Uma praça vazia

Praça Dr. Júlio de Aragão Bozzano, bairro Santana, Porto Alegre. Vazia em uma tarde de sol.

No fim da tarde de ontem, passei por essa praça. Era quase seis da tarde: no inverno já é noite, mas no final da primavera, com o horário de verão, ainda tem bastante sol. Mesmo assim, não havia nenhuma criança brincando.

Impossível não lembrar dos meus tempos de infância. Era “sagrado”: às quatro da tarde, estava na rua com meus amigos. Jogávamos futebol, apostávamos corrida de bicicleta… Brincávamos ao ar livre, à sombra dos jacarandás da Rua Pelotas. No inverno “descíamos” de nossos apartamentos um pouco mais cedo, visto que a tarde “durava menos” – mas lembro que adorava ficar na rua até anoitecer totalmente.

O que mudou? Engana-se quem pensa que a culpa é da televisão, do videogame etc.: já tínhamos tudo isso (faltava o computador, é verdade). Mas não abríamos mão de brincar na rua. A diferença, mesmo, é que não havia esse medo irracional da violência que temos nos dias atuais. Lembro bem que já se falava em ladrões e assaltos, mas isso não era suficiente para nos deixar trancados em casa.

Hoje, abandonamos as ruas: o espaço público, que deveria proporcionar a convivência entre as pessoas, torna-se cada vez mais apenas área de passagem. E por isso mesmo, mais perigoso.

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