Uma resolução para 2014

Dizem que há três coisas que devemos fazer em nossas vidas: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.

Discordo. É bom plantar árvores, mas ainda mais fundamental é proteger as que já estão aqui nos proporcionando sombra – as novas levarão um tempão até fazer isso. Quanto a filhos, o que mais se vê é gente simplesmente pondo criança no mundo apenas porque “é coisa que devemos fazer”, esquecendo que é preciso cuidá-la, educá-la etc. (Se alguém diz não pretender ser pai/mãe sempre ouve como respostas coisas do tipo “um dia mudarás de ideia” ou “é fundamental para o amadurecimento” – sinceramente, só sendo muito imaturo para achar que um filho trará, “magicamente”, a maturidade.)

Resta a terceira coisa que “todos devemos fazer em nossas vidas”: escrever um livro.

Todos mesmo? Quem escreve mal, por exemplo, não deveria se dedicar a fazer outra coisa?

Errado. Pois quem acha que escreve mal e não se esforça para melhorar, passará a vida inteira realmente escrevendo mal. Sem contar que também é fundamental ler bastante: nunca se cria nada inteiramente novo; nossas leituras sempre influenciam, mesmo sem percebermos, o que escrevemos. Obviamente nem todos que tentam conseguem, visto que nem todo esforço é recompensado, mas também é verdade que sem esforço não há recompensa.

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Pois bem: toda a enrolação acima foi para anunciar minha resolução única para 2014: pelo menos iniciar um livro. Pois já ouvi mais de uma pessoa dizer que escrevo bem (desconsiderando mãe e pai, é óbvio), que já deveria ter publicado algum trabalho etc. Ainda precisarei comer muito feijão para ser uma referência, daqueles que lançam qualquer coisa e levam uma multidão às livrarias, mas se ficar esperando “o texto perfeito” ele jamais virá.

Inclusive, para citar uma referência, lembro de Luis Fernando Verissimo, que em uma de suas geniais crônicas falou justamente sobre resoluções de ano novo e por que não as faz. Em geral, são promessas que fazemos na noite de 31 de dezembro, sob efeito de álcool; na manhã seguinte, o porre passa e esquecemos o que foi dito, o que obviamente resulta no descumprimento das resoluções para o ano recém iniciado.

Por isso, faço apenas uma resolução. Em 7 de dezembro, ou seja, ainda longe da bebedeira do dia 31. Sendo apenas uma, e feita em estado de sobriedade, fica mais fácil cumpri-la.

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4 comentários sobre “Uma resolução para 2014

  1. Hahaha, em relação a filhos existe a PIOR de todas, direcionada às mulheres: “filhos dão sentido à vida da mulher”. Tipo, quer dizer que minha vida não tem sentido então?? Ou quem não pode ter filhos por questões biológicas, faz o quê? Se enforca na árvore que plantou?
    Sobre as resoluções eu só fiz uma vez, assim de colocar no papel. Se não me falha a memória eram umas sete e só cumpri uma. Ou seja, fiquei desmoralizada diante de mim mesma e nunca mais fiz :P
    Acho que o que funciona melhor é pensar em “projetos”, coisa que dá um ânimo mas que ao mesmo tempo não te deixa naquela obrigação de TER que fazer no ano em questão…

    • Também acho melhor pensar em projetos do que em realizações… Tanto que minha resolução é justamente um projeto: iniciar um livro, sem necessariamente publicá-lo. Pois a publicação não é algo simples, enquanto para começar basta… Começar. :)

  2. Pingback: Resolução cumprida | Cão Uivador

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