O estuprador não é um monstro

“Como assim não? É UM MONSTRO SIM E MERECE APANHAR ATÉ MORRER!!!!111”, escreve, ensandecido, o comentarista de portal.

Mas, de fato, não é. Assim como nenhum criminoso, por mais cruel que seja, também não é monstro. Da mesma forma que Adolf Hitler não foi. Temos algo em comum com os citados: somos humanos.

Dizer que estupradores e outros criminosos são “monstros” é uma fuga da responsabilidade de refletirmos sobre nossa culpa pela existência de pessoas assim. Afinal, não esqueçamos que nem todo criminoso é um psicopata – ou seja, alguém acometido de um transtorno de personalidade.

Logo, também cabe a nós, homens, denunciar e combater a violência de gênero. Não podemos achar que isso “é problema delas” ou dizer que homens violentos são “monstros”: da mesma forma que nós, eles são… Homens. Ou seja: enquanto gênero, todos somos responsáveis por isso. Todos somos parte do problema.

É exatamente isso que nos lembra o poeta canadense Jeremy Loveday no vídeo abaixo. Assistam:

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34 comentários sobre “O estuprador não é um monstro

  1. “Dizer que estupradores e outros criminosos são “monstros” é uma fuga da responsabilidade de refletirmos sobre nossa culpa pela existência de pessoas assim.” Que comentário ridículo….
    Vamos ver se você continua com essa opinião depois de tua mãe ou tua irmã ser estuprada….

    • Ridículo é usar esse tipo de “argumento”… Afinal, quem passa por uma situação dessas fica com raiva, por motivos óbvios. E com raiva, chamamos qualquer pessoa de “monstro”.

      Porém, debate sério só é possível tendo a cabeça fria.

      • Muito pelo contrário. Alguém com “cabeça fria” não conhece verdadeiramente uma situação. O senhor acha que apenas a racionalidade deve guiar decisões? Isso era justamente a idéia do positivismo cientificista.

        Por exemplo, você acha que deve ser punido um homem que mata outro? Sim, né? E você acha que deve ser punido um homem que mata o estuprador de sua filha? Ainda que diga sim, acho razoável presumir que a pena não será a mesma…

        A ação foi a mesma. O sentimento ligado a ela mudou totalmente. Existem pessoas podres e irrecuperáveis. Existem ladrões que roubam para ter o que comer. Existem ladrões que matam idosas para sustentar o vício em crack. Existem monstros.

    • Acredito que o que o autor do texto quis dizer (e só acredito, não o conheço) é que, assim como todos somos produtos da sociedade em que vivemos, o estuprador é um produto da cultura patriarcalista que vivenciamos todos os dias. São as pequenas coisas, como ensinar a meninos que o dever de executar as “tarefas de casa” (lavar louça, cozinhar, lavar roupa, limpar a casa, etc) é exclusivamente feminino, ou que menino não chora porque “isso é coisa de mulherzinha” que geram no menino, ainda criança, o pensamento (mesmo inconsciente) de que seu sexo é superior. Ou então ensinando que existem mulheres “pra comer e para casar”. Depois, é claro, vem toda uma sociedade culpando a mulher estuprada porque “ela provocou/ ela estava bêbada/ ela estava usando roupas curtas/ ela dava pra todo mundo mesmo”. O estuprador sozinho não é o único culpado pelo estupro, existe toda uma cultura da sociedade que cria as condições para o estuprador se sentir à vontade para estuprar (porque pensa que a mulher, como ser inferior, não tem o direito de lhe negar nada), mesmo que, nominalmente, condenando o estupro em si.

        • Pelo o amor de Deus! Em que século estamos? Vivenciamos todos os dias e o dia todo, nos telejornais e nas redes sociais, todo o repúdio às pessoas que cometem estes crimes. Onde estão os estímulos que vocês tanto estão falando aqui? Então quer dizer que se eu for pra rua agora nesse momento e estuprar uma menina, eu posso voltar aqui e dizer pra vocês que eu preciso da ajuda de vocês? Nunca vi tamanha lógica irracional a cerca de um tema. Desculpem mas, este texto está para a resolução da causa do problema assim como o cão está para o pneu do carro fazendo barulho!

    • O texto refere-se justamente a isso: ao fato de que PODE ACONTECER COM QUALQUER UM(A). Porque não temos como separar esses “mosntros” da sociedade em que vivemos. Qquer um, em qquer momento pode ser o “monstro” ou a vítima. O alerta é esse. Mas isso precisa de cabeça fria e consciência para entender.

  2. Sim, existem. Sociopatas e Psicopatas são pessoas que já nascem com defeito de fabricação. Uma pessoa pode ter uma família perfeita, viver em uma comunidade perfeita, ter uma educação perfeita e ainda assim se tornar um sociopata.

    • Mas por acaso eu não falei sobre isso no texto??? E ainda assim, não são monstros: são seres humanos com um distúrbio de personalidade. Monstro é o Godzilla, que só existe na ficção.

      • Então é apenas uma questão de conceito, de nomes, para você o nome “monstro” só pode ser dado a criaturas da ficção, no entanto, para mim um sociopata é um monstro.
        De acordo com a definição de “monstro” do dicionário priberam o sociopata se enquadra em 1 e 5 .
        Para você “monstro” só deveria conter as definições 2 e 3:
        1. Produção animal ou vegetal contrária à ordem regular da natureza.
        2. Ser monstruoso das lendas.
        3. Animal de tamanho extraordinário.
        4. [Figurado] Pessoa muito feia.
        5. Pessoa perversa, desnaturada.
        6. Prodígio, portento, assombro (a boa parte).
        7. [Portugal] .Objeto doméstico (colchão, .eletrodoméstico, móvel, etc.), geralmente pesado ou de grandes dimensões, cuja remoção da via pública implica meios diferentes dos da habitual recolha de lixo. = MONO
        adjetivo
        8. Monstruoso; colossal.
        9. Muito grande (em quantidade)ssoa perversa, desnaturada.

        • Chamam-nas de “monstros”, é uma GÍRIA. Da mesma forma que usa-se para coisas muito grandes, como mostra o item número 9. Mas os criminosos são todos seres humanos, sim. E pelo visto, reconhecer que eles são humanos incomoda muita gente…

      • Psicopatia não é distúrbio de personalidade, é um modo de funcionamento. Favor se inteirar mais no assunto antes de utilizar como argumento.

        • “Desordem de personalidade”, “transtorno de personalidade”… Os dois primeiros links indicados pela busca por “psicopatia” indicaram isso. De onde tiraste o tal “modo de funcionamento”?

  3. Não vi coesão nas ideias. Gostaria que o autor explanasse melhor como somos culpados por pessoas assim existirem. Gostaria de saber como sou responsável pelos estupros coletivos que acontecem na Índia, ou como eu, homem, que cresci com duas irmãs e uma mãe, que aprendi a nunca fazer nem ‘fiu-fiu’ na rua, posso ser responsável pela cultura do estupro? Como eu corroboro com ela? Pergunto sinceramente.

  4. Cara, sinceramente, entendi o que tu quis dizer, mas acho que tu não disse direito.

    Sem desenvolver ideias como “somos todos parte do problema” – com o que concordo (objetificação da mulher, etc.) – e “nem todo criminoso é um psicopata” – com o que discordo para esse caso específico (estupradores têm transtorno de personalidade, sim! E um muito grave!) –, acabou parecendo que tu só queria comprar briga com o mundo. Não me parece ser o caso, e eu costumo louvar tentativas de se pensar fora da caixa, mas há caixas e caixas. No que diz respeito ao estupro, e principalmente à maneira com que nós lidamos com ele enquanto sociedade, vivemos tempos que pedem mais condenação, não menos.

    Linchamento em praça pública? Certamente não. Mas urge o reconhecimento efetivo do estupro como crime hediondo, bem como a punição adequada àqueles que, se não são monstros, não estão psicologicamente aptos a conviver com outras pessoas.

    Fica então a minha crítica à tese de que “texto na internet tem que ser curto” (argumentos precisam de espaço) e também ao título, apelativo demais. Não, não acho que isso faça de ti um monstro.

    • Reconheço que poderia ter desenvolvido mais, fato. Na verdade, dá para discorrer um monte sobre esse assunto… :)

      E concordo plenamente que estupro tem de ser reconhecido como crime hediondo. Como disseste, vivemos tempos que pedem mais condenação ao estupro, e não menos. Mas não acho que lembrar que o estuprador é humano signifique “relativizar” o crime por ele cometido: ao contrário, é muito fácil acusar quem comete atos cruéis de ser “monstro”; como bem disse a Laís em comentário mais acima, o estuprador é um produto da cultura patriarcalista, pela qual ainda somos muito influenciados. Chamá-lo de “monstro” significa “esquecer” esse importantíssimo detalhe.

      • Na verdade, o estupro é, sim, crime hediondo (artigo 1º, inciso V, da Lei nº 8.072/1990). Quanto à punção adequada, ainda não se tem, realmente, vislumbre de alguma: o único modelo que tem surtido efeito é o modelo ‘apaqueano’, onde a sociedade (a sociedade, não o Estado!) toma para si a responsabilidade de educar e reinserir o preso em seu meio outra vez. Então, neste caso, o problema seria criado na sociedade (e com os seus sexismos às vezes nem tão sutis assim) e precisaria ser ‘curado’ pela própria sociedade, que anda bastante preocupada em marginalizar, ainda mais, ditos ‘monstros’. A lástima é que nem sempre a sociedade tem interesse na ‘recuperação’ dos ‘monstros’ que ela mesmo cria.

  5. Importante é que a mulheres não se sintam incapazes diante de um estuprador que geralmente é alguém covarde, com problemas de relacionamento. Afinal, se não os tivesse, chegaria numa mulher de forma natural. Basta o fator surpresa, ou seja, a reação da vítima, para o estuprador cair fora. Já sofri tentativa de estupro e o cara estava com uma faca. Dei um pontapé no escroto e ele ficou um minuto parado e depois caiu fora tão rápido que nem consegui localizar para chamar a polícia. Claro que depois bate o medo mas na hora era tudo ou nada. Normalmente estupradores não suportam escândalo. Qq homem que tente algo em público (ônibus, por exemplo) se retrai se abrirmos a boca. Fazer BO, pedir ajuda tb serve. Muitas sofrem caladas e isso é o que alimenta eles e os encoraja. O estuprador, assim como o assediador, são ambos psicopatas… e contam com a nossa covardia. Atualmente sofro um processo de assédio (perseguição) de alguém muito covarde. Sendo assim, ele pensa que eu tb o sou. Engana-se, e aí está o pulo do gato. MUlheres, sozinhas, frágeis… o fator surpresa é a nossa arma. Abrir a boca é fundamental. Esconder a sujeira debaixo do tapete faz com que a cultura do medo invada as nossas vidas pra sempre.

  6. Pingback: Da inexistência de monstros (ou: a mania humana de dividir o mundo entre “bons” e “maus”) | Cão Uivador

  7. concordo com o texto e com o comentário da Laís… aliás ambos muito bons…
    se alguém tem dúvida do quanto somos responsáveis por estupro, reflitam sobre a educação recebida de mães e pais machistas… sim, infelizmente mães perpetuam o machismo e a objetivação da mulher… (iria debater mais sobre o assunto mas o post ficaria muito longo :) )
    estudos comprovaram que 80% dos estupradores foram vítimas de abuso… enquanto o abuso sofrido por meninos for silenciado (ainda mais que o feminino), e a vítima não receber acompanhamento correto e necessário, continuaremos assistindo o eterno círculo vicioso da tentativa de ter o ‘poder’ sobre novas vítimas…

  8. Se fosse uma questão apenas de psicopatia, ou sociopatia (o mais próximo que , segundo acredito, podemos chegar dos proverbiais “monstros”), a frequência dos casos não estaria aumentando, como está, pois a probabilidade de “genes defeituosos”, teoricamente, deveria se manter estável, na falta de algum fator biológico interveniente de importância.

    Há, sim, um fator cultural determinante, como diz o texto, embora eu não ache que este seja só o patriarcalismo atávico da nossa sociedade, mas também o individualismo excessivo, a “coisificação” do outro (causada, entre outros, por um consumismo desenfreado) e, principalmente, por um fator que – até sem querer – tem se manifestado em alguns comentários aqui: uma cultura da violência, que pervade o tecido social, e que faz com que muitos estejam convencidos que a coerção física é um meio legítimo de se alcançar objetivos pessoais, sejam quais forem eles (benéficos ou não).

  9. Max, Pedro, e muitos outros postaram comentários RIDÍCULOS sobre o texto. Quero tranquilizar o autor e quem postou o texto, que não faltaram grandes explicações ou uma maior clareza para meu ententendimento. Para algumas pessoas isso já é mais óbvio que o normal! Os comentários dos ignorantes acima, incluso a máxima do Olavo: ”Gostaria que o autor explanasse melhor como somos culpados por pessoas assim existirem. Gostaria de saber como sou responsável pelos estupros coletivos que acontecem na Índia, ou como eu, homem, que cresci com duas irmãs e uma mãe, que aprendi a nunca fazer nem ‘fiu-fiu’ na rua.
    Isso é o cúmulo da idiocracia em que vivemos, O ESTUPRADOR MEU CARO, é tão parte do produto dessa sociedade em que vivemos, como você é parte, e responsável pela política, e mudança do seu país! Nós damos, a pessoas como vocês, o mesmo PANFLETO que entregamos em escolas de ensino médio: ”POLÍTICA O QUE EU TENHO A VER COM ISSO?”. O estuprador, é produto de uma sociedade injusta, corrupta e com falta de educação. Se é ou não é monstro não importa, se ambos concordamos que é GRAVE, e que somos também responsáveis por eles.

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