Deixa eu ver se entendi

Antes o governo federal pretendia trazer médicos estrangeiros para suprir a carência em regiões pouco assistidas. As entidades de classe protestaram, um panfleto reacionário que se acha revista disse que os médicos cubanos seriam “espiões comunistas”. E no fim, o governo decidiu fazer diferente: vai priorizar a contratação de brasileiros; e a partir de 2015 quem cursar Medicina terá, obrigatoriamente, de prestar dois anos de serviço (bem remunerado, aliás) ao SUS para obter o diploma.

A ideia de levar os alunos em final de curso para trabalhar no SUS não é inédita. E nem é “coisa de comunista”: é inspirada no que foi feito no Reino Unido, que tem um dos melhores sistemas de saúde pública do mundo. (Em tempo: obviamente sei que não basta aumentar o número de médicos para melhorar a qualidade da saúde pública, mas tal melhora passa por isso.)

Então, começou a gritaria de novo. Agora, contra a obrigatoriedade de se trabalhar (repito, remuneradamente) no SUS por dois anos para receber o diploma. Não duvidem se daqui a pouco os mesmos que reclamavam dos médicos cubanos começarem a clamar pela vinda deles.

Pensar que eu adoraria iniciar uma faculdade sabendo que nos dois últimos anos do curso teria trabalho e (boa) renda garantidos pelo Estado sem a necessidade de prestar concurso público… Vá entender esses reclamões.

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3 comentários sobre “Deixa eu ver se entendi

  1. Ao meu ver o governo está apenas criando factóides para não enfrentar a raiz do problema: a falta de investimento em saúde, responsável pelo caos do setor no país.

    A vinda de médicos estrangeiros deve ser rejeitada, não com um viés xenófobo ou de que são agentes comunistas, mas porque integra a lógica neoliberal de barateamento da mão de obra e de abrir as portas para que isso se expanda para outros ramos da economia (uma proposta que aliás já foi ventilada pelo Governo Dilma e os empresários).

  2. Advogados, arquitetos, educadores, políticos recém eleitos, todos então deveriam ficar estes dois anos trabalhando com o salário de 2 mil reais, para só então fazer o mestrado, residência etc. A população precisa não só de médicos “mais humanos”, mas também de juízes, jornalistas, engenheiros…

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