Vazio

Amava secretamente Carolina, que o convidou para ir a um bar naquele sábado juntamente com sua amiga Marina.

Certa hora, Carolina sumiu. Pensou que ela fora embora, mas quando olhou para o lado a viu deitada no chão do bar, dormindo. “Ela tem trabalhado demais, deve estar cansada”, pensou.

Foi embora cedo, deixando Carolina e Marina no bar. Porém, decidiu voltar e encontrá-las, ainda mais depois de ouvir, na rua, que a tropa de choque fora chamada.

Chegando ao local, a confusão já estava estabelecida. A polícia jogava bombas de gás lacrimogêneo na multidão, que corria para todos os lados. Membros de torcidas organizadas respondiam com paus e pedras. Desesperado, procurou Marina e, principalmente, Carolina em meio ao caos. Mas não as encontrou.

Depois de um tempo, enfim, viu Marina, que parecia chorar. Aproximou-se dela e uma mulher, que a acompanhava, se apresentou como sua professora. “Ela foi reprovada no exame”, disse a mulher. Querendo saber onde estava Carolina, tentou falar com Marina, que não quis parar e seguiu em frente, em passo acelerado.

Então seguiu vagando, vazio, pelas ruas já vazias.

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