O “tempo bom” é relativo

Não existe discurso neutro. Não importa o idioma: tudo o que alguém ou alguma instituição diz reflete sua maneira de ver o mundo, sua ideologia.

Até mesmo uma previsão do tempo. É senso comum considerar um dia ensolarado como de “tempo bom”, pois costumamos valorizar atividades de lazer ao ar livre. Quem está na praia, por exemplo, quer muito sol e nada de chuva. Mas, no campo ou numa cidade que sofre racionamento de água durante estiagens (caso de Bagé), “tempo bom” é algo muito relativo, e muitas vezes corresponde justamente à chuva, não ao sol.

E nem é preciso viver no campo ou numa cidade onde falta água em épocas de seca para relativizar o “tempo bom”. Em Porto Alegre, por exemplo: após tantos dias de calor sufocante, nada melhor do que esta sexta-feira cinzenta e de temperatura amena. Para este que vos escreve, muito sol e 40°C é o pior dos tempos, então “tempo bom” é justamente o que se teve hoje.

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