A fragilidade da vida

Segunda-feira um colega saiu mais cedo do trabalho pois iria a um velório. Era de um conhecido dele, dos tempos de colégio — quando recebeu a informação da morte ainda não se sabia a causa, mas depois foi informado de que tinha sido por cair de uma escada.

O meu colega ficou espantado — como, aliás, também fiquei mesmo sem nem conhecer a pessoa. Afinal, era um cara com idade provavelmente semelhante à minha que falecia por um motivo que é causa de muitos acidentes com idosos (ano passado a minha avó quase morreu assim), mas minimizado por pessoas mais jovens.

Só que quedas podem acontecer com qualquer pessoa em qualquer época da vida, ainda que mais frequentemente com idosos. Este que vos escreve é prova disso: ao atravessar uma rua quando voltava do trabalho uma semana atrás, tropecei na subida da calçada e me estabaquei no chão, esfolando o cotovelo direito. Sim, um acidente “sem nada de mais”, mas justamente porque a batida mais forte foi no cotovelo e não na cabeça — como aconteceu com a minha avó.

Comentei com o meu colega, após saber a causa da morte do conhecido dele, sobre essa questão da fragilidade da vida. Podemos nos julgar “imortais” (mesmo após os 35 anos) por estarmos com saúde e aparentemente com tudo sob controle, mas a incômoda verdade é que a morte sempre está à espreita, e não temos como prever quando — e como — ela nos encontrará. Pode ser por um problema de saúde só descoberto tarde demais, por estarmos no lugar errado na hora errada…

Ou seja, ela pode vir não só por erros, como também pelos imponderáveis da vida. Que incluem algo como fazer uma defesa incrível no último minuto do jogo, que classifica o seu time para jogar uma histórica final de competição continental. Ou também para narrar esta decisão após quase perder a voz na vibração com o lance milagroso.

Por fim, já que deixei o texto para ser publicado um dia após escrevê-lo, não podia deixar de comentar sobre a homenagem à Chapecoense feita pelo Atlético Nacional (e que contou também com a presença de torcedores do arquirrival Independiente Medellín): foi simplesmente a coisa mais linda e grandiosa que já vi no futebol.

Aliás, muito mais que futebol. É para ajudar a recuperar a fé na humanidade, tão em baixa neste ano de 2016.

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