Como diminuir o brilho de uma final

O futebol mineiro está em alta nos últimos dois anos. O Atlético-MG foi campeão da Libertadores de 2013 e acaba de ganhar a Copa do Brasil de 2014; já o Cruzeiro ganhou no último domingo seu segundo Campeonato Brasileiro consecutivo, um feito que poucos clubes conseguiram. Suprema ironia: o melhor futebol do Brasil na atualidade é jogado na mesma cidade em que a Seleção Brasileira afundou meses atrás, ao levar 7 a 1 da Alemanha na semifinal da Copa do Mundo – no mesmo Mineirão que hoje recebeu a decisão da Copa do Brasil.

Mas, se dentro de campo o espetáculo foi de qualidade, fora dele o Mineirão registrou um novo vexame. Era só ligar a televisão e notar as muitas cadeiras vazias. No anel inferior do estádio, a lotação foi máxima atrás dos gols onde os alemães foram sete vezes felizes e mínima na parte central, que aparecia mais na transmissão. E no anel superior, a lotação também não foi máxima.

No início da transmissão no Sportv foi dito que os ingressos para aquele setor “vazio”, de responsabilidade da Minas Arena (administradora do estádio), custavam a bagatela de R$ 1000 (sim, MIL reais). Na verdade, não é tão caro: segundo o Trivela, uma cadeira ali saiu por R$ 700 para os torcedores em geral e R$ 490 para sócios do Cruzeiro, mandante do jogo e ao qual interessava – ou ao menos deveria interessar – um Mineirão lotado para tentar reverter a vantagem de 2 a 0 que o Atlético construiu na primeira partida.

O incrível é que isso é prejudicial até mesmo à ideia de futebol como um “negócio”. Pense: um estádio lotado não valorizaria mais o “produto”? Mesmo que seja pela televisão, é muito mais bacana de assistir.

Mas não. Falou mais alto a ganância de se cobrar valores completamente fora da realidade brasileira só porque era uma final. Proporcionalmente à renda média da população, é (muito) mais barato assistir futebol na Alemanha do que no Brasil: não por acaso, os estádios alemães – mesmo as “arenas” – estão sempre repletos de torcedores.

Traduzindo: mais uma humilhação que a Alemanha nos impõe…

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