“¿Será peor que el 23 de agosto?”

Fevereiro de 2006. Andava pelas ruas ruas centrais de Montevidéu com meu pai e meu irmão, e o que não faltava era vendedores de guarda-chuva, apesar do tempo não estar com cara de chuva. Mas bastava nos aproximarmos de um deles que se ouvia o prognóstico, acompanhado de uma cara preocupada:

– Viene un ciclón, puede ser peor que el 23 de agosto.

Outro pedestre passava e perguntava, mais assustado:

– ¿¿¿Será peor que el 23 de agosto???

A preocupação dos montevideanos não se dava a toa. Em 23 de agosto de 2005, o Uruguai fora atingido por um violento e destrutivo ciclone (vídeo abaixo) com rajadas de vento acima de 150km/h, que deixou um saldo de sete mortes e uma população traumatizada, que não podia ouvir falar em ciclón sem sentir medo.

Sabendo do que acontecera naquele 23 de agosto, decidimos não arriscar: compramos um guarda-chuva para cada um, mesmo sabendo que ele não adianta de nada quando venta muito. A tempestade veio no dia seguinte, e esperamos o vento mais forte passar abrigados no saguão de entrada de um prédio na Praça Independência: não notamos nenhum estrago nas ruas após a ventania, que ficou muito aquém do ciclone de seis meses antes.

Não voltei a Montevidéu desde aquela visita. Mas só imagino que, na última quarta-feira, certamente o que não faltou foi gente lembrando do 23 de agosto de 2005 devido a mais um ciclone, que matou três pessoas e causou muitos danos. Na Praça Independência, o vento era tão forte que a única maneira de atravessar uma rua era se agarrando em uma corda.

Dentre os feridos pelo ciclone, se encontra o próprio presidente do Uruguai: José Mujica machucou o nariz ao ajudar um vizinho que teve a casa destelhada. (Aliás, alguém me diga se outro Chefe de Estado que não o Pepe sairia em meio a um vendaval para ajudar alguém…)

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3 comentários sobre ““¿Será peor que el 23 de agosto?”

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