Por que o Natal me chateia

Já é 26 de dezembro, ou seja, mais um Natal fica no passado, o 37º da minha vida. E mais uma vez, fico feliz que isso aconteça. Não simplesmente por significar que mais um ano se passou.

Me irrito demais com a hipocrisia da data. Uma galera que passa o ano inteiro “puxando o tapete dos outros”, falando mal pelas costas, em dezembro finge ser boazinha e querer o bem de todo mundo. (E neste parágrafo revelo uma “semicontradição”: estou também “falando mal pelas costas”, mas também não cito nomes, pois deixo a carapuça à disposição de quem quiser vestir, prefiro criticar atitudes do que apontar o dedo.)

O pessoal que passa de janeiro a novembro gritando contra o Bolsa Família pois “é dar dinheiro para vagabundo não trabalhar” (como se a pobreza fosse causada por “falta de esforço”), chega dezembro e posa de caridoso, fazendo doação de alimentos e brinquedos.

Tem também gente de esquerda nessa. Compartilham “memes” no Facebook sobre “arruinar a festa de família”, mas chega 25 de dezembro e postam o quê? Foto da “família feliz”.


Por incrível que pareça, nunca quis arruinar festa nenhuma, embora tenha motivos para tal (o mesmo de muita gente que conheço: “parentes bolsominions”).

Ainda que não curta a data, participo da festa, e faço isso pela minha avó, que aos 96 anos dificilmente mudará de ideia – ainda mais se pensarmos de forma realista: cada Natal para ela, com a saúde fragilizada, tem muita chance de ser o último. Minha mãe, meu pai e meu irmão sabem que por mim passaria o 25 de dezembro como se fosse um dia qualquer, por não ser cristão: não preciso de datas em específico para reunir minha família e dizer que gosto dela. (E quando falo em família, me refiro justamente aos três citados, além de minha avó: o resto são “parentes”, uns mais próximos e outros mais distantes.)

Mas não entro na onda do fingimento e do enquadramento aos padrões. A hipocrisia de dezembro não conta com nenhuma contribuição minha.


E não estou com a mínima vontade de celebrar o Ano Novo. Não vejo motivo algum para comemoração, considerando que dia 1º de janeiro passaremos a ser governados por um fascista.

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