Brincadeira tem hora

A polêmica do dia foi um texto de um colunista aqui da província em um jornal também aqui da província. Os nomes de ambos não serão citados, pois quem é daqui sabe de que colunista e de que jornal falo, e quem é de fora e não os conhece, não perde absolutamente nada.

O “gênio” (e o pior é que ele realmente se acha genial) defendeu que se aproveitasse o incêndio no Mercado Público para implodi-lo e erguer um prédio novo, com vários andares e estacionamento. Resumindo: ressuscitou, de certa forma, o absurdo projeto que tinha a prefeitura no início da década de 1970, que derrubaria o Mercado para abrir espaço para os carros.

Dentre comentários indignados e que pediam a aposentadoria do referido colunista, li alguns chamando a atenção para um fato: talvez ele estivesse ironizando. Tirando um sarro. Ou, em uma atual gíria utilizada na internet, trollando.

Li o texto e percebi que aquilo era tão absurdo, mas tão absurdo, que o referido colunista não podia estar falando sério. Das duas, uma: ou ele definitivamente perdeu a razão, ou de fato, estava apenas nos fazendo de bobo, causando indignação para que todo mundo começasse a falar dele.

No fundo, acho que aconteceu as duas coisas. Queria nos fazer de bobo, mas perdeu a razão. Pois se a tivesse, não brincaria com algo assim. Como diz o ditado, “brincadeira tem hora”: para a maioria dos porto-alegrenses, o Mercado Público não é apenas um prédio histórico. Significa muito mais: é emprego, é ponto de encontro e de referência, é lugar onde se encontra ingredientes mais baratos para preparar sua comida etc.

E se alguém ainda duvida da possibilidade do referido colunista ter simplesmente ironizado para chamar a atenção, lembre que tem “humorista” por aí com coragem de fazer “piada” com coisas muito piores.

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2 comentários sobre “Brincadeira tem hora

  1. Se era piada ou ironia, só demonstrou como (já sabíamos) o gênio escreve mal.

  2. Li o texto e não consegui encontrar nenhum resquício de ironia. Concordo com a Raquel: se ele tentou ser irônico, isso só confirma o quanto escreve mal. Mas o mais engraçado é ler os comentários de leitores que o defendem e acusam os outros de analfabetismo por não terem compreendido o genial sarcasmo do colunista. Inacreditável…

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