A degradação total da Veja

Em novembro de 1978, Lílian Celiberti, seus dois filhos e o recentemente falecido Universindo Díaz foram sequestrados em Porto Alegre em uma operação clandestina conjunta que envolveu brasileiros e uruguaios ligados à repressão política. O acontecimento é relatado no excelente livro Operação Condor: o sequestro dos uruguaios, de Luiz Cláudio Cunha.

Lílian e Universindo provavelmente seriam mortos, e as crianças, entregues a famílias de torturadores no Uruguai. Isso só não aconteceu porque Luiz Cláudio, repórter da Veja naquela época, recebeu uma ligação anônima alertando sobre o sequestro e foi ao apartamento do casal acompanhado de João Baptista Scalco, fotógrafo da Placar (que reconheceu facilmente Didi Pedalada, ex-jogador do Inter que tinha entrado para a polícia e participava da ação). A inesperada visita do jornalista e do fotógrafo resultou em várias reportagens que salvaram as vidas de Lílian e Universindo, além de garantirem a permanência das crianças junto à verdadeira família delas. Em plena ditadura militar.

34 anos depois, definitivamente, daquela Veja só restam as lembranças.

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Você pode até achar que não se deve dar tanta importância assim à Veja. Porém, basta lembrar que ela tem a maior tiragem do país, e que mesmo quem não assina corre sério risco de a ler em salas de espera de médicos, dentistas etc. São raros os consultórios que não nos “premiam” com a presença dela.

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