Coisas que aprendi nos últimos dias

Quarta-feira passada, fui informado de que tinha morrido de maneira trágica (num acidente de carro) um cantor sertanejo do qual eu nunca tinha ouvido falar, junto com sua namorada. Até não fiquei surpreso, pois não curto música sertaneja – ainda mais em sua vertente atual, o tal de “sertanejo universitário” (pergunta que não canso de fazer: quando esse cara vai se formar?). Muitos ditos “sucessos” desse tipo de som eu só descubro quem são depois que fazem sucesso (leia-se “quando aparecem na mídia e começam a ser falados”).

A minha surpresa mesmo foi ao abrir o Facebook e perceber que a imensa maioria de meus contatos também não conhecia o cantor. Inclusive cheguei a dizer que talvez já tivesse escutado alguma música do cara, visto que aqui em Ijuí é comum jovens se reunirem nas tardes de domingo em alguns pontos com som a todo volume em seus carros (muitas vezes rebaixados). Mas ainda assim não diferencio os nomes, para mim é tudo igual.

Então descobri que, por não fazer ideia de quem era Cristiano Araújo, eu “não conhecia o Brasil”. Ora, que novidade! Será que há alguém que conheça realmente um país de dimensões continentais como o nosso? Saber quem é um cantor sertanejo não transforma ninguém em “conhecedor do Brasil”, mas sim de apenas um aspecto dele.

Se passaram dois dias e o Facebook deixou de ser dominado pelo assunto “Cristiano Araújo”, passando a bola para a legalização do casamento homossexual nos Estados Unidos, este sim um acontecimento histórico. Teve toda uma polêmica sobre colorir as fotos em comemoração ao acontecimento, com reaças subitamente lembrando da fome enquanto gritam contra o Bolsa Família e dizem “vai trabalhar, vagabundo” a mendigos quando estes pedem uma moedinha. Sim, hipocrisia é o que não falta por lá. (Em tempo: não colori a minha foto primeiro porque um parente reaça ter feito o mesmo acabou me desmotivando; mas também achei melhor manter o avatar com o selinho contrário à redução da maioridade penal, uma batalha que ainda precisamos vencer. E além disso, quem me conhece sabe que sempre fui favorável a permitir que todas as pessoas tenham o direito a se casarem, independente de sua orientação sexual.)

Foi embora o final de semana e, de novo, voltou a se falar em Cristiano Araújo. Tudo porque o jornalista Zeca Camargo criticou a excessiva comoção pela morte de um cantor que “ninguém conhecia”, embora não tenha dito tudo talvez por trabalhar na Globo, dona da gravadora dos discos de Araújo (a Som Livre): alguém acha que não rolou “interesse comercial” na intensa cobertura da “plim-plim”? Resultado: Zeca Camargo foi xingado até a enésima geração por fãs do cantor.

Ou seja, pelas opiniões que li no Facebook sobre a crítica de Zeca Camargo (com a qual concordo), descobri que sou um babaca, idiota, imbecil, desgraçado… Ah, e que não conheço o Brasil. Acho que sou burro mesmo – mas informo que não tenho intenções de passar a ser “inteligente”, pois não gosto de música sertaneja e não pretendo passar a ouvir tal tipo de som apenas para agradar.

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