Feliz ano velho

A última vez que estive realmente otimista quanto ao ano novo foi no apagar das luzes de 2012. Aquele foi para mim um ano bacana, que valeu a pena, mas que poderia ter sido melhor. E pensar em 2013 chegava a me empolgar. Via boas perspectivas.

Só que foi em 2013 que a “coisa virou”. O Brasil realmente não foi mais foi o mesmo após aquele junho, que começou à esquerda e terminou à direita. Nunca mais tive uma perspectiva otimista quanto ao futuro. Mesmo no final de 2014, quando estava na expectativa de ir morar em uma outra cidade (Ijuí): era algo estritamente pessoal, mas nunca consigo me dissociar do entorno, e eram claríssimos os sinais de que tempos muito difíceis estavam por vir.

Não à toa, nos últimos tempos deixei de me empolgar com a virada de ano. Passei a achá-la muito artificial e irrealista. E deixei de acreditar que as coisas mudariam como se fosse um passe de mágica apenas por conta de uma mera convenção: para vários povos, hoje não é o último dia do ano.

E agora estamos à véspera de algo que jamais deveria ocorrer: um extremista de direita assumindo a presidência do Brasil. Algo ruim em qualquer lugar, mas pior ainda num país tão desigual como o nosso: a direita clássica já “caga e anda” para políticas sociais, imagina a vertente extremista dela…

Mas será algo merecido para essa galera toda que votou no cara – pena que todo o país tenha de sofrer com isso. Quem acredita em qualquer lixo que chega pelo WhatsApp – inclusive em absurdos como a famosa “mamadeira de piroca” – tem de se ferrar bonito para aprender que não ser rico e votar na direita é uma tremenda burrice, e que não vai adiantar nada fazer “arminha” com as mãos quando der merda – e vai dar, isso é óbvio demais.

O país vai para o abismo, mas pelo menos não terá sido por culpa minha e de muitas pessoas queridas que conheço e quero ver bem. É com estas que estará o meu coração em 2019.

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Por que o Natal me chateia

Já é 26 de dezembro, ou seja, mais um Natal fica no passado, o 37º da minha vida. E mais uma vez, fico feliz que isso aconteça. Não simplesmente por significar que mais um ano se passou.

Me irrito demais com a hipocrisia da data. Uma galera que passa o ano inteiro “puxando o tapete dos outros”, falando mal pelas costas, em dezembro finge ser boazinha e querer o bem de todo mundo. (E neste parágrafo revelo uma “semicontradição”: estou também “falando mal pelas costas”, mas também não cito nomes, pois deixo a carapuça à disposição de quem quiser vestir, prefiro criticar atitudes do que apontar o dedo.)

O pessoal que passa de janeiro a novembro gritando contra o Bolsa Família pois “é dar dinheiro para vagabundo não trabalhar” (como se a pobreza fosse causada por “falta de esforço”), chega dezembro e posa de caridoso, fazendo doação de alimentos e brinquedos.

Tem também gente de esquerda nessa. Compartilham “memes” no Facebook sobre “arruinar a festa de família”, mas chega 25 de dezembro e postam o quê? Foto da “família feliz”.


Por incrível que pareça, nunca quis arruinar festa nenhuma, embora tenha motivos para tal (o mesmo de muita gente que conheço: “parentes bolsominions”).

Ainda que não curta a data, participo da festa, e faço isso pela minha avó, que aos 96 anos dificilmente mudará de ideia – ainda mais se pensarmos de forma realista: cada Natal para ela, com a saúde fragilizada, tem muita chance de ser o último. Minha mãe, meu pai e meu irmão sabem que por mim passaria o 25 de dezembro como se fosse um dia qualquer, por não ser cristão: não preciso de datas em específico para reunir minha família e dizer que gosto dela. (E quando falo em família, me refiro justamente aos três citados, além de minha avó: o resto são “parentes”, uns mais próximos e outros mais distantes.)

Mas não entro na onda do fingimento e do enquadramento aos padrões. A hipocrisia de dezembro não conta com nenhuma contribuição minha.


E não estou com a mínima vontade de celebrar o Ano Novo. Não vejo motivo algum para comemoração, considerando que dia 1º de janeiro passaremos a ser governados por um fascista.

O Grêmio fica

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Era para ser o último… Só era mesmo.

Fui ao jogo do Grêmio contra o Corinthians, domingo na Arena, mais do que dar meu apoio ao Tricolor, que precisava vencer para garantir o 4º lugar no Campeonato Brasileiro e, assim, uma vaga diretamente na fase de grupos da Libertadores de 2019 (se bem que depois de tudo o que aconteceu na atual edição, nem dou muita bola para ela).

Inicialmente, minha ideia era uma despedida. Isso mesmo.

O motivo: corte de gastos. No atual contexto de salários cada vez mais atrasados, torna-se necessário gastar o mínimo possível, para que no início do mês seguinte sobre algum dinheiro na conta caso necessário. Eu tinha duas alternativas de cortes: deixar de pagar a mensalidade do Grêmio, ou entregar o apartamento e voltar a morar com minha mãe.

Se pensar unicamente no aspecto financeiro, chega a ser bobagem pensar em não pagar mais o Grêmio. Afinal, é uma economia que faz muito menos diferença do que aluguel, condomínio, IPTU e outras taxas.

Mas eu notava outras coisas. Para além da mensalidade, também tinha os gastos envolvidos com as partidas: deslocamento, bebidas, alguma coisa para comer etc. Houve jogos nos quais desembolsei uma grana considerável – em especial, aqueles disputados à noite, quando descia do ônibus ou da lotação no final da linha e ainda precisava pegar táxi ou carro de aplicativo para não voltar a pé em horários não recomendáveis para se caminhar pelas ruas.

Ou seja, deixando de ser sócio do Grêmio, eu economizaria bem mais do que a mensalidade, teria um pouco mais de fôlego financeiro, e poderia continuar morando sozinho.


Então, cheguei à Arena. Fiz o que tinha decidido após o fatídico jogo contra o River: não beberia grandes quantidades de cerveja, como fazia até então antes de entrar no estádio (o fato de ter ido sozinho e só encontrado um dos meus amigos dentro da Arena colaborou). Tomei uma cerveja artesanal, vendida na esplanada: o copo custava 12 reais, mesmo preço de uma garrafa de litro no bar onde a turma costuma se concentrar antes dos jogos, mas a um custo-benefício bem mais em conta, dado que tem muito mais qualidade do que as vendidas no bar.

Ao contrário do que vinha acontecendo quando ia “de galera”, entrei bem cedo no estádio, sem correria. Fiquei um bom tempo observando a torcida, pensando no que perderia deixando de ser sócio.

Até que foram anunciadas as escalações, primeiro do Corinthians e depois a do Grêmio. Quando o locutor falou o nome de Renato Portaluppi, que fica por mais um ano no Tricolor, vibramos e aplaudimos muito… Já comecei a pensar se não valeria mais continuar sócio e “dar um jeito” nas contas.

Depois os times entraram, a partida foi iniciada e o Grêmio começou em um ritmo bastante acelerado, certamente uma injeção de ânimo dada pela renovação de Renato. E o gol da vitória veio cedo, marcado justamente por Jael, o centroavante que recém acertou sua permanência por mais dois anos, algo que tanto criti… O quê? Jael? NUNCA CRITIQUEI!

No intervalo, saboreei as pipocas doces que mantém o mesmo sabor desde os tempos do Olímpico – cuja despedida “oficial” ocorrera exatos seis anos antes deste Grêmio x Corinthians, também num domingo, 2 de dezembro de 2012. Lembrei de como era mais fácil chegar ao Velho Casarão, que lá dificilmente eu pensaria em deixar de ser sócio, mesmo que a Arena seja incomparavelmente mais confortável. Mas a verdade é que naquele momento a decisão estava tomada: o próximo boleto vence na quarta-feira e será pago.

Ainda mais depois de chegar em casa e pôr tudo “na ponta do lápis” (traduzindo: no Excel). Tem muita “coisa boba” que posso cortar e assim economizar mais do que pago de mensalidade. Inclusive a cerveja de antes dos jogos: melhor beber menos (e melhor) e economizar mais – o meu fígado agradece.

Em último caso, abro mão de morar sozinho. Antes disso, que do Grêmio.