independentemente de suas escolhas eleitorais, não são obrigadas a dar bola para as merdas que ele fala repetidamente. Se seguem o que ele diz, conscientemente ou não, também são culpadas.

Até porque ele não chegou ao Palácio do Planalto por um toque de mágica: 57.797.847 pessoas o colocaram lá, dando uma banana para o bom senso. E muitas delas não se arrependeram do voto.

Mas, egoísta é quem quer ir embora se a oportunidade surgir.

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