Adoramos ler mas não temos tempo… Será?

Sensacional a matéria de Alan Bisset no The Guardian, e que o Milton Ribeiro traduziu para o Sul 21. Começa com o autor falando sobre sua decisão de reler Guerra e Paz, de León Tolstói, e pegá-lo na estante, com o marcador na página 55. Depois, notou que havia outros livros com marcadores, sinais de várias leituras iniciadas e não acabadas.

Na sequência, Bisset fala na grande quantidade de opções que temos hoje em dia para distração. Incrivelmente posso citar minha própria experiência: durante a maior parte da década de 1990 não tinha computador em casa, então me distraía basicamente lendo e escrevendo (na máquina de escrever). Tinha a televisão também, mas à medida que o tempo passava eu tinha menos saco de ficar parado na frente dela.

Hoje, temos a internet, que é um extraordinário meio de comunicação (e é graças a ela que o leitor chega a este texto e à matéria que indiquei). Podemos não só receber informação, como também difundi-la, sendo ativos e não só passivos como defronte à televisão. Também nos oferece a possibilidade de escolher o que queremos ver, enquanto a TV nos empurra aquilo “goela abaixo”. Porém, ainda não aprendemos bem a fazer isso: somos sufocados por um monte de informações nem um pouco relevantes (e não necessariamente em páginas de fofoca: o próprio Facebook colabora muito com isso), e assim levamos mais tempo para realmente ficarmos sabendo do que é importante.

E o pior de tudo é que depois reclamamos da falta de tempo para ler. Quando na verdade ele nunca nos faltou: apenas o desperdiçamos com outras coisas.

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