Algumas observações sobre a “micareta direitosa”

Foi menor que dia 15 de março, verdade. Mas ainda é muita gente. Falar em “fracasso” me parece um pouco arriscado.

O que não diminuiu foi a quantidade de pérolas. Chega a dar a impressão de que aumentou. Talvez as idiotices tenham se tornado mais visíveis com a redução no número de participantes, pois quem tem bom senso tende a ficar longe desses protestos.

Na década de 60, já nos primeiros anos da ditadura, o escritor Sérgio Porto (mais conhecido pelo pseudônimo Stanislaw Ponte Preta) publicou uma trilogia chamada “FEBEAPÁ”, sigla para “Festival de Besteiras que Assola o País”. Por meio da sátira, procurava criticar a repressão e os absurdos cometidos pelo regime ditatorial recém-instalado, como mandar prender Sófocles (mesmo tendo este morrido mais de 2 mil anos antes) por conta de “conteúdo subversivo” de uma peça de sua autoria encenada na época. Como bem se percebe, um dos efeitos do autoritarismo e da paranoia é perder totalmente a noção.

Se Sérgio Porto fosse vivo (morreu em 30 de setembro de 1968, menos de três meses antes do AI-5), teria muito conteúdo para escrever mais várias edições do FEBEAPÁ. Pois as idiotices dos protestos… Algumas merecem ser comentadas. Não publicarei as fotos para não dar mais visibilidade a essa gente, mas as frases merecem o esculacho.

  • Somos milhões de Cunhas contra a corrupção, fazendo referência ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Isso é algo do tipo fazer guerra pela paz, trepar pela virgindade, beber pela sobriedade, comer bacon pela magreza etc;
  • Volta Sarney. Lembro de um tempo que a turma reaça pedia sua cabeça não por achá-lo “esquerda”, mas sim porque era aliado do governo Lula;
  • Intervenção militar não é crime. Só não é crime se for por determinação presidencial (e alguém acha que Dilma um dia irá acordar, ligar para os militares e dizer “me derrubem”?);
  • Sonegar é legítima defesa. E se dizem “contra a corrupção”;
  • Por que não mataram todos em 1964? Daquelas que me fazem lamentar saber ler;
  • País sem corrupção é país onde rico manda, pois quem é rico não precisa roubar. Tipo empreiteiros, todos honestíssimos, sem problemas com a Operação Lava-Jato;
  • Je suis interditin militaire. Além de faltar às aulas de História, galera andou matando as do curso de francês;
  • Under communism e off communism, lado a lado. Curso de inglês também é uma boa ideia.

E por fim, teve jornalista se confundindo e chamando os carros de som de “carros alegóricos”. Foi daquelas situações nas quais se acerta errando.

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