Pedra cantada há quatro anos

Porém, como ninguém está livre de nada, e se acontecer algum problema que impeça Hugo Chávez de continuar, quem o substituirá? Não há a preocupação de se lançar novas lideranças dentro do próprio partido de Chávez, que possam sucedê-lo sem dificuldades.

Escrevi o parágrafo acima em fevereiro de 2009, quando os venezuelanos aprovaram, em referendo, o fim do limite de reeleições consecutivas para cargos executivos. Foi, aparentemente, uma vitória do presidente Hugo Chávez.

Ao contrário do que os ingênuos acreditam, a medida não beneficiou apenas Chávez: a mudança foi na constituição, ou seja, todos os ocupantes de cargos executivos na Venezuela podem concorrer indefinidamente à reeleição. Logo, prefeitos e governadores oposicionistas também se deram bem.

Mas o principal motivo pelo qual a vitória foi aparente, agora é entendido – embora não sem aviso, como prova o texto de quatro anos atrás. Antes da emenda constitucional ser aprovada, Chávez não poderia ser candidato à presidência em 2012. Desta forma, seu partido precisaria se preocupar em formar novas lideranças em condições de dar continuidade a seu projeto político – o que seria ótimo para o chavismo, que deixaria de ser vinculado apenas a Chávez.

Não foi o que aconteceu: com Chávez podendo concorrer indefinidamente, a possibilidade dele não ter condições de continuar na presidência acaba gerando uma grande incerteza na Venezuela. Caso a emenda não tivesse sido aprovada em 2009, na próxima quinta-feira um novo presidente (provavelmente vinculado ao chavismo) seria empossado em situação que, embora não de normalidade (afinal, Chávez estaria ausente da cerimônia de transmissão do cargo devido às suas condições de saúde), seria bem mais tranquila em termos políticos.

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