Milhares de motoristas sozinhos em seus carros trancam o trânsito

A sexta-feira foi um dia de caos em Porto Alegre. Devido ao treino da Seleção Brasileira no Beira-Rio, a avenida homônima que passa junto ao estádio foi fechada. O resultado não poderia ter sido outro: congestionamento por toda parte.

Quando acontece alguma manifestação, é normal os principais portais de notícias darem destaque não à reivindicação, e sim, ao trânsito. “Ato contra reajuste das passagens causa congestionamentos”, era mais ou menos nessas palavras que se referiam aos protestos contra o aumento da passagem do ônibus. Porém, hoje não consegui encontrar nenhuma matéria falando sobre a Seleção ter trancado o trânsito.

Porém, a verdade é que não foi o treino do time de Felipão que causou o caos. Quem tranca o trânsito não é a Seleção, nem as manifestações nas ruas: são os próprios motoristas que circulam sozinhos em seus carros (quando poderiam levar mais quatro pessoas junto, no mínimo). Eles reclamam do problema sem perceberem que são o problema.

É muito tentador atribuir a outros elementos a tranqueira. Lembro que certa vez eu ia de ônibus para a faculdade, e na Ipiranga o trânsito não andava. Quando vi uma carroça, foi inevitável pensar que ela estava atrapalhando a nossa vida, que não devia circular na Ipiranga aquela hora etc. Porém, desliguei o “piloto automático” e reparei no entorno: vários carros só com o motorista. Não fossem tantos, o trânsito fluiria sem problemas, com ou sem carroça.

É por isso que as prefeituras têm de parar de investir em vias para automóveis*: isso só estimula mais pessoas a usarem o carro particular. E desse jeito o trânsito vai trancar, prejudicando os próprios motoristas reclamões, além dos que realmente precisam do carro para trabalhar; assim como aos que se deslocam usando ônibus (que também ficam presos no trânsito, pois boa parte das ruas não têm faixa exclusiva) e mesmo a quem anda a pé, pois se em situação “normal” os motoristas já não costumam ter respeito ao pedestre, quando o trânsito congestiona eles ignoram a existência da faixa de segurança, param em cima mesmo.

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* Prova disso é o que vi em Buenos Aires: a Avenida 9 de Julio é uma das mais largas do mundo, com um grande número de faixas, e mesmo assim passa boa parte do tempo congestionada em dias úteis. A prefeitura da capital argentina decidiu agir: só que ao invés de alargar ainda mais a avenida, está implantando um corredor de ônibus.

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