Há 25 anos, o alerta sobre o “17”

17 de junho, 1994: há 25 anos começava a maior Copa do Mundo de todos os tempos para mim. Tão marcante que não faz muito tempo eu SONHEI que saía do COLÉGIO e corria para casa pois tinha jogo para assistir na TV.

“Ah, mas a Seleção de 1982 era melhor”: pode ser, mas perdeu. Em 1994 o Brasil não teve um futebol tão vistoso, mas ganhou (e eu sempre preferi ganhar jogando feio a perder jogando bonito, ainda que seja melhor vencer dando espetáculo). Sem contar que aquela Copa para mim nunca se resumiu ao Brasil campeão (“vinte e quatro anos depois”, gritou enlouquecidamente Galvão Bueno há UM QUARTO DE SÉCULO) e a Romário infernizando as defesas adversárias. Também teve os timaços de Bulgária e Romênia (perder jogando bonito é bom quando não é o nosso time), a saída precoce de Maradona, as jornadas MAGISTRAIS do romeno Hagi e do búlgaro Stoichkov, além do grande Roberto Baggio, um dos maiores craques que vi jogar.

A Copa de 1994 também foi a primeira da Nigéria, então campeã africana que por muito pouco não eliminou a Itália nas oitavas-de-final – salva por Baggio, que conduziria a Azzurra, aos trancos e barrancos, até a final.

Sobre Baggio, uma grande curiosidade: naquela Copa, pelo estranho critério de numeração adotado pela Itália, ele deveria ter vestido a camisa 17. Apenas os goleiros usariam os números “tradicionais” (1, 12 e 22) e de acordo com a situação de titular/reserva imediato/terceiro, os demais seriam distribuídos por ordem alfabética (de acordo com os sobrenomes dos atletas) conforme a posição. Assim, os defensores (laterais e zagueiros) seriam de 2 a 9, meio-campistas vestiriam as camisas 10 a 16 (“pulando” o 12, reservado ao segundo goleiro) e os atacantes usariam os números de 17 a 21, fechando a lista o terceiro goleiro (22).

Quem abriria a lista dos atacantes seria justamente Roberto Baggio, que assim vestiria a 17. O problema é que tal número, que apenas recentemente virou MALDITO para quem tem bom senso no Brasil, na Itália é AGOURENTO faz tempo.

Em números romanos, 17 é XVII, conjunto de letras cuja ordem pode ser alterada para “VIXI”, que em latim significa “vivi” – ou seja, remete à morte. Por isso, os italianos têm uma aversão ao 17 como muita gente tem pelo 13 em outros países – incluindo o MEDO quando o dia 17 cai numa sexta-feira. (Aliás, o sujeito que elegeram para governar o Brasil em 2018 tem descendência italiana e isso, além do fato que o número dele remete ao 🇧🇷1⃣7⃣🇩🇪, já deveria ser um alerta de que votar no cara era fria.)

Ou seja, não era uma boa ideia que justamente o craque da Azzurra (escolhido pela FIFA como melhor do mundo em 1993) envergasse uma camisa AMALDIÇOADA. A solução foi abrir uma exceção: Baggio ficou com o número 10 – vamos combinar, digno do grande jogador que ele era. E no embalo foi aberta outra: Baresi deveria ter ficado com a 3 mas vestiu a 6. Os demais seguiram a ordem determinada, apenas sendo feita a redistribuição.

Um mês após o 17 de junho inaugural, chegamos à grande final da Copa, Brasil x Itália. Jogo emocionante só na hora por conta do nervosismo: assistindo novamente tempos depois tive de me segurar para não dormir. O empate sem gols se arrastou e a decisão foi aos pênaltis – que terminaram com vitória brasileira por 3 a 2, sem que Bebeto (último cobrador do Brasil) precisasse chutar. Já a Itália bateu os cinco, com os seguintes jogadores, na ordem: Baresi, Albertini, Evani, Massaro e Baggio.

Por uma ironia do destino, os dois italianos que converteram seus chutes tinham suas numerações diretamente ligadas à exceção aberta para Baggio: Albertini vestiria a 10, que precisou ceder ao craque e por isso ficou com a 11; já Evani (que bateu no meio do gol, enfurecendo Galvão Bueno pois Taffarel preferia tentar adivinhar o canto) seria o 16 mas acabou herdando o REJEITADO 17 que originalmente ficaria às costas de Baggio.

Dos três que não marcaram, só um chutou em gol: Massaro, que não teve seu número alterado por superstição alguma e foi o 19. As exceções no critério de numeração bateram para fora: Baresi (o 6 que deveria ser 3) e, SUPREMA IRONIA, Baggio… Que pensou ter escapado do 17, mas pelo visto o 17 não o deixou.

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