Mil cruzados

Ano passado, após aquele histórico Grêmio x Flamengo, Ronaldinho minimizou os xingamentos da torcida gremista contra ele, dizendo que “era nada perto do barulho feito pela torcida do Mengão“. Mas, ao gritar palavrões após a (merecida, diga-se de passagem) vitória do Atlético-MG por 1 a 0 no Olímpico, ele demonstrou que os apupos o incomodam muito.

Eu era a favor de não vaiarmos Ronaldinho com a mesma belicosidade do ano passado (e de fato, não URREI igual àquele 30 de outubro): ele era apenas mais um adversário no início da noite de domingo. Só que, como o torcedor costuma ser passional, os xingamentos aconteceram – com menor intensidade em relação ao ano passado, mas ainda assim houve muitas vaias e gritos de “pilantra”. E no fim a atitude da torcida gremista acabou sendo de grande utilidade: ao causar a reação do jogador, provou que eu estava errado e que ele merece, sim, ser rejeitado por nós.

Não me darei ao trabalho de secar o Atlético-MG por conta de Ronaldinho (aliás, nunca tive antipatia alguma pelo Galo, e não seria esse jogador que me faria mudar de ideia). Nem ficarei pregando perseguição ao ex-gremista, boicote a produtos que o utilizem como garoto-propaganda (se for coisa ruim, não precisa de um Ronaldinho para que eu não compre). Melhor me preocupar com o Grêmio.

Mas, o certo é que na próxima vez que ele vier a Porto Alegre enfrentar o Tricolor, levarei na carteira uma nota de mil cruzados.

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4 comentários sobre “Mil cruzados

  1. Eu penso que o que estão fazendo com o Ronaldinho é preconceito racional e bullying. Eu não sou gremista. Fui colorada fanática até ver meu time aceitar um juiz incompetente roubar um gol para ele contra o Glória, de Vacaria. Fiquei com “vergonha alheia”. Entretanto, todos nós enfrentamos problemas no trabalho vez ou outra. Agora, um trabalho que precisa ser e é monitorado por milhares de pessoas é diferente, ainda mais se essas milhares de pessoas decidirem conscientemente destruir uma pessoa, para mim, isso é um horror. Coisa de gente doente.

  2. Eu juro que não entendo as pessoas. Xingam o cara, o cara reage e depois ainda falam “viu, eu falei que ele não valia nada”. Sou gremista, e ontem no jogo não vaiei ele uma vez que fosse. Porque concordo com teu texto anterior a esse, a partida contra o Flamengo ano passado havia servido justamente pra isso, pra expurgar tudo que havia sobre esse assunto. Agora só o que devia restar era indiferença. Por que? Bom, meu time passa por uma zica desgraçada de títulos e não temos porque nos importarmos com esse cidadão que NÃO joga no Grêmio há mais de 10 anos com tantos problemas dentro de campo pra resolver…

    Abraço

  3. Para “economizar”, respondo à Ana Carolina e ao Thales num comentário só. Mas de qualquer maneira, lembro a todos que escrevi este texto na noite de ontem, ainda sentindo o calor (literalmente) do jogo… Como diz aquele link que citei lá do Impedimento, o torcedor é passional – e nada mais HUMANO que isso.

    Sobre a tal “destruição” do Ronaldinho que a Ana diz estarmos promovendo, discordo: sinceramente, acho que ele próprio trata de autodestruir sua imagem – e nem é só em relação aos gremistas. Para terem uma ideia, um amigo meu que é flamenguista e odeia o Grêmio, ontem torceu pelo Tricolor, só por conta do agora R49. E ele que se prepare, pois dia 4 de agosto joga com o Flamengo no Rio – acho que vão conseguir lotar o Engenhão dessa vez, hehe.

    Sobre a indiferença que o Thales defende, concordo com ele. Inclusive, ontem, não gritei “pilantra” nem xinguei desesperadamente o cara – tratei-o igual a todos os outros jogadores do Atlético (vaiando quando pegava na bola pois queria que ela estivesse com o Grêmio, sem contar que por mais decadente que esteja, o Ronaldinho ainda tem capacidade de decidir uma partida num lance). Mas (de novo…), o torcedor é passional, e o pessoal xingou.

    A verdade é que a atitude do Ronaldinho foi uma grande cagada: tivesse deixado pra gritar os palavrões dentro do ônibus ou mesmo no vestiário (mas longe da imprensa), a tendência seria a animosidade esfriar dia após dia (aliás, como até já estava esfriando, ontem o clima foi bem menos hostil em relação ao ano passado). Mas com essa, provavelmente ele será ainda mais xingado na próxima vez que enfrentar o Grêmio em Porto Alegre.

    Enfim, essa não vai a nenhum dos comentaristas acima em específico, mas sim a alguns colorados (sim, alguns, pois a maioria é sensata) que está rindo dos gremistas por causa disso: lembrem-se de um sujeito chamado Nelsinho Batista, que treinava o Inter em 1996; na metade do Brasileirão, foi embora para o Corinthians dizendo que “queria trabalhar num clube grande”… Tanto que quando o Grêmio cogitou trazê-lo para ser o técnico em 2010, fui contra – e dentre os motivos, estava essa sacanagem dele com os colorados, que motivaria imensamente a torcida nos Gre-Nais. http://www.sul21.com.br/blogs/caouivador/2009/11/26/melancolico-final-de-ano/

  4. Agora, burrice maior foi a faixa xingando a mãe do Ronaldinho: o juiz relatou em súmula, e espero que o Grêmio não sofra uma punição logo no último ano do Olímpico…

    Embora seja uma ofensa equivalente às que os árbitros sofrem verbalmente da torcida, isso passou do ponto.

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