Atender telefone, essa chatice

Sou uma pessoa que não consegue fazer duas ou mais coisas ao mesmo tempo, sem perder o foco. Quando faço algo, preciso me concentrar naquilo, e qualquer interrupção já atrapalha bastante.

Não por acaso, detesto atender telefone. Pois não há nada que tire mais a concentração que o toque do aparelho.

No trabalho, o telefone toca muitas vezes ao dia na minha sala, procuro atender o máximo possível (como tem dois ramais, já aconteceu dos dois tocarem ao mesmo tempo, me obrigando a escolher um). Obviamente o toque atrapalha quando se está ocupado, mas como atender à chamada também é uma tarefa…

Em casa, aí sim, detesto muito quando o telefone toca. É um pé no saco. Arrisco dizer que 90% das vezes que atendo o fixo, tal fato apenas me interrompe. Geralmente a ligação não é para mim (eis um dos maiores males de não morar sozinho), ou é algo nada urgente que poderia muito bem ser dito por e-mail ou mensagem no celular. E pior ainda, pode ser aquela chateação do telemarketing (o legítimo SPAM por voz), que me faz, no celular, recusar quase todas as chamadas quando vejo que o número começa por “011”, visto que a maioria das ligações de telemarketing é de São Paulo (ainda bem que não moro lá, facilita um monte).

Além do simples fato do toque incomodar uma barbaridade, tem outra coisa muito estressante no telefone: é o seu caráter de urgência (e se ele toca no meio da madrugada, noticia boa não é). Quando faço alguma ligação, é porque se trata de algo que “não pode esperar”. Se preciso de uma informação em pouco tempo (ou reclamar que a pizza ainda não chegou), não posso mandar um e-mail e torcer para que o destinatário esteja conectado na hora e já responda. Nesses casos, o telefone é, sim, muito útil.

Porém, a maioria das ligações não se deve a coisas urgentes. Tem gente que telefona por bobagem, para “pôr o papo em dia” (quando seria bem melhor visitar a casa da pessoa com quem se quer falar quando ela mora na mesma cidade) etc. Sem contar o maldito telemarketing: se eu quisesse algo que me oferecem pelo telefone, já teria comprado sem que precisassem me ligar.

Mas se atender telefone é um saco, poderíamos simplesmente deixá-lo tocar, né? E há os mais variados motivos para isso: por se estar tomando banho, fazendo uma refeição (eu já não gosto de atender, e quando estou comendo detesto ao quadrado), na cama (dormindo ou fazendo algo bem melhor do que atender telefone), ou simplesmente tão ocupado a ponto de não poder parar o que está sendo feito.

Na próxima ligação, porém, virão as cobranças: nossas mães (na minha família, vale também para minha avó) acham que levamos um tiro e estamos à beira da morte sem ninguém para ajudar, e por conta disso nos xingam por causa “do susto que demos”; namoradas acham que estamos com amantes; e chefes, que lemos este texto quando teríamos de estar trabalhando.

Ou seja, atender o telefone é um saco. Mas não atender pode ser bem pior…

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5 comentários sobre “Atender telefone, essa chatice

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  2. E quando tu recebe ligação de número privado? Eu não atendo. Estava recebendo várias e sempre recusando, até que depois de duas semanas decidi atender e pediram para falar com um tal de Gilson. Disse que era engano. Ligaram de novo dois dias depois, expliquei que era engano, que já estavam me ligando várias vezes e que estavam com o número errado. Quando perguntei de onde era (parecia ser uma loja) desligaram. Na outra semana, quando me ligaram e pediram pra falar com o Gilson, mandei direto tomar no **. Só recebi de resposta “VAI TU TOMAR NO..” e desliguei. Nunca mais ligaram. eheheheh

  3. Nossa, disse tudo. Odeio atender o telefone. Assim como as outras duas pessoas lá de casa. Aliás, na maioria das vezes não o atendemos. Se for realmente necessário, que liguem para o celular!

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