Não há nada de mais importante acontecendo no mundo

Pelo menos é a impressão que se tem ao ligar a televisão. Só se fala em papa, em missa… Ficou bem claro que jornalismo não é o que ela faz.

Espero que, enfim, as pessoas percebam o quão parcial é a mídia que se apresenta como “imparcial”. Há uma considerável quantidade de brasileiros que não é católica e não considera o papa como sua autoridade religiosa: não me refiro apenas aos ateus e agnósticos, mas até mesmo aos que seguem outras religiões. Daí a importância do Estado laico: ele não deve ter uma religião nem ser contra todas, mas sim tratar as pessoas igualmente, sem levar em conta seus credos.

Fosse o Estado brasileiro realmente laico, conforme prevê a Constituição de 1988, não teríamos tamanho “auê” midiático por conta do papa. Afinal, as emissoras de rádio e televisão não são donas do espectro eletromagnético (que é público), o utilizam por concessão estatal. Logo, deveriam zelar pelo interesse público, ao invés de fazer proselitismo religioso. Porém, como bem sabemos, o que não falta no rádio e na televisão é exatamente isso: a diferença é que o papa está monopolizando as transmissões da principal emissora do país, mas em outras emissoras, há tempos, é só ligar a televisão em certos horários e ver a Constituição ser rasgada.

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