“Tudo isso ainda?”, ou: 2014, o ano que se arrasta

Faz bastante tempo faz que acho Natal um saco. Curtia a data quando era criança, ainda mais que meus pais costumavam ser criativos quanto ao “Papai Noel”, e o início de uma tradição natalina em nossa família, o creme de ervilha (sim, sopa em pleno verão!) merece uma crônica à parte. Quando descobri que aquele velho comunista (é óbvio, ele veste vermelho!) não existia, a festa perdeu a graça. Chega o fim do ano, começo a desejar que o tempo passe rápido só para me ver livre de papais noéis, musiquinhas irritantes e votos de “muita saúde e felicidade” (meu aniversário é em outubro, não em dezembro).

Então chegamos a 2014, e pela primeira vez não lamento tanto que o Natal se aproxime. Continuo a achar a data um saco, mas ao menos ela indica que, enfim, este ano está acabando. Tanto que, ao reparar que falta um mês para o Natal (e menos de 40 dias para 2015), solto um “tudo isso ainda?”.

Não sou chegado em “pensamentos mágicos”. Sei que a mudança de ano é algo meramente burocrático: troca-se o calendário na parede e segue-se a vida, sem que esteja “tudo diferente” por conta disso. Vale o mesmo para décadas e mesmo séculos.

Mas, independente do critério para classificar o ano como “bom” ou “ruim” (seja o “cronológico” ou o “histórico”), é fato que, quando ele acaba, tendemos a fazer um “balanço” acerca do que se passou e pensando no que virá. Obviamente não é preciso esperar 31 de dezembro para achar que as coisas vão bem ou mal, mas o fim do ano nos “força” a uma reflexão sobre o período que se encerra.

Ainda nem chegamos em dezembro, mas minha avaliação de 2014 é negativa. Caso o ano acabasse hoje, eu diria que, de forma geral, não me deixa saudades. Pode ser que até 31 de dezembro aconteça algo extraordinariamente bom que possa “reverter” a tendência (motivo pelo qual é sempre melhor fazer o “balanço” apenas quando o ano realmente acaba), mas minha visão por enquanto é de que foi um “ano perdido”. Na comparação com 2013, está levando 7 a 1 (aliás, até agora a Copa foi das poucas coisas que curti em 2014, apesar dos pesares).

“Mas a Dilma ganhou, não gostaste disso?”, alguém perguntará. Obviamente gostei, estamos livres do PSDB por mais quatro anos… Mas, não esqueçamos do que foi a campanha eleitoral – a qual, aliás, ainda não acabou para muita gente. Muitas pessoas me decepcionaram com sua postura de ódio e desrespeito pela opinião alheia, e seguem me decepcionando. Tanto que fiquei sabendo de amizades que no período de campanha não “deram um tempo”: simplesmente chegaram ao fim.

Se 2014 está levando 7 a 1 de 2013, a pergunta que se faz é óbvia: ao que corresponde o “gol de honra”? Simples: 2013 foi para mim um ano sensacional até outubro, já novembro e dezembro foram péssimos. Já em 2014, novembro não está sendo nenhuma maravilha, mas ao menos não é ruim como em 2013; dezembro ainda não começou, e merece o benefício da dúvida (apesar de ser o mês em que se inicia o verão, e ainda por cima tem o Natal).

A propósito, pode parecer bobagem, mas o verão de 2014 ter sido massacrante e o inverno ter sido o mais ridículo do qual me recordo também colaboraram para eu desgostar deste ano. Já 2013 teve inverno de verdade e um verão “com rosto humano”, o que pesou a favor apesar do ano ter acabado mal – aliás, justamente quando fez mais calor: coincidência?

Anúncios