Para que servem prefeitos e vereadores?

O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei.

As frases acima foram ditas por Tiririca, atual deputado federal pelo PR de São Paulo, durante a campanha eleitoral de 2010. E por mais bizarro que pareça, acho que ele teve um grande mérito: escancarou ao Brasil que muita gente não sabe qual é a função das pessoas que elegem a diversos cargos.

Isso fica muito claro quando leio uma notícia no portal do jornal O Globo, sobre o engajamento de grupos conservadores na atual campanha eleitoral: estes pedem a seus simpatizantes que votem em candidatos contrários à descriminalização do aborto, direitos homossexuais etc. E os principais candidatos a prefeito, aqui em Porto Alegre, buscam aproximação com grupos religiosos.

Pois bem: um(a) prefeito(a) ser a favor ou contra a descriminalização do aborto em nada influencia a cidade que ele vai administrar. Vale o mesmo para os vereadores, visto que a legislação sobre o aborto é federal, e não municipal.

Candidato em eleição municipal tem de apresentar projetos para sua cidade, e não fazer discursinho moralista. Sou favorável à descriminalização do aborto, mas sei que debater este assunto em âmbito eleitoral é coisa para 2014 – e lembrando que isso é da alçada do Poder Legislativo (ou seja, o Congresso Nacional), não do Executivo.

Agora, quanto ao uso eleitoral da religião… Faço minhas as palavras do sociólogo Ottomar Peske: “Isto é oportunismo. A boa fé não permite expedientes ao lado de religiosos ou atos políticos com religiões. Isso trabalha com mensagem no campo da subjetividade, é má fé”. Afinal de contas, o Estado é laico, e assim os governantes e legisladores devem atuar visando o bem comum, acima de todas as crenças religiosas (e mesmo da não-crença de pessoas como eu).

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