O fim da melhor feijoada da escadaria do Viaduto Otávio Rocha

Fui pela primeira vez ao Tutti Giorni num final de tarde de verão em 2008. Aquelas mesas na escadaria do Viaduto Otávio Rocha me chamaram a atenção, e pensei no quão bacana seria tomar uma cerveja ali. Ainda mais que por ser um lugar alto, bate mais vento e assim se sente menos calor.

Quando tomei aquela primeira cerveja, descobri que não era apenas um bar num lugar privilegiado. O Nani falou dos pratos que costumava servir no almoço, com destaque para o tradicional carreteiro a R$ 1,99. Mas além disso, tinha uma deliciosa feijoada. E a decoração do Tutti, então, era sensacional: inúmeros desenhos, cartuns, e mesmo caricaturas do Nani, feitas pelos cartunistas da GRAFAR que haviam adquirido o hábito de se reunir no bar todas as terças-feiras à noite. Inclusive, o Tutti só funcionava à noite nas terças-feiras – exceto no verão, quando abria em mais noites de olho nos Rodrigos da vida, sedentos por uma cervejinha gelada (com direito à deliciosa uruguaia Zillertal).

Frequentei bastante o Tutti em 2008 e 2009, época em que o meu pai morava ali perto e também costumava ir bastante ao bar. Porém, no segundo semestre de 2009 meu pai se mudou e passei a andar menos pela região; além disso, foi a época de escrever meu trabalho de conclusão na faculdade, que me fazia pensar muito menos em cerveja e muito mais no prazo cada vez mais apertado. Assim, minha frequência diminuiu bastante.

Já sabia àquela altura que o Nani corria risco de perder o bar devido a pendências com o condomínio referentes a um período em que ele esteve em coma devido a um acidente de carro. Mas imaginava que tudo iria se resolver, e o “bar dos cartunistas” continuaria ali, animando uma das escadarias do viaduto da Borges todas as noites de terça-feira. Não conseguia pensar que, um dia, iria ao Tutti Giorni pela última vez.

Pois o dia chegou. Em breve, o Nani terá de entregar o ponto. Anteontem (uma terça-feira, óbvio), o Tutti Giorni abriu pela última vez à noite, e fiz questão de passar lá e tirar com o celular mesmo algumas fotos do bar que não terei mais como frequentar – a não ser que ele reabra em outro ponto, como torço que aconteça. Mas de qualquer forma, só resta lamentar pelo fim do espaço em um lugar tão bacana, que ajudava a escadaria do viaduto a não ser um lugar tão inseguro nas noites de terça-feira – os mesmos que devem estar celebrando o “fim do barulho” certamente sentirão falta do Tutti quando o entorno ficar pouco movimentado e, consequentemente, mais perigoso.

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2 comentários sobre “O fim da melhor feijoada da escadaria do Viaduto Otávio Rocha

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