Carro pra quê?

Terça-feira era dia de aula na especialização. Assim, ao invés de sair do trabalho e voltar a pé para casa, embarquei em um ônibus da linha T1.

Na hora de descer, me deparei com o par de olhos mais lindo que já vi. Até agora me pergunto se o rosto dela era tão belo assim, ou se era só reflexo daqueles olhos verdes…

Isso também me faz perguntar: comprar um carro, pra quê? Quando saio com os amigos, também me acompanha a cerveja – o que me deixa inapto a voltar dirigindo. Assim, melhor pegar carona com quem não bebe, ou um táxi, ou até ônibus no caso deles ainda passarem.

Usar carro durante a semana, para ir e voltar do trabalho? Nem pensar. Se andando a pé (ou de ônibus, como na última terça) já sou estressado ao extremo, imaginem dirigindo no “fantástico” trânsito de Porto Alegre? Isso não iria acabar bem.

De qualquer forma, adoro andar de ônibus, apesar dos pesares (como os constantes aumentos na passagem que não correspondem a uma melhoria no serviço – o que motiva mais gente a usar o carro no dia-a-dia). Ao contrário do Milton Ribeiro, não consigo ler durante o trajeto (embora eu siga insistindo em levar um livro toda vez que viajo de ônibus), então procuro observar as pessoas, as paisagens. Olho tanto para fora como para dentro do ônibus, e vejo tanto coisas ruins como boas.

Quando se está dirigindo, por sua vez, é impossível fazer tais observações sem correr sérios riscos. A única coisa que interessa é saber a distância do carro da frente, cuidar a velocidade, a sinalização etc. E a coisa piora quando o trânsito está caótico. Enfim, acho um saco dirigir na realidade, esse negócio que acontece fora das propagandas de automóveis.

Sem contar que dirigindo não há a possibilidade de poder observar um belo par de olhos verdes: se olhar demais, o sinal é que fica verde e preciso acelerar para não ser xingado até a quinta geração.

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3 comentários sobre “Carro pra quê?

  1. Pingback: Sul 21 » Carro pra quê?

  2. Eu larguei a dependência de carros há um tempo, e posso dizer que minha qualidade de vida melhorou. Faço mais exercício indo ao trabalho de bici, saio e posso aproveitar minha cervejinha sem correr riscos ou sentir culpa e concordo com o autor: estou menos estressado.

  3. Também “larguei” o carro. Faz um tempo que utilizo o T1 ou lotação para o deslocamento diário ao trabalho. Mas, há aproximadamente dois anos, passei a utilizar bicicleta, apesar da inexistência de condições físicas e sociais para este meio de transporte em Porto Alegre. Em dias de chuva, aciono um grande guarda-chuva e utilizo T1 ou lotação. Aliás, andar na chuva com guarda-chuva chega a ser prazeroso. O carro? Passa a maior parte do tempo na garagem. Só o manejo uma ou duas vezes por semana. Enfim, estou amadurecendo a ideia de livrar-me dele. Quando for absolutamente necessário para viajar, talvez seja mais econômico alugar um veículo.

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