O canto do cisne da União Soviética

Em 25 de dezembro de 1991, Mikhail Gorbachev renunciou à presidência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, fato que decretou a dissolução do país do qual ele era Chefe de Estado. O ato de Gorbachev apenas antecipou o fim, que estava marcado para a virada do ano.

A URSS, de qualquer forma, já estava mortalmente ferida desde agosto daquele ano, quando a “linha-dura” do Partido Comunista tentou derrubar Gorbachev, cuja popularidade estava em níveis baixíssimos devido aos graves problemas econômicos que o país enfrentava desde a adoção do programa de reformas (glasnost e perestroika). Porém, o golpe fracassou graças ao principal adversário político do presidente soviético, Boris Yeltsin, que conclamou a população a resistir e foi para a frente do parlamento em Moscou, onde chegou a discursar em cima de um tanque.

Gorbachev voltou a seu cargo, mas na prática o poder passou às mãos de Yeltsin, que acelerou a desagregação da URSS: reconheceu a independência de Estônia, Letônia e Lituânia, abrindo o caminho para as demais repúblicas soviéticas fazerem o mesmo; o líder russo também determinou a suspensão das atividades do Partido Comunista e o confisco de seus bens.

Yeltsin chegou a apoiar a proposta de Gorbachev para a assinatura de um novo Tratado da União, em substituição ao que vigorava desde 1922 e estabelecera a URSS. Porém, no dia 1º de dezembro a Ucrânia proclamou sua independência, após 90% da população aprová-la em um plebiscito. Com a segunda república em importância declarando-se independente, ficou claro que não seria possível manter o que restava da URSS como um só país.

Assim, no dia 8 de dezembro os presidentes de Bielo-Rússia, Rússia e Ucrânia firmaram um tratado que extinguia a União Soviética e estabelecia a CEI (Comunidade de Estados Independentes), e marcaram a data da “morte” da URSS: 31 de dezembro de 1991. Gorbachev antecipou o fim, e após sua renúncia a bandeira soviética foi arriada do mastro no alto do Kremlin e substituída pelo pavilhão da Rússia.

Porém, entre o golpe fracassado de agosto e a renúncia de Gorbachev, havia um 7 de novembro. Tal data era a mais importante da URSS, por marcar o aniversário da Revolução de Outubro.

Obviamente a situação política não era favorável à comemoração do 74º aniversário da Revolução. Além da proibição das atividades do Partido Comunista por Yeltsin, também era claro que a URSS estava se desagregando. E justamente naquele 7 de novembro, a cidade de Leningrado passava a se chamar São Petersburgo, nome que lembra o anterior a 1917 (Petrogrado).

Porém, os 74 anos da Revolução foram lembrados. Pela primeira vez desde 1917, sem celebrações oficiais – apenas com manifestações populares, que tinham também caráter de protesto contra os rumos da URSS.

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3 comentários sobre “O canto do cisne da União Soviética

  1. Pingback: Sul 21

  2. Gorbachev, Yeltsin e muitos outros merecem ser classificados, no mínimo, como corruptos, bandidos, traidores e vendilhões.

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