Desperdício olímpico

Quase caí da cadeira quando li a notícia: o velódromo construído no Rio de Janeiro para os Jogos Pan-Americanos de 2007, que custou R$ 14 milhões, vai ser demolido. O motivo: não atende aos padrões exigidos para os Jogos Olímpicos de 2016.

Devido à grana violenta que se gastou nas obras para o Pan, o bom senso indicava que elas também visassem a uma possível organização dos Jogos Olímpicos no Rio (além da Copa do Mundo), visto que já se sabia que a cidade era candidata a sediar o evento. Porém, vemos instalações novas serem descartadas pelo simples fato de que “não servem mais”. Já deu para perceber que o bom senso inexiste na organização da Copa e da Olimpíada.

Mas o maior símbolo deste “desperdício olímpico” é uma obra mais voltada à Copa do Mundo do que aos Jogos Olímpicos: trata-se da reforma do Maracanã.

O estádio foi reformado para o Pan entre 2005 e 2007, e chegou a ficar um ano fechado. Os custos foram elevadíssimos, e ainda assim a reforma não atendia aos padrões exigidos pela FIFA para uma Copa do Mundo (detalhe: quando a obra começou, já se sabia que o Mundial de 2014 seria na América do Sul, e o principal, que a organização provavelmente caberia ao Brasil). Resultado: teve início em 2011 a nova reforma do Maracanã, que irá desfigurá-lo (o que considero um verdadeiro crime contra o futebol brasileiro) e ainda o torna, talvez, o estádio mais caro do mundo.

O “novo Maracanã” servirá também para a Olimpíada de 2016. Se bem que não me surpreenderei caso anunciem que ele precisará passar por uma pequena reforma para os Jogos…

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