O mundo está doente

Ontem pela manhã, uma motorista que passava pela BR-116 em Canoas ouviu pela Rádio Gaúcha a notícia de que em um ponto da rodovia havia um cão abandonado, junto à mureta que separa os dois sentidos da estrada. Ao enxergar o cachorrinho, não teve dúvidas: parou o carro e o recolheu.

Foi o que bastou para ela ouvir todo o tipo de xingamento. Motoristas de outros carros bufaram pela perda de, sei lá, apenas mais alguns minutos em seu deslocamento. Provavelmente tinham ouvido a notícia sobre o cão, talvez sentissem pena dele, mas retirá-lo daquela situação perigosa… “Nem pensar, não tenho tempo a perder!”, diz o “cidadão de bem”.

Não me resta a menor dúvida de que tudo está muito errado em nossa sociedade. Cada vez mais me convenço de que imaturo não é o jovem que sonha com um mundo diferente, e sim, o velho que não aceita mudanças – e muitas vezes tem menos idade que os jovens sonhadores (que por sua vez, às vezes têm até cabelos brancos).

E há um longo caminho pela frente, como provam os motoristas que esbravejavam. Pois eles representam um dos maiores males da atualidade: a falta de solidariedade.

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