O dia em que não queríamos ir embora

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Domingo, 2 de dezembro de 2012. Dia de muito sol em Porto Alegre, mas principalmente, de futebol. Mais especificamente, a última rodada do Campeonato Brasileiro, com Gre-Nal no Estádio Olímpico Monumental. O último.

É verdade que o Grêmio voltaria a jogar no Olímpico em algumas partidas pelo Gauchão de 2013, mas aquele Gre-Nal foi o marco. Pois até ali, o Monumental era a única casa gremista, a Arena ainda não estava pronta (e, ironicamente, seria por conta do gramado do novo estádio também não estar “pronto” que o Grêmio ainda jogaria algumas vezes mais no antigo). A semana antes daquele jogo foi de emoções à flor da pele. Faltando três dias, uma produtora disponibilizou um vídeo em homenagem ao Olímpico que foi muitíssimo bem definido por meu amigo Hélio Paz: “de fazer chorar até mesmo o pior criminoso sueco de todos os tempos”.

Cheguei ao estádio mais cedo do que o normal, justamente porque era a despedida. Não seria a última vez que iria ao Olímpico (afinal, fui a dois dos jogos pelo estadual no Olímpico em 2013), mas foi a última vez que se viu o Monumental lotado. As filas eram quilométricas. Após um bom tempo debaixo de um solaço, só o fato de entrar no estádio já era suficiente para fazer brotar as primeiras lágrimas da tarde: afinal, era a última vez.

A partida não valia apenas sentimentalmente. Vencendo, o Grêmio garantiria o vice-campeonato e entraria direto na fase de grupos da Libertadores. Porém, o Tricolor esbarrou no próprio nervosismo, e o jogo acabou em 0 a 0. Quando foi dado o apito final, lembro de estar irado com o árbitro por este não ter dado os acréscimos que julgava necessários após confusão (onde já se viu Gre-Nal sem confusão?).

Porém, se passaram alguns minutos, e não se via aquele tradicional movimento da massa gremista em direção aos portões de saída. Quando funcionários do Grêmio começaram a retirar as redes das goleiras, a ficha caiu: era o fim. O jogo tinha acabado, a bola não rolaria novamente. E o telão do Olímpico passou novamente aquele vídeo: se até o pior criminoso sueco choraria copiosamente, o que dizer de uma multidão que naquele momento se despedia do que era praticamente sua segunda casa?

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O Olímpico só começou a realmente esvaziar cerca de uma hora após o apito final, que foi quando também deixei o estádio. Mas a verdade é que ninguém gostaria de ter ido embora naquele dia.

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