Lulu e Tubby: duas faces da mesma moeda

Semana passada, quando falei sobre o aplicativo Lulu previ que logo surgiria um “oposto”, ou seja, no qual as mulheres seriam avaliadas pelos homens. Dito e feito: agora criaram o tal de Tubby, previsto para estar disponível a partir de quarta-feira.

“Igualdade”? Conte outra, por favor. Ambos os aplicativos são duas faces da mesma moeda: o machismo.

O Lulu não tem nada de feminista. Ao contrário, apenas reforça aquela ideia de que a mulher busca um “príncipe encantado” e com grana (aquela velha história do “homem provedor”). Prova disso é que o avaliado ganha pontos se pagar a conta, chamar um táxi para ela ou levá-la para casa (afinal, não dizem que ter carro ajuda a “pegar várias”?). Agora, se ousar propor a divisão da conta… Perde pontos. E muitos.

Como disse, ambos os aplicativos são duas faces do machismo. Porém, como bem sabemos, as faces de uma moeda não são iguais. Ou seja, o Tubby não é o “equivalente masculino” do Lulu: é muito pior.

Antes mesmo de começar a funcionar, os criadores do aplicativo decidiram permitir às mulheres que não querem ser avaliadas a remoção de seus perfis no site do Tubby. Parece uma magnânima atitude, mas acaba por revelar o quão perverso é o app: quando a usuária consegue se descadastrar, aparece uma tela de “despedida” dizendo que ela “arregou”. Só uma prévia do que devem ser as hashtags: realmente ofensivas, ao contrário daquelas bem bobas do Lulu.

Em uma sociedade machista a mulher sempre está em desvantagem, independente de seu comportamento. E o Tubby simboliza bem essa lógica: se ela pede para sair, será chamada de “arregona que certamente tem muito a esconder”; se não exclui o perfil do aplicativo, terá a vida sexual exposta e ainda correrá o risco de ser vítima de mentiras inventadas por algum ex-namorado vingativo, de forma semelhante ao sucedido com jovens que cometeram suicídio após divulgação de vídeos íntimos na internet.

Ou seja, estamos diante de algo ainda mais perigoso. E não basta apenas recomendar às mulheres que se descadastrem do aplicativo: é preciso que nós, homens, não o utilizemos e recomendemos a nossos amigos que também não o usem.

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2 comentários sobre “Lulu e Tubby: duas faces da mesma moeda

  1. Realmente chegamos em uma época onde pessoas são manipuladas por outras sem a necessidade de possuir qualquer relacionamento prévio ou histórico social que dê condições para tal invasão das privacidades. Os contatos virtuais, que no início eram somente para unir as pessoas em um menor tempo possível, se transformaram em um bulling virtual que destrói valores pessoais. Perdemos nossa identidade. Agimos de acordo com regras criadas por quem tem tempo de sobra pra explorar as fragilidades humanas de uma maneira descarada, sempre apelando para uma liberdade sexual maior que se transforma em devassidão. A liberdade sexual se caracteriza pela escolha entre fazer ou não determinada prática. O que tenho observado é a obrigatoriedade imposta pela mídia e pelo consumismo que o Homem precisa ser um garanhão e a Mulher uma devoradora de homens para ter o seu lugar assegurado na sociedade.
    Precisamos dar um basta e recuperar nossa individualidade e a verdadeira liberdade. Precisamos valorizar nossa vida, amizades (reais), família e trabalho. A vida não é virtual. Para terminar, sugiro, para aqueles que seguem todas as tendências ditadas pelas redes sociais da internet que procurem o significado das palavras virtual e liberdade e tirem suas próprias conclusões….

  2. E no fim, se publicou um vídeo dizendo que o Tubby não existia, que era uma “trollada” para mostrar o quão é ruim a exposição das pessoas em aplicativos como o Lulu e blá blá blá.

    O que não tá bem explicado é o motivo pelo qual o Tubby pedia os dados às mulheres que queriam ser descadastradas de seu banco de dados…

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