Meus jogos no Olímpico Monumental: 1998

Para os gremistas, 1998 começava com o sonho da Libertadores. Era o quarto ano consecutivo em que o Tricolor disputava a competição sul-americana, feito conseguido por poucos clubes brasileiros.

Porém, algo incomodava. Estava no banco de reservas e atendia pelo nome de Sebastião Lazaroni. O técnico da Seleção na Copa de 1990 (quando o Brasil caiu nas oitavas-de-final diante da Argentina) não era visto com bons olhos pelos gremistas. Em sua coluna no Correio do Povo em 29 de novembro de 1997 (poucos dias após a contratação do técnico), Hiltor Mombach dizia que “onze em cada dez gremistas” eram contrários à vinda de Lazaroni; mas ao mesmo tempo recomendava que ao menos se deixasse o técnico trabalhar, antes de detoná-lo.

Assim se fez. E Lazaroni ficou até maio, quando após a eliminação do Campeonato Gaúcho foi substituído por Edinho, que durou igualmente pouco: no início de agosto, com o Grêmio já eliminado da Libertadores, chegou Celso Roth, que tirou o time da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro e o levou às quartas-de-final. O Tricolor terminou o ano sem ganhar absolutamente nada, o que não acontecia desde 1992.

20. Grêmio 2 x 0 Linhares (Copa do Brasil, 18 de fevereiro)

Apesar do óbvio favoritismo gremista, o Linhares tinha uma esperança naquela noite de quarta-feira: empatar. A igualdade sem gols levaria a decisão da vaga aos pênaltis, por repetir o 0 a 0 da semana anterior no Espírito Santo; já um empate com gols classificaria o clube capixaba.

Sendo assim, o Linhares armou uma senhora retranca, que o Grêmio levou certo tempo para conseguir furar e terminar o primeiro tempo em vantagem: 2 a 0 e onze jogadores contra oito do adversário, que teve três expulsos em 45 minutos. No início do segundo tempo o goleiro e mais outro jogador do Linhares alegaram lesão, e como o time já fizera todas as suas substituições, o adversário ficaria com apenas seis em campo, menos que o permitido pela regra: assim o árbitro encerrou a partida bem antes da hora.

21. Grêmio 1 x 0 Vasco (Taça Libertadores da América, 4 de março)

O torcedor gremista mais supersticioso tinha motivos para se sentir confiante quanto à Libertadores de 1998: a data e o local da estreia. Afinal, fora também num 4 de março, no Olímpico, que se iniciara a campanha vitoriosa de 1983, com um empate em 1 a 1 diante do Flamengo.

Desta vez, no Olímpico lotado, o adversário era o arquirrival daquele de 1983: o Vasco. O resultado também foi diferente: vitória por 1 a 0, gol de Guilherme.

22. Grêmio 2 x 0 Chivas (Taça Libertadores da América, 31 de março)

Menos de uma semana após levar 3 a 0 do Vasco em São Januário, o Grêmio podia já garantir a classificação às oitavas-de-final (passavam os três primeiros num grupo de quatro, uma barbada) se vencesse o Chivas Guadalajara, do México.

Os dois gols foram marcados no segundo tempo. O primeiro foi de Ronaldinho, logo no começo; foi também dele o passe para Beto fechar o placar, dez minutos após o primeiro gol.

23. Grêmio 6 x 0 Inter-SM (Campeonato Gaúcho, 18 de abril)

Em 1998, o Grêmio estreou no Gauchão apenas em abril. Logo, a partida contra o Inter-SM era a segunda do time no campeonato. O clube de Santa Maria voltava à primeira divisão estadual depois de alguns anos longe, mas assim como o Santa Cruz em 1997, deu um baita azar no reencontro com o Grêmio: 6 a 0.

24. Grêmio 0 x 2 São Paulo (Copa do Brasil, 21 de abril)

O Grêmio tinha levado 2 a 0 em São Paulo, e precisava vencer por três gols de diferença para seguir na Copa do Brasil. Mas, antes da metade do primeiro tempo o destino gremista já foi definido: com 20 minutos, o São Paulo vencia por 2 a 0. Irritado com o mau futebol do Grêmio, esqueci aqueles jogos de 1995 e 1996, e saí muito cedo do Olímpico.

25. Grêmio 2 x 0 Santa Cruz (Campeonato Gaúcho, 3 de maio)

Jogo pela última rodada da primeira fase do Gauchão, que certamente teria caído no esquecimento não fosse minha lista…

26. Grêmio 1 x 2 Brasil de Pelotas (Campeonato Gaúcho, 9 de maio)

Depois daquela dramática semifinal de 1997, Grêmio e Brasil voltavam a se encontrar em um “mata-mata” de Gauchão. Desta vez, com um clima bem mais quente: no jogo de ida, disputado três dias antes no Bento Freitas, o técnico gremista Sebastião Lazaroni insinuara que os jogadores do Xavante estariam dopados, ao dizer o que achara do empate em 0 a 0.

Resultado: na tarde daquele sábado, o Brasil de fato jogou dopado. Mas foi um doping diferente, moral, aplicado justamente pelo técnico gremista. O Grêmio acabou eliminado ao perder por 2 a 1 para um Xavante mais motivado do que nunca. Depois do jogo, Lazaroni foi demitido.

27. Grêmio 2 x 1 Peñarol (Amistoso, 19 de julho)

Como parte das comemorações pelos 15 anos da conquista da primeira Libertadores, o Grêmio decidiu fazer um amistoso contra o Peñarol, adversário naquela decisão. Repetiu o resultado de 1983 com o segundo gol sendo marcado pelo atacante francês Danlaba Mendi: é verdade que a França estava em alta no futebol (uma semana antes ganhara a Copa do Mundo), mas Danlaba viera sei lá de onde; e depois da estreia gremista no Campeonato Brasileiro (derrota para o Inter por 1 a 0 no Beira-Rio, no único Gre-Nal de 1998), não lembro de tê-lo visto vestir novamente a camisa do Grêmio.

28. Grêmio 1 x 1 Palmeiras (Campeonato Brasileiro, 29 de agosto)

Grêmio x Palmeiras foi marcado por reencontros. Primeiro, do próprio adversário: a última partida no Monumental fora nas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro de 1996. Voltava também, na casamata palmeirense, o técnico Luiz Felipe Scolari, que não pisava o gramado do Olímpico desde a decisão daquele mesmo campeonato. E Paulo Nunes, que deixara o Grêmio na metade de 1997, retornava vestindo a camisa do Palmeiras.

As situações eram bem distintas também. Se Palmeiras, Luiz Felipe e Paulo Nunes tinham estado no Olímpico pela última vez em tempos de vitórias gremistas, naquele 29 de agosto de 1998 o Grêmio vivia uma situação difícil: ocupava a lanterna do Campeonato Brasileiro, com apenas 5 pontos ganhos em 24 disputados, todos eles em empates (a última vitória fora naquele amistoso contra o Peñarol, e não vencia um jogo oficial desde maio).

Também foi muito diferente o sentimento da torcida em relação a Felipão e Paulo Nunes. O primeiro foi muito aplaudido, e ouviu muitos gritos de “volta”. Já o segundo foi vaiado, por ter supostamente declarado que “finalmente jogava num clube grande” quando de sua chegada ao Palmeiras.

Mas foi justamente Paulo Nunes que marcou o primeiro gol da partida: na comemoração, correu para a social do Grêmio e beijou o distintivo do Palmeiras, aumentando a ira da torcida. Zé Alcino empatou, e o jogo acabou, mais uma vez, sem vitória gremista. Mas a garra que teve o Tricolor na partida dava a certeza de que, logo, o jejum seria encerrado.

29. Grêmio 3 x 2 Santos (Campeonato Brasileiro, 13 de setembro)

A impressão que tive ao final do jogo com o Palmeiras não estava errada. Depois daquele empate, o Grêmio reencontrou as vitórias, em dois jogos no Olímpico. “Tirou o atraso” metendo 5 a 1 na Universidad Católica pela Copa Mercosul, e bateu o Vitória por 2 a 1, vencendo a primeira no Campeonato Brasileiro. Contra o Santos poderia vir a terceira vitória consecutiva, algo impensável duas semanas atrás.

E ela veio. Com destaque para Clóvis: o atacante que seria mais lembrado por aquele golaço de voleio contra o Corinthians dois meses depois, teve grande atuação contra o Santos. Marcou o primeiro gol, e deu os passes para os outros dois, de Itaqui e Ronaldinho.

30. Grêmio 2 x 1 América-MG (Campeonato Brasileiro, 27 de setembro)

Bem que poderia se fazer uma camiseta alusiva a esta partida, do tipo “Único gol de Loco Abreu pelo Grêmio: eu vi”. O centroavante uruguaio empatou o jogo, mas naquela mesma partida, foi expulso. O gol da virada foi marcado por Itaqui, aos 41 do segundo tempo.

Loco Abreu só voltaria a marcar um gol no Olímpico 13 anos depois, jogando pelo Botafogo. O uruguaio foi embora no início de 1999, apenas com o gol de empate contra o América no currículo: considerando seu elevado salário, certamente aquele é um dos gols mais caros da história do Grêmio.

31. Grêmio 0 x 1 Corinthians (Campeonato Brasileiro, 15 de novembro)

Incrivelmente, o Grêmio estava nas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro. Primeiro, por ter começado tão mal o certame, passando várias rodadas na zona de rebaixamento. Depois, pelo que aconteceu na última rodada da primeira fase: para se classificar, precisava vencer a Portuguesa no Olímpico e torcer por uma difícil combinação de resultados. Deu tudo certo, e o Tricolor foi adiante.

Como oitavo colocado da primeira fase, caberia ao Grêmio encarar o Corinthians, melhor time da primeira fase. A torcida estava entusiasmada com a possibilidade de um inacreditável título nacional, até que Rincón, aos 33 do segundo tempo, marcou o gol da vitória corinthiana.

(Em 1998 o regulamento do Campeonato Brasileiro era diferente: os “mata-matas” não eram mais em dois, mas sim em três partidas. Assim, no jogo seguinte o Grêmio só seria eliminado caso perdesse novamente; um empate garantiria a terceira partida, embora com necessidade de vencer por dois gols de diferença. Porém, na tarde de 21 de novembro o Tricolor foi além e fez 2 a 0, com dois golaços: Itaqui de falta, e Clóvis de voleio. No último e decisivo jogo, dia 25, podia empatar, mas perdeu por 1 a 0 e acabou eliminado.)

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Estatísticas de 1998:

  • Jogos: 12
  • Vitórias: 8
  • Empates: 1
  • Derrotas: 3
  • Gols marcados: 22
  • Gols sofridos: 10
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