A Arena e o caos

No dia 8, consegui ingresso de última hora e fui à inauguração da Arena do Grêmio. Como já disse, o estádio é belíssimo, apesar dos problemas que, acredito, logo deverão estar resolvidos, como o número reduzido de bares e banheiros (apesar deles não terem filas, ainda são poucos que estão funcionando).

Aquele dia fui de van, que o Hélio já tinha acertado. Assim, não tive uma real ideia do que é ir à Arena dependendo do transporte público. A oportunidade veio na noite da quarta-feira, quando fui assistir ao Jogo Contra a Pobreza (leia-se “Zidane”).

Ir até lá não foi o maior problema: afinal, o pessoal chega em horários variados. Difícil mesmo foi na hora de ir embora, quando todo mundo sai junto. Simplesmente não havia orientação alguma: queria pegar um táxi, e não sabia onde eles estavam parando. Foi dito que na saída pela rampa sul se encontraria ônibus, lotação e táxi: só havia lotações abarrotadas (e paradas num congestionamento que não andava). Ônibus, só fretados. E táxi, nenhum.

Decidimos tentar o trem. Chegamos à estação, já havia uma multidão, e pelo horário, o trem que ali estava era o último – ou seja, não conseguiríamos pegar. É verdade que fizemos então uma senhora burrada: ao invés de voltarmos até a Avenida A. J. Renner – que era por onde a maioria das pessoas estava indo embora – seguimos pela semideserta Avenida Ernesto Neugebauer, que é onde fica o acesso à estação. Porém, ninguém – nem mesmo um brigadiano para o qual pedimos informações – disse que o caminho que faríamos era um péssimo negócio.

Resultado: no total, caminhamos 3,4 quilômetros até conseguirmos um táxi – um ótimo exercício em situações normais, mas não quando se está cansado e é quase meia-noite.

Já sei que na próxima vez que for à Arena devo fazer outro caminho na hora de ir embora. Mas imaginem um jogo que termina à meia-noite no meio da semana. Chegarei em casa perto das duas da manhã, precisando acordar às sete: haja café para aguentar o dia! Isso que nem falei de quem mora na Zona Sul de Porto Alegre…

Será esse caos em todos os jogos de grande público na Arena em 2013. Pois as obras que tornarão mais fácil o acesso não ficarão prontas em dois toques.

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Outra coisa que já tinha me chamado a atenção, e que o Alexandre (que dividiu táxi comigo na ida) comentou: a Arena causa um contraste social absurdo naquela região, pois é um estádio moderníssimo junto a um bairro pobre. Claro que a população está gostando, pois a maior movimentação é uma boa oportunidade de negócios (os bares vão faturar bastante nos dias de jogos), mas muitos dos novos vizinhos do Grêmio não têm condições de pagar os valores de ingressos e mensalidades para assistir aos jogos na Arena.

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3 comentários sobre “A Arena e o caos

  1. Este relato intitulado “a arena e o caos” é mais uma demonstração do modo como estão os empreendimentos urbanos da cidade de Porto Alegre. isolados. As “coisas” estão a revelar que falta uma gestão, na prefeitura, com uma plano de governo que trabalhe para a cidade e todos os seus cidadãos, que rompa com esta política feudal estabelecida. Nesse sentido, hoje,ouvi de um motorista do T11-Perimetral (percurso Juca Batista-Aeroporto) quando próximo a Sertório, onde termina a perimetral, em forma de um funil, ele disse:” Porto Alegre é um beco, sem entrada e sem saída”. Falta uma visão holística por parte de todos os “atores sociais”, em especial dos empresários de diferentes campos (comércio, hotelaria, turismo, esporte, transporte …etc.), todos submetidos a lógica dominante das construtoras e de seus serviçais burocratas e parasitários.

  2. Esse problema de “vizinhança pobre” perto do estádio em breve irá acabar. Dilma e Lula, logo, logo, vencerão o jogo contra a pobreza. Apesar do juiz estar roubando e a TV não mostrar os melhores lances.

  3. Pingback: Será o fim da avalanche? | Cão Uivador

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