Especial para os “machões” de plantão

– Elas reclamam, mas no fundo gostam.

– Mas também, vestindo essa roupa, ela pediu.

– Fica se insinuando e depois reclama de assédio.

Quantas vezes não ouvimos pessoas – inclusive mulheres – falando tais frases? É tão frequente, que nos leva ao questionamento: será que a luta feminista é sem sentido? Que as queixas relativas a assédio sexual são apenas “da boca pra fora”? Enfim: será que realmente as mulheres gostam disso?

Pois bem: uma pesquisa mostra que 83% delas não gostam de ouvir cantadas. Ou seja, uma maioria esmagadora. E tem mais: 81% das mulheres já deixaram de fazer coisas por medo de assédio, 90% trocaram de roupa pensando no lugar que iam por temerem abordagens desrespeitosas por parte dos homens, e 73% não respondem aos assédios que ouvem na rua, principalmente por medo de serem vítimas de violência sexual.

Os homens que insistem em afirmar que “elas reclamam, mas gostam” estufam o peito para bradar seu “orgulho hétero”. Afinal, não basta “ser homem”: é preciso deixar isso bem explícito, para que ninguém pense o contrário. Demonstrações de afeto? Isso não é coisa de “macho”, pois “homem que é homem” é insensível, é “caçador”, tem de “pegar todas” e, principalmente, mostrar, pois como já foi dito, não se pode dar margem a dúvidas.

Isso não tem nada de natural. É fruto de uma cultura machista, que cria padrões a serem seguidos por homens e mulheres – e que, por ser ensinada desde a infância, no dia-a-dia, parece ser natural. Mas não é.

Nós, homens, aprendemos a tratar as mulheres não apenas como objetos, mas também como números, “estatísticas”: quanto mais “pegamos”, mais “pontos” ganhamos como “machos”. Já com elas acontece o contrário: se “pegam muitos” são taxadas de “vadias”, vão para aquela “relação” das que “não servem para casar”; se bem que isso também não faz lá muita diferença, pois por mais “donzela” que a mulher seja, basta dizer um “não” para ser igualmente chamada de “vadia”. Ou seja, sempre serão rotuladas, independentemente de suas atitudes… Desigualdade de gênero, na qual o homem leva vantagem sobre a mulher; resumindo em uma palavra só: machismo.

Como foi dito, aprendemos a ver isso com naturalidade. Aceitamos que o homem assedie mulheres na rua, pois é “macho”, e que elas “reclamam, mas gostam”. Porém, a maioria esmagadora delas não gosta. Não podia haver recado mais claro a nós, homens: fomos ensinados que somos “fodões” e podemos desrespeitar as mulheres; já passa da hora de aprendermos o contrário.

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Atualização (10/09/2013, 19:56). Depois de reler o texto, percebi algo: da maneira que escrevi, parece que só devemos respeitar as mulheres por conta do resultado da pesquisa. Reparem só como o machismo age: afinal, não devemos respeitá-las sempre? Mesmo que a proporção fosse inversa (ou seja, que a maioria esmagadora delas não visse problema em ouvir cantadas), ainda assim deveríamos tratá-las com respeito. E falo de todas, pois mesmo dentre as que gostam de cantadas (sejam minoria ou maioria), duvido que alguma se sinta confortável diante de um tarado que lhe mostra o pênis na rua (leiam os depoimentos).

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9 comentários sobre “Especial para os “machões” de plantão

  1. “fomos ensinados que somos “fodões” e podemos desrespeitar as mulheres; já passa da hora de aprendermos o contrário.”
    Falas por ti… eu nunca fui ensinado desta maneira…fezer o quê.

    • Quando falo em “fomos”, obviamente me refiro ao gênero masculino como um todo… Sim, generalizando, pois o dia-a-dia nos mostra qual é o “padrão” do que é considerado masculino.

      Por menos machista que eu seja, que tu sejas, também somos parte do problema. E eu detesto ser parte do problema, por isso opto por denunciá-lo e combatê-lo.

  2. Ficar dando cantada na rua é coisa de malandro cariôco…ou de vadio nordestino….gaúcho de verdade não faz isso…agora deixa de ser babão em cima das mulheres, com seu feminismo aprendido das professoras do segundo grau. Homem que defende feminismo, só pode ter déficit de testosterona, como deve ser o seu caso.

  3. Rodrigo Cardia talvez aprendeu sobre a dignidade das mulheres com ALGUMAS professoras do “segundo grau…” hoje ensino médio… o que eu tenho sérias dúvidas… mas o fato é que aprendeu. E tenho certeza, caro Denis
    a falta de testoterona que alegas nele deve ser a falta de cérebro que tu tens na mesma proporção. Não esqueça: os homens que cuidam de crianças e cozinham são os melhores na cama! Experimente!

  4. Racista? Carioca é raça? Nordestino é raça? Machismo é ruim…e feminismo? Enquanto movimento reativo, feminismo, ambientalistmo, gayzismo…e até o lixo do esquerdismo (enquanto movimento político e de embate de idéias ) Mas como todo movimento “ismo” é supremacista, e tapar as orelhas e descobrir os pés. Entre ser machista e ser castrado por lesbo-feministas….fico com a primeira opção. Porque o que a mídia feministóide financiada pelo grande capital internacional sionista e cia, fez a gerações inteiras de homens resulta no que vemos hoje: Falta de bons exemplos masculinas de pais, irmãos e homens..que sempre existiram. Presídios lotados. Mães solteiras. Gerações de emos afetados. E opiniões afetadas em blogs.

    • Denis, a humanidade toda é uma raça só… Racista é quem acredita que nos dividimos em diversas raças e que umas são melhores que outras, e a dita “superioridade” gaúcha é bem isso: RACISMO. Ou achas que bairrismo é apenas brincadeira?

      “Entre ser machista e ser castrado por lesbo-feministas”. Queres me matar de rir, né? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

    • Denis, em todo blog que leio tu aparece escrevendo bandalhera pra avacalhar, acaso tu é masoquista? Porque se for consegue ter um prazer medonho de tanto nojo que tu causas.
      Talvez lesbofeminista seja o termo com o qual tu tachas mulheres que tem aversão a sujeitos toscos como tu.
      E diz cá pra nós, Denis é um codinome né, deve fazer alusão a algo que tu sempre desejou ter e não teve coragem de procurar em ti ou em outro.

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