Não tem de interditar?

Nos últimos meses, a principal polêmica que se dá no Rio Grande do Sul é sobre as condições do Beira-Rio receber jogos enquanto duram as obras visando à Copa de 2014. O Internacional jura que o estádio é seguro (jurem ou não, depois de ver uma rachadura como a do vídeo acima eu pensaria umas mil vezes antes de ir ao Beira-Rio), enquanto o Ministério Público pediu a interdição.

Logo que se soube do pedido de interdição por parte do MP, começaram as acusações de que o procurador responsável pela ação era gremista, e que por isso, seria “tendencioso”. Uma discussão que teria de se dar no âmbito da engenharia e dos órgãos de segurança, acabou se “grenalizando” – aliás, o que tem sido a norma nos últimos anos em todas as questões envolvendo Grêmio ou Inter.

Esse é o maior problema: se a decisão desagrada aos colorados, é porque tal instituição é “gremista”; e vice-versa. Daqui a pouco teremos de “importar” procuradores para decidir algo que envolva Grêmio ou Internacional. (E ainda assim eles serão acusados de serem “gremistas” ou “colorados”.)

Esta “grenalização” é tão absurda que em outubro do ano passado, quando a FIFA decidiu que Porto Alegre não sediaria jogos da Copa das Confederações de 2013, os fanáticos dos dois lados começaram a se acusar: os gremistas diziam que a culpa era do Inter por conta da paralisação nas obras do Beira-Rio (a reforma parou por mais de 200 dias devido ao impasse com a Andrade Gutierrez); já os colorados acusavam o Grêmio de “conspirar” para que a Copa do Mundo fosse realizada na Arena. Foi uma discussão que se caracterizou pela legítima demência de ambos os lados.

Para a Copa do Mundo, “cago e ando” (sempre achei que era um péssimo negócio para o Brasil). Mas quanto à questão da reforma no Beira-Rio (atraso, realização de jogos etc.), o culpado maior é o próprio Inter (embora saiba que vai aparecer algum colorado fanático para dizer que a culpa é do Grêmio).

No caso da assinatura com a Andrade Gutierrez, a obra parou em junho de 2011. O contrato só foi firmado em março de 2012, após a empreiteira ser pressionada pela presidenta Dilma Rousseff, quando quem deveria ter posto a construtora “contra a parede” era o Inter.

Quanto à realização de jogos, era mais do que natural a necessidade de se fechar o Beira-Rio para as obras, ou pelo menos para parte delas: quando o Maracanã passou por reformas para o Pan de 2007, ficou fechado por um ano, sendo reaberto quando o anel inferior já estava reconstruído (faltando apenas instalar as cadeiras). Logo, o Inter deveria ter feito um planejamento para mandar seus jogos fora do Beira-Rio.

Jogar no Olímpico? Até a década de 1990 seria possível (tanto que era natural um clube jogar no estádio do outro quando o seu era interditado por qualquer motivo). Agora, com a demência que tomou conta de parte das duas torcidas (mandar jogos na casa do rival é visto como “chance de detonar o patrimônio deles”), tornou-se impossível. Tanto que eu fui contra o Grêmio emprestar o Monumental, por não querer vê-lo depredado em seu último ano (já basta a dor que me causa a sua demolição dentro de poucos meses).

Espero que, caso o bom senso não prevaleça agora, isso aconteça pelo menos durante o Gauchão (em 2013 ele será ainda mais “interminável” que em 2012: irá de 19 de janeiro a 19 de maio), e o Beira-Rio seja fechado. Mas tenho certeza de que vai aparecer algum colorado fanático para dizer que o meu conceito de bom senso é gremista.

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4 comentários sobre “Não tem de interditar?

  1. Gremistas estão recalcados pq queriam a Copa na Arena, essa oscilação é natural, é programado pela engenharia moderna.
    Mas aquele promotor é tendencioso, é gremista de carneirinho.

  2. Pingback: Sul 21 » Não tem de interditar?

  3. Rodrigo, parabéns ! Isso retrata bem como o Ministério Público não está nem um pouco preocupado com o que possa acontecer. Acho que só vão tomar uma providêcia quando acontecer uma tragédia ! Tem que interditar o Beira-Rio sim !

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