Outubro, de novo

Quando o número que designa em qual mês estamos passa a ter dois dígitos (pois o zero à esquerda não conta), me “cai a ficha”: não falta muito para o ano acabar. Tanto o “meu” como o do calendário. Tanto que costumo dizer que após o dia 15 de outubro em “um piscar de olhos” já estaremos nas festas de final de ano.

Para mim o mês de outubro sempre tem um significado especial, por ser o mês do meu aniversário (comemorado no já citado dia 15). É um momento em que costumo refletir sobre minha vida, algo habitual quando ocorre a passagem de um ciclo a outro: é verdade que também se faz isso em dezembro, mas outubro me proporciona uma análise mais “pessoal” sobre o que aconteceu nos últimos 365 (ou 366) dias.

Só que, depois de 2018, chegar ao décimo mês do ano nunca mais será a mesma coisa, tanto para mim como para incontáveis pessoas, independentemente de quando elas fazem aniversário. Ainda mais em tempos de redes sociais: o Facebook nos recorda que um ano atrás estávamos angustiados com a campanha eleitoral mais suja que já se viu no Brasil.

Uma eleição fraudada, digo com total convicção. Mas não foi uma fraude do tipo “urnas eletrônicas não confiáveis”: os votos por elas computados eram realmente o que o eleitorado decidia – como, aliás, sempre foram. O problema é que muitas pessoas escolheram seu candidato a presidente com base em mentiras deslavadas. Desde o tal “comunismo” do PT (algo tão real quanto unicórnios ao meu lado enquanto escrevo este texto) até absurdos como a tal “mamadeira de piroca”. Falar a verdade, infelizmente, não rende mais votos.

Outubro, no qual se celebra o meu aniversário, foi em 2018 o pior mês da minha vida. Já começou bem ruim e terminou péssimo. Ainda mais com o agravante da tristemente inesquecível noite do dia 30: dois dias após a catástrofe eleitoral fui ao jogo do Grêmio contra o River Plate pela semifinal da Libertadores e, como se não bastasse a derrota gremista no final, ainda fui roubado e caiu um temporal na hora da saída.

Espero que em 2019 não se repita a desgraça do ano passado. Tem jogo do Grêmio logo “de início” (de novo uma semifinal de Libertadores, agora contra o Flamengo), mas desta vez vou tomar mais cuidado com meus bolsos. E felizmente não tem eleição: aquele cara lá ganhou um ano atrás e, conforme minha previsão, está nos fazendo passar muita vergonha mundo afora; é ruim para o Brasil, mas torço para que ao menos seja didático.