Sobre a eleição de Renan Calheiros à presidência do Senado

Ontem, Renan Calheiros foi eleito para presidir o Senado pelos próximos dois anos, o que gerou uma justa indignação: ele já foi presidente do Senado de 2005 a 2007, tendo renunciado devido a denúncias de corrupção. E algumas coisas me chamaram a atenção.

A primeira delas foi o tom dos comentários da direita (aquela turma para a qual a corrupção surgiu em 2003). Vários deles falavam de “gente que troca o voto por um prato de comida”: resumindo, acham que a culpa “é do povo que não sabe votar”, e que a isso se deve a eleição de várias “figurinhas carimbadas” da política brasileira como Renan Calheiros e José Sarney (que, vale lembrar, não eram tão odiados durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, ao qual apoiavam). Porém, por que eles não questionam o motivo de existir “gente que troca o voto por um prato de comida”? Afinal, quem faz isso obviamente come pouco ou nada – então, o combate à fome já ajudaria a diminuir esse problema. (Só que aí os mesmos que reclamam das pessoas que vendem o voto diriam que é “populismo”.)

Por outro lado, também foi decepcionante a atitude acrítica de muitos petistas (inclusive Paulo Paim), justificando o apoio do partido à eleição de Renan e dizendo que os contrários são “tucanos”. Seus argumentos podem ser resumidos em poucas palavras: “temos de garantir a governabilidade, porque o PT não tem maioria no Congresso”. Sim, é verdade, mas então por que o partido não se mobiliza nas eleições para aumentar sua bancada, de modo a não depender mais de PMDB e afins? Depois de 10 anos no governo, parece que boa parte do PT ingressou numa “zona de conforto”, achando que “em time que está ganhando não se mexe”: o problema de pensar dessa forma é só perceber os erros após uma derrota.

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8 comentários sobre “Sobre a eleição de Renan Calheiros à presidência do Senado

  1. Teríamos que ver os mapas de votação para saber quem elegeu o Renan. Suspeito que não foi gente que troca voto por prato de comida não. Os eleitores, sejam de qual grupo ou renda forem, votam para defender seus interesses.

  2. PT caminha para dispensar o Suplicy e apoiar KAssab no senado, abandonar candidatura própria ao governo de SP pelo Temer… Fazem alianças que elegem deputados do PP, PR, PSD… E depois não entendem porque tem minoria. Aliás, entendem e estão confortáveis, podem continuar a governar pela direita com seus aliados queridos e isto serve dedesculpa pra militância fanática dizer que “fazemos o que podemos”.

  3. Posso até discordar do voto do senador Paim, mas tem algo muito elogiável ao declarar ter votado no Renan: sua honestidade.
    O voto é secreto, logo poderia ter votado e não dizer. Esperavam 31 votos para o senador Taques e só foram computados 18, muitos disseram qie votariam com ele e não votaram. Sendo aqui da aldeia o Paim sabia muito bem a repercussão de sua declaração de voto, ainda mais sendo entrevistado pela “tradicional” mídia gaudéria.
    Não concordo com o voto mas elogio sua postura, por sinal existe um projeto para que os votos não sejam secretos e o autor do projeto não é a Ana Amélia nem o Simon, o autor deste projeto é o Paim…

    • Verdade…

      Inclusive, por esse ponto de vista o Paim foi MUITO coerente: é a favor do fim do voto secreto dos parlamentares (afinal, precisamos saber se eles realmente nos representam), e assim abriu seu voto mesmo não sendo obrigado a fazê-lo.

  4. Pingback: Feliz 2014? | Cão Uivador

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