A prova de que a democracia que temos é uma farsa

Nos últimos dias, as bolsas de valores vinham caindo por conta da notícia que o governo da Grécia havia decidido convocar um plebiscito sobre o novo plano de ajuda internacional ao país. Aliás, “ajuda”, pois a que a Grécia já recebeu não melhorou a vida dos gregos, muito pelo contrário: todos os indicadores do país regrediram, exceto a taxa de suicídios, que nos cinco primeiros meses de 2011 aumentou 40% em relação ao mesmo período em 2010.

O “remédio” para a crise na Grécia não está fazendo efeito – ou melhor, faz “ao contrário”: ao invés de estancá-la, só a aprofunda. Nada mais justo do que consultar o povo – o que, aliás, já devia ter sido feito há bem mais tempo, para saber se ele estava disposto a tal sacrifício. Talvez o primeiro pacote não tivesse sido aprovado, daí ele não ter sido submetido a uma consulta popular.

Já agora o governo “socialista” (país que tem uma esquerda assim, precisa de direita?) de George Papandreou amarga uma alta taxa de impopularidade, e na prática não governa a Grécia – quem manda são os bancos. A proposta do plebiscito seria uma tentativa de retomar a soberania do país que é considerado o berço da democracia.

Porém, o governo não descarta abrir mão do plebiscito, caso haja um acordo com a oposição para aprovar o novo pacote. Ou seja, como sempre, o povo que se lixe, na visão dos verdadeiros donos do poder. E dê-lhe repressão policial, gás lacrimogêneo, cassetetes… Tudo muito “democrático”.

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Para entender melhor a crise da Grécia (e como o país chegou a tal ponto), uma ótima dica é o documentário abaixo, “Dividocracia”, produzido por jornalistas independentes gregos.

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5 comentários sobre “A prova de que a democracia que temos é uma farsa

  1. A crise grega foi anunciada com muito tempo de antecedência. A do Brasil também está sendo. Depois, na hora H, é fácil reclamar. A Grécia cresceu mais do que podia por 15 anos, entrou em crise, tem a chance de ter metade da dívida “perdoada…” e de continuar sendo financiada por outros países da Europa, mas ainda assim o governo grego não está tendo culhões para encaminhar ao congresso sozinho o amargo pacote de ajuste, necessário devido ao próprio governo. É óbvio que o pacote de ajuste não seria aprovado no referendo, ninguém gosta de cortes de gastos e arrocho, mas o governo não quer bancar o plano sozinho, e por isso propôs essa covardia, pondo em risco toda a zona do Euro. Espero que não passemos, nós, brasileiros, por isso em alguns anos e tenhamos que ouvir as mesmas desculpas de sempre.

    • O fato da crise ser anunciada com antecedência não é desculpa para não se ouvir o povo, por mais tarde que seja. Como bem disse o Saramago, democracia não é apenas “tirar um governo do qual não se gosta para eleger um que talvez se venha a gostar”.

  2. O Diego estaria, por acaso, querendo insinuar que a culpa da situação da Grécia é devido aos “privilégios” que o governo distribuía ao seu povo?
    Pergunto isso pois esse argumento, ignorando todas as benesses feitas pelo governo ao longo do tempo ao capital, como subsídios, assumir dívidas privadas, etc., vem sendo utilizado por alguns. Porém se tal argumento fosse verdadeiro teria que se responder por que a Irlanda, que cortou os “privilégios” do seu povo e era apontada como referência de “sucesso” das reformas liberais e ajuste fiscal, está em situação de crise? E por que países como a Alemanha e França, que gastam mais com o seu povo em percentual do PIB estão em melhor situação do que países que gastavam menos como a Grécia, Portugal e Irlanda?
    Ainda sobre isso cabe salientar que os “inevitáveis” cortes apresentados como panacéia para resolver a crise só a tem piorado. Basta ver os indicadores econômicos da própria Grécia entre um pacote e outro de austeridade. É evidente: os planos de “resgate” não são para salvar a Grécia mas os banqueiros alemães e franceses. E diferente do que acredita o Diego e muita gente, no novo pacote os juros são maiores e mais escorchantes o que compensou o “perdão” de parte da dívida grega.

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