Para saciar a fome do Chaves

Pobre México, tan lejos de Dios y tan cerca de los Estados Unidos. A frase, dita por Porfirio Díaz (ditador deposto pela Revolução Mexicana em 1911), sintetiza boa parte da história do México no Século XIX: considerável porção do território do país acabou nas mãos dos Estados Unidos, mediante guerras ou compras de terras. Não é por acaso que várias cidades estadunidenses têm nomes “espanhóis” (San Francisco, Los Angeles, San Diego, Las Vegas etc.): a Califórnia, por exemplo, pertenceu ao México até 1850.

Jugamos como nunca, perdimos como siempre. Tal frase é de Alfredo Di Stéfano (craque argentino naturalizado espanhol), mas é sempre lembrada pelos mexicanos a cada fracasso de sua seleção em Copas do Mundo. Afinal, o México sempre é um adversário difícil de ser batido (como a Seleção Brasileira bem sabe, no último Mundial ficou no 0 a 0 em uma jornada memorável do goleiro mexicano Ochoa), mas desde 1994 vem sendo eliminado nas oitavas-de-final. Aliás, vale lembrar a forma dramática como se deu a derrota de 2014: vencia a Holanda no Castelão por 1 a 0 até os 42 do segundo tempo, quando Sneijder empatou com um chutaço; nos acréscimos, Huntelaar virou o jogo com um gol de pênalti (incorretamente marcado, ao meu ver). E como se não bastasse, essa foi a terceira vez em que o México abriu o placar nas oitavas: já tinha saído na frente da Alemanha em 1998 e da Argentina em 2006.

Mas, se tem algo em que o México não perde de jeito nenhum, trata-se do seriado “Chaves”, cuja exibição no Brasil completou 30 anos no último dia 24 de agosto. O personagem principal é um tanto representativo da realidade mexicana e latino-americana como um todo: um menino pobre e esfomeado que não tem família (como o próprio Chaves diz sobre seus pais, “ainda não fomos apresentados”) e que depende muito da solidariedade alheia; talvez por isso tenhamos tanta identificação com o seriado a ponto dele ser tão adorado mesmo que os episódios se repitam desde 1984.

Se o México “joga como nunca e perde como sempre”, comigo na cozinha acontece o contrário. Ainda mais quando foi a minha vez de ir fazer a comida mexicana, mais um dos pratos da “Copa da Culinária”, nos almoços de sábado na casa da minha avó. Eu decidi o prato na madrugada de sábado: achei uma receita de Feijão Mexicano que tinha todo jeito de ser deliciosa. Porém, para poder fazê-la esqueci um detalhe: deixar o feijão de molho… Resultado: tive de trocar. Fui novamente à pesquisa na manhã de sábado, achei um prato chamado Frango à Mexicana, resolvi fazer, e ficou bom! Me atrapalhei como nunca, deu certo como sempre… Igual aos episódios do Chapolim, em que tudo acaba bem mesmo depois de incontáveis e hilárias trapalhadas.

Ingredientes:

  • 100ml de vinho branco;
  • 100g de amêndoas;
  • 2 dúzias de azeitonas;
  • 200g de tomates;
  • 250g de azeite;
  • 1 dente de alho;
  • Pimenta de Caiena;
  • Farinha de trigo;
  • 1 folha de louro;
  • 1 cebola;
  • 1 frango.

Modo de preparo:

Cortar o frango e condimentá-lo, passando-o pela farinha; fritar no azeite com a cebola em rodela e o alho esmagado; juntar o vinho branco, deixando cozinhar durante cerca de 30 minutos, condimentando-o com o louro e a pimenta de Caiena; pouco antes de servir, juntar as amêndoas cortadas em fatias finas, as azeitonas e os tomates.


Como em outras receitas que fiz, nem tudo correu conforme o script. Mas dessa vez, foi bem pouca coisa mesmo: a diferença principal foi a pimenta. Não achei a pimenta de Caiena, então optei pela vermelha; mas sem exagerar, devido às lembranças do “calorão” que foi a comida chilena.

O resultado, está abaixo. É ou não de saciar a fome do Chaves?

frango mexicano


Fazia mais de um mês que eu não postava nenhuma receita, mas não é por eu não ter feito mais nenhum prato. Nesse meio tempo eu fiz a comida italiana e não escrevi ainda… Em breve, publico aqui.

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