O Imposto de Renda

Começa a época da declaração do Imposto de Renda, e com ela o “mimimi” contra a “fúria arrecadatória”. “ESSE LULLA E ESSA DILMA SÓ NOS COBRAM IMPOSTOS, CHEGA DE TANTO IMPOSTO!!!111!!!”, brada revoltado o “cidadão de bem”.

Porém, sinto muito informá-lo de que o Imposto de Renda começou a ser cobrado no Brasil em 1922, quando Lula e Dilma sequer estavam nos planos de suas respectivas famílias (o pai de Dilma, para se ter uma ideia, ainda morava na Bulgária). Naquele ano, em que se celebrava o centenário da Independência, houve também troca de governo: no dia 15 de novembro, Epitácio Pessoa foi sucedido por Artur Bernardes na presidência. Se o “cidadão de bem” quiser reclamar deles, vá em frente, mas é uma boa ideia descobrir uma maneira de se comunicar com os mortos para que eles possam ouvir as queixas: Epitácio Pessoa faleceu a 13 de fevereiro de 1942, e Artur Bernardes não está mais entre nós desde 23 de março de 1955.

“MAS A ALÍQUOTA ATUAL É COISA DESSES PETRALHAS!!!11!”, continua reclamando o “cidadão de bem”. Em primeiro lugar, é uma boa ideia conhecer as regras quanto à obrigatoriedade da declaração: como não vale a pena copiar todas para cá, nada melhor do que ir direto à Receita Federal. Lembrem também que sempre podemos incluir na declaração despesas com saúde, educação etc., o que muitas vezes resulta na restituição de valores retidos na fonte – ou seja, descontados quando recebemos nosso contracheque.

Além disso, reparemos próprio nome do imposto: “de renda”. Logo, é cobrado sobre a renda, sobre o que ganhamos. Quanto mais dinheiro recebemos, mais pagamos – portanto, é um dos impostos mais justos que existem. Para ficar livre dele, só existem duas possibilidades.

A primeira, é ter recebido no ano passado menos do que a quantia que torna obrigatória a declaração. Ou seja, uma boa dica para quem quer se ver livre da declaração é ganhar mal. Que tal?

Outra possibilidade é simplesmente não pagar, ou seja, sonegar o imposto. Mas é bom lembrar que sonegação fiscal é crime, e que se os tais “justiceiros” atualmente na moda decidirem ser coerentes, lincharão qualquer criminoso sem levarem em conta a cor da pele ou o extrato bancário.

Anúncios

6 comentários sobre “O Imposto de Renda

  1. Em tempo: isso não quer dizer que devemos simplesmente pagar os impostos e não questionar a falta de retorno à sociedade. Precisamos exigir que o dinheiro retorne em forma de investimentos públicos que beneficiem a todos, ao invés de querer extinguir os impostos.

  2. Os que bradam contra impostos geralmente são os mesmos que criticam o governo por mais educação, saúde e segurança. Como podem querer pagar menos e receber mais serviços públicos? Essa conta não fecha! Se estes serviços não são satisfatórios, que se exijam melhorias, é uma reivindicação legítima. Mas não é pagando menos impostos que vai melhorar. A mídia tem disseminado a ideia de que pagar impostos é ruim, isto é perigoso.

  3. Não seria mais justo a tabela do IR ser reajustada anualmente no mesmo índice da inflação?

  4. Os nossos “cidadãos de bem”, que, hoje, em São Paulo e outras capitais, muitos deles estão reeditando a malfada “marcha da família com deus e pela liberdade”, conclamando os militares a perpetrarem uma “intervenção militar constitucional” (sic), deveriam saber que, por aqui, os impostos são regressivos, ou seja, quem ganha mais paga menos, e os recursos do imposto de renda (a mais justa tributação brasileira) não são muito significativos em nossa carga tributária. Leiam matéria excelente na revista Carta Capital http://www.cartacapital.com.br/revista/786.
    Saudações democráticas,
    Eduardo Magrone

Os comentários estão desativados.