A suposta “turma socialista”

Recebi mais um texto daqueles que classifico como “correntes”. Só que este é diferente: mais bem escrito, elaborado, sem exalar aquele ódio comum aos que recebo mais frequentemente. Mas ainda assim, não podia ficar sem resposta.

Vamos a ele, então:

Um professor de economia em uma universidade americana disse que nunca havia reprovado um só aluno, até que certa vez reprovou uma classe inteira.

Esta classe em particular havia insistido que o socialismo realmente funcionava: com um governo assistencialista intermediando a riqueza ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e justo.

O professor então disse, “Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas.” Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam ‘justas’. Todos receberão as mesmas notas, o que significa que em teoria ninguém será reprovado, assim como também ninguém receberá um “A”.

Após calculada a média da primeira prova todos receberam “B”. Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos – eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Já aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Como um resultado, a segunda média das provas foi “D”. Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um “F”. As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por ‘justiça’ dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram aquela disciplina… Para sua total surpresa.

O professor explicou: “o experimento socialista falhou porque quando a recompensa é grande o esforço pelo sucesso individual é grande. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros para dar aos que não batalharam por elas, então ninguém mais vai tentar ou querer fazer seu melhor. Tão simples quanto isso.”

1. Você não pode levar o mais pobre à prosperidade apenas tirando a prosperidade do mais rico;
2. Para cada um recebendo sem ter de trabalhar, há uma pessoa trabalhando sem receber;
3. O governo não consegue dar nada a ninguém sem que tenha tomado de outra pessoa;
4. Ao contrário do conhecimento, é impossível multiplicar a riqueza tentando dividí-la;
5. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

Em primeiro lugar, nos atenhamos ao “um professor de economia em uma universidade americana”. Qual é o nome do professor? De qual universidade ele é? O fato do texto não passar tais informações me faz pensar que muito provavelmente tal “experimento socialista” jamais aconteceu. Basta lembrar que o “experimento nazista” relatado no filme “A Onda” não foi ideia “de um professor de História em um colégio nos Estados Unidos”: o professor se chamava Ron Jones, e a escola era a Cubberley High School, em Palo Alto, Califórnia. Mas, vamos dar ao texto o benefício da dúvida e suponhamos que o experimento realmente aconteceu – afinal, o mais importante é contra-argumentar.

Os alunos acreditavam, como o texto mostra, que basta o Estado redistribuir a riqueza e criar uma sociedade igualitária para que haja socialismo. Nada mais errado. Afinal de contas, socialismo não é simplesmente todos ganharem o mesmo: é preciso dar a todos as mesmas oportunidades de seguirem seus caminhos (o que, bem sabemos, não existe em uma sociedade como a nossa). Mas de nada adiantará todos termos “o mesmo ponto de partida”, se o individualismo continuar a ser mais importante que a solidariedade, como aconteceu na turma: as notas foram “coletivizadas”, mas os alunos continuaram a agir “cada um por si”, sem ajudarem uns aos outros, mesmo sabendo que tal atitude prejudicaria a todos – se todos tirassem “A”, a nota da turma seria “A”. (Daí a importância da educação, que jamais será neutra: o sonho dos reacinhas de plantão que reclamam da “partidarização” do ensino é que os professores apenas “preparem os alunos para o mercado” – ou seja, uma educação voltada para a manutenção do status quo.)

O professor (que, como já deu para perceber, não era socialista), em resposta aos alunos que acreditavam saber o que é socialismo, decidiu fazer o experimento com as notas das provas. Em primeiro lugar, sou da opinião que provas não medem o conhecimento de ninguém (quem nunca se ferrou numa prova para a qual tinha estudado um monte?). Em segundo lugar, lembro que já me aconteceu num final de ano no colégio de estar passado em uma matéria (provavelmente matemática) e um colega precisar de muita nota para passar: eu queria poder passar um pouco de meus pontos para ele não ter tanta dificuldade. Mas não podia, pois isso seria um estímulo para o cara “continuar não estudando” (quando na verdade eu é que quase não estudava, por ter menos dificuldade para compreender a matéria; já o colega “se matava” de tanto estudar e ainda assim ia mal).

O “experimento socialista” do professor demonstrou que “o socialismo não funciona”. Por um motivo muito simples: ele foi feito para isso. Pois como eu disse, socialismo não é simplesmente “redistribuir riqueza”, e foi apenas isso que o professor procurou fazer.

Sem contar que ele cometeu um erro crasso: usou um bem “infinito” (a soma da nota das provas) para demonstrar o “fracasso” da distribuição equitativa de bens finitos (recursos materiais). A riqueza de um país pode variar pelos mais diversos motivos (crises econômicas, aumento ou redução de importações e exportações etc.), mas é finita. E se pensarmos em termos globais (ou seja, na riqueza do mundo), fica ainda mais fácil entender, visto que não temos relações comerciais com outros planetas.

Um exemplo simples: um hipotético grupo de dez pessoas, isolado do resto do mundo, possui um total de cem pedras (não sendo possível encontrar mais) e elas foram distribuídas de forma igualitária (ou seja, dez para cada pessoa); é impossível que todos os membros do grupo possam ter mais pedras ao mesmo tempo, pois para que um deles tenha, digamos, doze pedras, a “riqueza” somada dos nove restantes deverá diminuir em duas pedras; e para que uma das pessoas tenha o máximo (ou seja, cem pedras), o restante terá de ficar sem nada. Bem diferente das notas das provas: uma grande quantidade de notas baixas em uma sala não necessariamente significa que uma minoria tire notas absurdamente altas; sem contar que o próprio texto indica que o professor “jamais havia reprovado nenhum aluno”, sinal de que é perfeitamente possível que todos tirem boas notas ao mesmo tempo, o que não acontece com a riqueza.

Agora, vou responder aos cinco tópicos que estão no final do texto.

  1. Tirar a prosperidade do mais rico não significa levar o pobre à prosperidade, fato. Afinal, ela pode ser repassada ao segundo mais rico… Mas é impossível os pobres serem menos pobres sem os ricos serem menos ricos, justamente porque a riqueza é finita;
  2. Para cada um recebendo sem trabalhar, há alguém trabalhando sem receber – ou recebendo muito pouco. Exato: quem compra ações que se valorizam na Bolsa de Valores ou ganha na loteria, recebe (muito) dinheiro sem derramar uma gota de suor;
  3. O governo não consegue dar nada a ninguém sem que tenha tomado de outra pessoa. E é exatamente o que tem de fazer: tirar de quem tem muito e repassar aos que têm pouco, para reduzir a desigualdade;
  4. Ao contrário do conhecimento, é impossível multiplicar a riqueza tentando dividi-la – prova do erro crasso cometido pelo professor. O conhecimento não tem limites e precisa ser multiplicado, enquanto que a riqueza é finita e por isso, tem de ser dividida;
  5. Me digam algum país onde metade da população possa se dar ao luxo de não trabalhar. Brasil? Só se quiserem fazer com que eu tenha um ataque de riso: o Bolsa Família, por exemplo, é apenas ajuda, muito abaixo do salário mínimo – se ouvirem falar de alguém que largou o emprego para “viver” do Bolsa Família, podem ter certeza de que tal pessoa trabalhava por um salário de fome.

Por fim: o “socialismo” do professor falhou, como ele queria. Também falharam os socialismos da União Soviética e vários outros inspirados nela, pelos mais variados erros – autoritarismo, burocratização excessiva etc. Porém, isso não quer dizer que o socialismo esteja fadado a jamais dar certo: em “Era dos Extremos”, Eric Hobsbawm diz que “o fracasso do socialismo soviético não se reflete sobre a possibilidade de outros tipos de socialismo”. Ou seja, para usar um ditado bem popular, podemos dizer que o professor calçou “salto alto”: talvez não leve um tombo em vida, mas isso poderá acontecer com quem o imitar.

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30 comentários sobre “A suposta “turma socialista”

  1. Premissa falsa meu caro autor! Como você próprio mencionou. A educação jamais será neutra. Aquela máxima: Domines a educação que dominarás o povo. Então como encarar com seriedade o exemplo dado se o experimento socialista foi feito com indivíduos já dominados pela educação ideologicamente burguesa/capitalista, membros de uma sociedade igualmente capitalista, onde a hierarquia de valores impossibilita qualquer condição para que o mesmo seja bem sucedido.

    • Boa tarde! Sr Chaplim!

      Gostaria ver a resposta que o Sr. mesmo da a sua pergunta lançada!?

      Por favor gostaria muito de ver!

      Abraço

      Douglas Lenin Rigueiro

  2. Os cinco tópicos colocados ao final do texto deixam bem claro qual o objetivo de quem o elaborou: criticar políticas assistenciais como o bolsa família e defender a diminuição da carga tributária sobre os mais ricos, pois, dentro dessa visão, é uma inaceitável injustiça que os esforçados e brilhantes trabalhadores das classes mais altas sejam obrigados a dar dinheiro para o governo sustentar vagabundo.

    Omite-se o principal, é claro. Que o governo gasta infinitamente mais com os juros e amortizações da dívida pública interna, sustentando, dessa forma, os verdadeiros vagabundos que ganham, sem nenhum esforço, bilhões através do sistema financeiro. Mas na visão classe medista brasileira os grandes privilegiados do país são aqueles que lutam para sobreviver com menos de um salário mínimo mensal. Para quem tem alguma noção sobre o preço das coisas, não deve ser difícil perceber que o bolsa-família apenas retira as pessoas da extrema pobreza, nada além disso. Ou seja, no Brasil a transferência de renda para os mais ricos é bem maior do que para os mais pobres.

    Portanto, chega a ser inacreditável saber que existem pessoas defendendo e propagando ideias que desprezam e invertem completamente essa realidade. É uma visão de mundo tão burra e distorcida, que não precisa nem ser um entusiasta do socialismo para se opor radicalmente a ela. Eu sugeriria a essas pessoas que perguntem a um abastado cidadão finlandês, por exemplo, o que ele acha sobre ter que pagar muitos impostos. Certamente responderá que, numa sociedade que pretende ser justa, todos têm a obrigação de contribuir, de acordo com suas possibilidades, para garantir o bem-estar geral da população e impedir que sejam criadas grandes desigualdades econômicas.

  3. Tem outra coisa nesta “fábula” que me incomoda: a presunção de que, se puder, todo mundo vira vagabundo. É uma concepção bem conservadora: “todo mundo (menos eu) quer mamar alguma teta e não trabalhar”.
    O fim da fábula poderia ter sido outro: os mais inteligentes cooperam para melhorar a nota dos menos dedicados, e aumentam o nível geral da turma. No fim, todos se esforçam mais e há felicidade geral. O experimento é um sucesso. Alguém devia modificar o texto e postar no facebook.

    • Você já foi assim alguma vez na sua vida?? Conhece alguém que fez isso, consigo compreender o quanto é certo pensar dessa forma, preciso dizer que eu adoraria viver em um mundo assim, porem ainda falta muito pra isso, e a prova de que o mundo não esta preparado para isso, é os países socialistas que já cairão, e os socialistas de hoje que abrem cada dia mais portas ao Capitalismo. Eu também seria Socialista, se existissem condições para isso.

  4. A fábula tem um grande erro, o ensino norte-americano nas universidades é altamente competitivo, e se houvesse uma reversão das expectativas de alguém ser o primeiro ou o melhor, se transformaria uma sociedade competitiva numa sociedade cooperativa, ou seja, na última prova uns cinco ou seis iam estudar mais (sempre tem alunos que gostam de estudar) e na hora da prova ia correr uma baita cola, ficando todos com A.
    Eu sou professor a 37 anos e conheço o espírito dos alunos.

    • ! Muito Bom!

      Na hora do aperto todos iam fazer oque fosse preciso, tipo sobrevivência!

      Se tivessem a consciência de que iriam ser reprovados, com certeza iriam “chutar o Balde”!
      Bacana…

  5. O problema maior não está no socialismo, capitalismo, ou qualquer que seja a regime, o problema é o individualismo, e vocês me deram prova disso. Vi seres arrogantes usando argumentos pretensiosos e querendo colocar garganta abaixo seus ideais. Se depender de vocês nunca teremos uma sociedade igualitária e isenta de preconceitos. Pode-se viver em qualquer regime, tendo o próximo como bem maior. “Não dou dinheiro, pois ele vai beber cachaça, vou lá e compro um pão e dou a ele”, aí eu te digo, ele não queria pão. E daí?

    • Li todo o post e comentários, e acho que o seu foi o de maior bom senso. Realmente acho que o post tem razão ao ilustrar através desse conto que não somos iguais por natureza e por isso não há regime que possa nos uniformizar, pois sempre deverá existir mais ricos e menos ricos! Entretanto acredito que mesmo em um sistema Capitalista os governos devem criar uma estrutura mínima que represente qualidade de vida para os menos favorecidos. Acho que uma sociedade em que a grande massa está dendro da classe média é um patamar razoável. O ideal mesmo é que toda base da pirâmide estive-se na classe média.

      Pois quando temos amor no coração e somos menos individualistas temos o dever de pelo menos tentar criar uma sociedade mais justa, mesmo que em algum ponto sacrificando um pouco quem tem mais, sob pena de você depois não poder reclamar da violência que sofre no dia a dia e a desigualdade cultural que te cerca. E assim como no campo das ideias você precisará viver em uma ilha.

      E não venham me dizer que a violência não está intimamente relacionada a pobreza e falta de educação que existem milhares de artigos, pesquisas e vídeos de especialista informando o contrário.

      • Gostei tbm da sequência de raciocínio de vocês. Até porque se formos querer igualar tudo para todos, imaginem, teríamos que dar o mesmo castigo para todos e qualquer crime!!!
        Nem a natureza é igual…..
        É uma idéia que começa errada quando as pessoas pensam em dar dinheiro antes mesmo de ter agua, saneamento e hospital decente em todo país. Aliás, tendo essas 3 coisas, qualquer um já sai da miséria.

    • Este parece ser o mais sensato de todos os comentários,
      pois ao que pude ver, o problema não está nas predileções políticas, e sim no egoísto de possuir a verdade sobre todas as coisas, que é o que impera nos seres humanos de hoje.

  6. Não sou radical a ponto de sair escrevendo aqui afirmações, prefiro as reflexões…acredito que o experimento é uma grande lição porém os que ainda preferem o socialismo irão encontrar justificativas para não poder se dar a comparação e continuarem preferindo. Não acho um sistema justo porque você não pode pensar primeiro no que está por baixo, porque do mesmo jeito quem sai mais prejudicado não é o mais rico, mas o escravo que mais trabalha para receber um salário mínimo. O que está na média. E em um país onde mal se tem hospitais, grande parte dos profissionais são mal pagos, você não pode simplesmente colocar o mais pobre na frente de todos esses que ajudam a construir o estado.
    Outro ponto que fico pensando, grande parte das pessoas que são a favor desse socialismo, são também a favor do aborto, aliás, grande parte do mundo hoje já entende e aceita…pois bem, se vocês concordam que ninguém pode ter o direito sobre o corpo alheio e sobre a vida alheia, porque teriam direito aos bens alheios?
    E mais um ponto pra fechar, se ainda existe miséria no mundo, a pior delas sendo a fome, porque os governantes não oferecem refeições ao invés de dinheiro? Já que o problema é a fome e essas pessoas podem acabar usando o dinheiro para drogas e bebida?
    Porque distribuir o dinheiro?
    Fico por aqui, deixando claro que sou brasileira e estou falando referente ao meu país, ok?
    Boa noite

    • Há pesquisas que mostram q o problema não é a falta de alimento, alimento tem e pra todos, mas nem todos recebem.
      Como assim a maioria dos que apoiam o socialismo apoiam o aborto? qual estudo comprova isso?
      […] você não pode simplesmente colocar o mais pobre na frente de todos esses que ajudam a construir o estado.[…] assim parece que todos os que nao sao pobres contribuem para o desenvolvimento do pais, entao se os mais pobres deixarem seus trabalhos os mais ricos conseguiram se manter, correto?
      Os governantes nao oferecem refeicoes pq não acham necessario acabar com esse problema, sem falar q se quisessem acabar, iriam fornecer formas de o pobre melhorar sua vida, ser independente .

  7. Acho que o maior equivocado foi o professor tentando impor o seu ponto de vista sobre socialismo, de uma forma errônea. É a prova de que “quem tem o poder nas mãos deve saber utilizá-lo”. Ele poderia ter induzido os alunos a compartilhar conhecimento. Os alunos com mais facilidade de aprendizado auxiliando os demais, com o objetivo de tornar todos fortes. Intencionalmente, fez com que perdessem a vontade de crescer. Nós sabemos que a arrogância é a mãe da ignorância e da violência. Provavelmente os alunos estariam lutando uns contra os outros no final do semestre.

  8. Esse socialismo falso onde alguns se dão bem e a maioria não, está fadado ao fracasso! Sem trabalho e esforço conjunto, cada um com suas capacidades e limitações, é impossível a um grupo de pessoas, mesmo a uma nação, obter sucesso em qualquer área de atuação! No nosso país está cada vez mais evidente isto! Muitos malandrões se valendo de mentiras nas costas de quem trabalha e o povão em geral passando mal!

  9. A outra versão da história:
    Um professor de economia em uma universidade soviética disse que nunca havia reprovado um só aluno, até que certa vez reprovou todos os bons alunos de uma sala, passando apenas os preguiçosos.

    Esta classe em particular havia insistido que o capitalismo realmente funcionava: com um governo mínimo, garantindo a manutenção do status quo, ninguém teria mais do que o esforço que colocou ali, tudo seria meritocrático e justo.

    O professor então disse, “Ok, vamos fazer um experimento capitalista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas.”

    No início do ano, todos teriam a última nota que tiraram no ano passado. A medida que o ano passava, a nota seria multiplicada por um fator que dependia não só do desempenho do estudante, mas também da sua nota anterior. Quanto maior a nota anterior, maior o fator de multiplicação. Da mesma forma, quanto maior o esforço, maior o fator. Em ambos os casos, aqueles que estivessem acima da média, subiriam 10%, os que estivessem na média, se manteriam, e os que ficassem abaixo da média cairiam 10%. Assim, todos poderiam não só chegar a ter um A, como aqueles que foram bons alunos no passado não perderiam o esforço que acumularam até ali.

    Após calculada a média da primeira prova, metade da turma teve sua nota aumentada e a outra metade diminuída, enquanto uns poucos se mantiveram na mesma.

    Quando a segunda prova foi aplicada, os que vieram de escolas mais puxadas no ano anterior estudaram ainda mais – eles precisavam tirar notas boas para conseguir passar. Já aqueles que tinham estudado em escolas mais fáceis resolveram estudar somente o suficiente para ficar na média. Como resultado, a segunda prova manteve os mesmos alunos com A, e aqueles que se esforçaram mais e tiraram notas melhores na prova continuaram sem média suficiente para passar.

    Depois da terceira prova, os alunos que tiveram piores notas no ano anterior estavam em estado de esgotamento, mesmo tirando nota máxima nas provas era bem difícil alcançar a média. Não houveram desavenças entre os alunos porque os sortudos, que vieram de escolas fáceis, nem mesmo iam às aulas. Perder 10% nessa prova significava quase nada para eles. Os alunos que pediam a revisão do modo de avaliação eram vistos como “preguiçosos”, já que “bastava que estudassem para passar”. No final das contas, todos os alunos que estudavam e compareciam nas aulas repetiram aquela disciplina… Para sua total surpresa.

    O professor explicou: “o experimento capitalista falhou porque quando a recompensa é grande o esforço pelo sucesso individual é grande. Mas quando o status quo elimina todas as recompensas de uns e elimina todo o esforço de outros, baseado em critérios arbitrários como a nota do ano anterior, então não adianta mais tentar ou querer fazer seu melhor, o destino já está decidido de antemão. Tão simples quanto isso.”

    1. Você não pode levar o mais pobre à prosperidade apenas exigindo seu esforço, se os ricos 99% das vezes já nasceram ricos;

    2. Para cada um recebendo sem ter de trabalhar, há milhares de pessoas trabalhando sem receber;

    3. Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. Por sorte, os alunos de escolas mais difíceis estavam ocupados demais estudando para se darem conta disso.

  10. É como eu citei no título, eu não sei se isto é verdade, até pelo “clima de corrente” que foi escrito. O que me motivou a postar foi a análise que o texto trás sobre a sociedade e o modo como o ser humano se comporta. Claro, não se compara com a Onda, afinal este foi muito mais complexo e esse texto tenta mostrar apenas um viés do comunismo que é a questão financeira/riquezas (que por um acaso é o que move o mundo). Eu achei que o resultado do experimento que o texto trouxe é bastante coerente, e tenho quase certeza que ele se replicaria num teste similar em qualquer lugar do mundo (ok, talvez não no Japão). Só que o texto reclama o fato de o socialismo estar reduzido à questão financeira no experimento, o que eu não acho, pois todos os alunos ali eram da mesma faculdade com o mesmo professor (mesma oportunidade de educação), tinham boa capacidade cognitiva (afinal todos tiravam notas boas antes), etc… Havia muita igualdade ali, o único fator que diferenciaria os estudantes seria o esforço individual. Aí está a grande causa da utopia comunista: o individualismo. É instintivo e não adianta tentar mudar, o ser humano não se importa muito com o próximo (a não ser que isto o incomode), ou, caso se importe, é algo que está em uma prioridade menor que o bem estar próprio e familiar. Isto é óbvio, é instintivo, é uma característica de todo o reino animal. O individualismo sempre estará presente, em diferentes níveis nas diferentes pessoas, e sair na vantagem sempre vai ser gostoso. Uma coisa que eu não sou é acomodado, reclamo pra caramba e quem me conhece sabe, mas eu me impressiono com a capacidade de alguns de se comportarem de forma acomodada, viverem no limbo da vida. A grande chave, o ponto positivo da ideologia de direita é a meritocracia, a concorrência, a recompensa. Isso faz o mundo avançar numa velocidade assustadora, principalmente a área de tecnologia e pesquisa. O dinheiro e a ambição foram responsáveis por, sei lá, uns 90% dos produtos que hoje são indispensáveis para nós (celular, GPS, internet, carros, diversos remédios, etc…). Se nós fossemos comunistas tudo teria que ser controlado por alguém, reunido e dividido, medido, equalizado, censurado, normatizado. Concorrência não seria necessária, não teria vantagem e o poder de escolha seria reduzido ao ínfimo. Só funciona assim, não tem jeito. Sabemos bem como isso se sucede nas repartições públicas: aquela burocracia e malemolência insuportáveis. Recentemente estourou mais uma vez os médicos do SUS que só vão bater o ponto. A utopia é linda, mas não dá, o ser humano é incompatível. Um paralelepípedo não entra num buraco cilíndrico.
    O texto fala: “Mas é impossível os pobres serem menos pobres sem os ricos serem menos ricos, justamente porque a riqueza é finita;”. -Não necessariamente. Se a riqueza, monetariamente falando, fosse finita a cada dia mais dinheiro não seria produzido. E sabemos bem que no capitalismo ideias representam dinheiro, conhecimento representa dinheiro. E conhecimento não é finito. Como a economia se autorregula mais riqueza sendo gerada significa mais equalização. Ao passo que você cria um produto ou serviço, dinheiro é injetado na economia. A cada dia o comércio fica mais dinâmico e mais produtos e serviços são criados.
    “O governo não consegue dar nada a ninguém sem que tenha tomado de outra pessoa. E é exatamente o que tem de fazer: tirar de quem tem muito e repassar aos que têm poucos, para reduzir a desigualdade;”
    Essa é a grande diferença dos dois sistemas: em um vc redistribui a riqueza, no outro vc dá subsídios para MAIS riqueza ser gerada, consequentemente desvalorizando quem ja tem muito, por um processo de oferta e demanda. Além disto, o sistema impõe a mobilidade pela habilidade: é preciso se manter o melhor pra se manter no topo, não tem hierarquia. Vacilou caiu (vide Eike). Isso lindamente fomenta a inovação, a inquietação por soluções (e tá, e um consumismo parasita, mas tudo tem seu mal). A riqueza não é finita! pois ela não se baseia apenas em recursos finitos, mas em conhecimento. Idéias nunca valeram tanto! E olha que engraçado: se vc instaura um bem estar social igualitário para direitos primordiais (educação de qualidade, saúde, lazer e alimentação) num sistema capitalista (sim, é possível) vc fomenta MAIS AINDA a criação de idéias e portanto riqueza.

    • O seu texto foi o mais coerente. Penso que o maior inimigo da verdade é a convicção e toda convicção é uma prisão. Devemos estar abertos a novos aprendizados, novos desafios e oportunidades.

  11. Então você reclama da violência urbana e da desigualdade cultural que te cerca, mas acha errado que uma família que tem renda mensal de R$ 70,00 por pessoa receber R$ 306,00 mensais (valor máximo do bolsa família com SETE dependentes)! Se alguém deixou seu emprego para receber o bolsa família… este era um escravo! Você consegue viver com R$ 3,80 por dia (renda média das pessoas que atenderia os critérios para o benefício do bolsa família)? Consegue? Seu “toddynho” custa R$ 1,20 (rs)! Acho que você já entendeu… se não, você é ingênuo, e/ou ignorante, e/ou me lembra um “cara” austríaco que morreu em Berlim em 30 de abril de 1945!

  12. O Socialismo é tão perfeito, que atualmente nenhuma nação é 100% socialista, o socialismo utópico somente popula o inconsciente de pessoas que buscam um mundo perfeito e igualitário, pois estes preferem esquecer de que as pessoas são diferentes por natureza e de que a ambição é uma caracteristica humana que independe da educação, é uma caracteristica nata, quem duvida pode procurar no google os mais variados estudos sobre a ambição e sua oringem muitos deles já dizem que é uma caracteristica genética. O capitalismo não é perfeito pois premia uma minoria trazendo oportunidades e recompensando apenas poucos, mas ele é realista pois aceita a ambição como uma das caracteristicas mais basicas da humanidade. Por esse motivo o capitalismo é soberano e contamina até mesmo a mais resistente das nações socialistas.

  13. Em primeiro lugar este texto idiota que dá exemplo de um professor idiota que não da exemplo de que tipo de socialismo gostaria de experimentar.

  14. Parabéns pelo que você escreveu. Eu odeio este texto ridículo que circula por aí, pura retórica ilógica.

  15. Essa Turma Socialista não é a definição de Socialismo nem aqui nem na china.

    Proponho outro experimento pra ver se o capitalismo dá certo.

    No inicio do semestre, alguns alunos recebem livros outros não, visto que desigualdades históricas geradas por guerras, escravidão ou preguiça/imcompetencia administrativa e outros fatores distribuiram a riqueza de forma desigual, nem todos teriam dinheiro pra comprar LIVROS didáticos.
    Os alunos então são proibidos de compartilhar livros ou conhecimento adquirido nos mesmos.
    e podem usar sua nota pra comprar o livro pra estudar pra a próxima prova, perdendo então essa nota…

    quero ver quanto tempo as notas se manteriam altas nessas situação…

  16. Todos os comentários são válidos e podemos extrair algo de bom, entretanto, não querendo ser simplista, gostaria de registrar que não é o socialismo, comunismo, militarismo, democracia ou seja lá o que for. É o maldito uso inadequado do dinheiro que se arrecada. Nunca, em toda a minha vida fiquei confortável com o que recebi em troca dos altíssimos impostos que sempre paguei. Basta andar pelas ruas, ir as escolas, hospitais. Ver nossa pífia segurança pública, repartições do governo, atendimento ruim, estradas mal conservadas, prédios do governo caindo aos pedaços. Tributam tudo nesse pais, pagamos impostos encima de impostos. Pedágios, IPVA, IPTU, até serviço de cartório, um verdadeiro absurdo contra a população. Me digam se algum dia alguém viu político fazendo greve, reivindicando aumento de salário? São verbas abusivas de gabinete, vale moradia, terno, cueca, alimento, passagem. Procurem saber quanto custa um Senador ou deputado. Pouco disso tudo é prometido mudança pelos candidatos. A retórica é sempre a mesma, promessas vazias que não trazem compromisso algum. Quando são eleitos, abandonam o povo, trabalham pouco ou quase nada e devolvem ninharias para o povo. Projetos absurdos são debatidos mas as questões sérias como reforma política, tributária, de segurança educação e saúde, ficam sempre para depois, tantas outras urgências que não saem das gavetas por pressão de lobistas. Temos o meio de transporte mais caro do mundo, rodovias que deveria ajudar a escoar nossa produção, por serem mau cuidadas, refletem significativamente nos aumentos dos produtos. Não se discute outros meios de transporte, temos na costa brasileira boas condições de implantar transporte marítimo, temos condições de construir excelentes ferrovias, tal qual foram feitos os estádios, mais isso tira o osso de muitos interesses contrários a essas diversificações. O fato é que não querem ver mudanças de fato, essas migalhas que nos oferecem já estão mais que manjadas. Queremos governo de verdade, voltado para todas as pessoas do brasil, que seja pobre ou rico, todos tem que ser alcançados pelas ações do governo, mais isso ainda é utopia no Brasil. Se parte disso for oferecida um dia, que me importa o sistema de governo?

    • Praticamente O MESMO TEXTO ao qual escrevi a resposta, com a diferença de que cita uma universidade que até existe mas sem um detalhe fundamental: QUAL O NOME DO PROFESSOR?

      Ou seja, continua a ser um boato, citando uma universidade provavelmente escolhida aleatoriamente para tentar dar alguma “credibilidade” – mas esta continua a ser ZERO.

  17. Pingback: A suposta “turma socialista” | Rodrigo Cardia

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