Não era nem o meio do caminho

Hoje, 23 de agosto, o Brasil alcança a absurda marca de cem dias sem um titular no Ministério da Saúde, em meio à maior pandemia dos últimos cem anos.

Para se ter uma ideia da quantidade de tempo que passou – e do quão nos acostumamos com isso – basta olhar para trás. Cem dias antes daquele 15 de maio no qual Nelson Teich pediu exoneração do cargo, o calendário marcava 5 de fevereiro, quando a covid-19 ainda nem tinha recebido sua denominação – que seria dada pela OMS seis dias depois.

Em 15 de maio a minha avó ainda estava viva… Faltavam três semanas para o falecimento dela. Aí resolvi fazer a conta: hoje faz 79 dias que ela se foi.

E naquele triste 5 de junho fazia 79 dias desde que eu trabalhara “normalmente” pela última vez, em 18 de março.

Mas aquela sexta-feira não era “o meio do caminho” entre o início e o fim da “quarentena”. Primeiro pois acabei precisando sair mais de uma vez – e não só para o funeral da vó Luciana. Mas principalmente pois, mesmo considerando minhas saídas como exceções, esse inferno de pandemia e isolamento social ainda parece muito longe do fim.

Já faz tempo que me conformei com a ausência de abraços no meu aniversário – que já não está tão longe como em março. Agora já me preparo para a mesma coisa nas festas de final de ano.

E também para passar muito calor no próximo verão, pois certamente ainda será necessário usar máscara. Aliás, o tempo que falta para acabar 2020 é menor do que o passado desde o início dessa desgraça toda.

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