Não quero celebrar o Ano Novo

Faltando menos de 10 dias para a chegada de 2019, ainda não falei com ninguém para passar a virada do ano junto. Algo que, aliás, nem é tão incomum assim: sempre decidi essas coisas bem em cima da hora, sem contar que a cada ano que passa vejo menos sentido em toda essa celebração.

Nunca fui muito chegado a grandes celebrações. Lembro que quando estava para me terminar a faculdade e falei que optaria pela formatura em gabinete, um amigo me disse que eu me arrependeria pelo resto da vida de tal escolha. Já se passaram nove anos e nada de eu ter qualquer resquício de arrependimento… E o dia que para mim significou o “rito de passagem” foi 14 de dezembro de 2009: defesa da minha monografia. Nem lembro qual foi a data da formatura, sei que foi em algum dia no começo de 2010; sequer quis fazer festa, pois só de pensar em mandar convites para um monte de gente já me dá aquela preguiça.

A última vez que saí para celebrar o ano novo foi na virada de 2011 para 2012. Até achei divertido, mas por volta de uma da manhã já queria ir embora. Mas estava com um grupo de amigos e ninguém queria ir embora; além disso, dependia da carona de um deles pois para conseguir táxi em virada de ano era um suplício (aliás, acho que isso não mudou nem mesmo depois do surgimento dos aplicativos de transporte). Resultado: fiquei até por volta de três da manhã ouvindo (muita) música ruim.


É muito interessante notar uma “inversão” nas minhas preferências de final de ano. Desde o começo da década de 1990, quando descobri que Papai Noel é uma fantasia, sempre vinha preferindo o Ano Novo ao Natal. Só que mais recentemente, comecei a achar a celebração na virada do ano algo um tanto sem sentido: trata-se apenas de uma convenção.

anonovo (2)

Infelizmente, não sei a autoria

Ironicamente, o Natal começou a ter algum significado, mesmo que sem sequer lembrar a infância: em setembro de 2015, quando eu estava morando em Ijuí, minha avó foi internada no hospital em estado bastante delicado; estar com ela em dezembro, mesmo com a saúde debilitada, foi por si só algo digno de comemoração. E agora em 2018 senti algo parecido: no começo de dezembro ela teve uma pneumonia muito forte a ponto de eu achar que ela não chegaria ao final do ano, mas conseguiu se recuperar e passar este Natal conosco.

Já o Ano Novo, não considero totalmente vazio de significado. O fato da maioria esmagadora da humanidade utilizar o mesmo calendário torna “natural” que nesta época sejamos impelidos à reflexão sobre o que passou e a pensar no futuro. Ainda que as promessas dificilmente sejam realizadas – ainda mais quando feitas sob efeito de álcool na noite do dia 31 de dezembro.

O ruim é a “obrigação social” de celebrar, de fingir felicidade. E não estou nem um pouco feliz pela chegada de 2019: significará também o início do governo de Jair Bolsonaro, algo pior que meus piores pesadelos.

Mais de uma vez pensei em passar a virada do ano em casa como se nada de importante estivesse acontecendo, mas era mais pela curiosidade de fazer algo diferente. Desta vez, há uma razão para tal. Não consigo ver nada a celebrar nesta virada de ano.

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