A matemática que pode resultar em um novo Maracanazo

Corria o ano de 2006, quando o Brasil se preparava para a Copa do Mundo da Alemanha, na qual era apontado como franco favorito. Porém, não passou das quartas-de-final, derrotado por uma França regida por Zidane em dia inspirado (se em condições normais ele já jogava demais…).

Não era apenas o timaço (no papel) que conspirava a favor do Brasil naquela Copa. A matemática também dava a sexta estrela à Seleção. Nos últimos Mundiais vinha acontecendo uma incrível coincidência. Para “prever” o campeão, bastrava fazer uma continha simples: “3964 – ano da copa”.

Tal número (3964) é o dobro de 1982, ano em que a Itália começou muito mal a Copa, mas depois eliminou o Brasil (que vinha muito bem) e acabou campeã.

Em 1986 deu Argentina, que também tinha conquistado a taça em 1978. Fazendo a soma de 1978 com 1986, temos como resultado os “mágicos” 3964.

Quatro anos depois, foi a vez da Alemanha levar a Copa. Diminuindo 1990 de 3964 temos como resultado 1974, ano em que também deu Alemanha.

Na Copa dos Estados Unidos, o Brasil voltou a ser campeão após 24 anos – a última vez fora em 1970. Somando 1970 e 1994 dá (é claro!) 3964.

Então chegamos à Copa de 1998, quando aparentemente a “magia” foi quebrada. Afinal, para a superstição continuar dando certo a campeã teria de ser a Inglaterra (pois 3964 – 1998 = 1966), e quem levou a taça foi a França. Mas, reparemos nas coincidências entre ambas as Copas (1966 e 1998): o título ficou com os anfitriões, uma seleção estreante ficou em 3º lugar (Portugal em 1966, Croácia em 1998) e teve o artilheiro do Mundial (Eusébio em 1966, Suker em 1998). Resumindo: a matemática continuava infalível.

Assim, era óbvio que ia dar Brasil em 2002, já que diminuindo 2002 de 3964 temos como resultado 1962. E o mesmo aconteceria em 2006, pois a taça ficaria com o mesmo vencedor de 1958… Porém, como bem lembramos, deu Itália.

Aquilo não era apenas o fim da superstição. Também parecia o fim do sonho uruguaio em conquistar a Copa de 2014. Reparem: se em 2006 o campeão seria o mesmo de 1958 (Brasil), em 2010 seria a vez da Alemanha repetir 1954, e em 2014 estaria garantido mais um Maracanazo devido à “repetição” de 1950. Àquela altura, com a Celeste mal na foto (perdera a vaga na Copa de 2006 para a Austrália na repescagem), só a matemática para dar algum alento.

Pois bem: passaram-se oito anos. O Uruguai pode não ter um supertime, mas recuperou sua auto-estima nos últimos anos. Chegou desacreditado à Copa de 2010 após se classificar com as calças na mão na repescagem contra a Costa Rica, e acabou em 4º lugar. Um ano depois, conquistou a Copa América na Argentina (com direito a eliminar a dona da casa nas quartas-de-final). Não foi muito bem nas eliminatórias para 2014 e precisou disputar novamente a repescagem (desta vez contra a Jordânia) para chegar ao Mundial, mas a mística é um importante trunfo.

E a matemática, amigos… Não pensem que ela não pode estar conspirando a favor do Uruguai. Reparem nas coincidências que notei:

  • Em 1958 e 2006, a seleção campeã venceu a dona da casa (Brasil 5 x 2 Suécia em 1958, Itália 2 x 0 Alemanha em 2006). É verdade que em 1958 foi na final e em 2006 na semifinal, mas também é interessante lembrar que, respectivamente, Suécia e Alemanha jamais venceram Brasil e Itália em Copas.
  • Em 1954 e 2010, a 4ª posição ficou com a mesma seleção: justamente o Uruguai.

Resumindo: enquanto a Celeste estiver no Brasil, um fantasma assombrará o Mundial: el Fantasma del 50.

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