Algo que canso de dizer: é bom checar a informação

Várias vezes, detonei boatos que circulam na internet. São idiotices que as pessoas repassam por serem ingênuas, e principalmente por “confirmarem” aquilo no que elas acreditam cegamente.

É muito fácil fazer a (des)informação circular: basta criar uma história qualquer e divulgar. Até uns tempos atrás isso se dava principalmente por e-mail (as malditas correntes), e agora é feito via Facebook. Mas, ao mesmo tempo a internet oferece a solução: uma pesquisa básica ajuda a desmentir essas bobagens.

Mas o que mais me surpreende não é nem que haja tanta gente que acredite em boatos e os compartilhe. Pior é ver jornalistas (ou seja, pessoas cuja profissão faz com que seja obrigatório verificar se a informação é verídica antes de sair divulgando) caírem em certas pegadinhas.

Foi o que aconteceu nesta semana aqui no Rio Grande do Sul, numa histórica “barrigada” (jargão jornalístico para notícias erradas) da imprensa esportiva. Dois amigos, torcedores gremistas, fizeram uma brincadeira e disseram no Twitter que o Grêmio estava se acertando com um jogador chamado Enrico Cabrito. A história acabou ganhando repercussão quando jornalistas repassaram a “informação” sem se darem ao trabalho de fazer uma pesquisa no Google, que os faria perceber que o tal Cabrito não existia. E assim o uruguaio (ou era argentino?) chegou a ter sua “provável contratação” divulgada até na televisão… O que seria um furo, informação em primeira mão, acabou se revelando uma furada.

O pior de tudo é que o caso, genialmente apelidado de “Cabritogate”, não é algo inédito. No final de 2011, a Rádio Gaúcha chegou a divulgar que o Grêmio estava por contratar um “craque” chamado Bruno Camargo – que assim como Cabrito, não existia. A brincadeira começou no Orkut, com a divulgação de um vídeo do suposto jogador do time B do Chelsea viria para o Olímpico, e torcedores chegaram a produzir, de gozação, um artigo na Wikipédia sobre o “goleador” e uma mensagem de boas vindas ao “Camargol”.

Cabrito e “Camargol” mostram o que a ânsia pelo furo pode fazer com o jornalismo: a valorização da velocidade em detrimento da qualidade da informação acaba por expor profissionais ao ridículo. Afeta suas credibilidades, da mesma forma que acontece com alguém que me repassa alguma coisa “bombástica” que é uma grande bobagem.

Mas a credibilidade pode ser recuperada: basta reconhecer o erro e aprender a lição. Seja para noticiar ou simplesmente para embasar sua opinião, é preciso checar a informação antes de usá-la como “verdade”. Do contrário, corre-se o risco de ser cada vez menos levado a sério.

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